Fado e Poesia no arranque das celebrações dos 25 anos da Casa-Museu Amália Rodrigues

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Uma sessão de fados e leitura de poesia de Amália Rodrigues, na próxima quinta-feira (23 de julho), dá o ponto de partida das celebrações do 25.º aniversário da Casa-Museu Amália Rodrigues (CMAR), na Rua de S. Bento, em Lisboa, divulgou esta terça-feira a instituição.

A data coincide com o aniversário da fadista que nasceu em Lisboa há 106 anos e foi um dos maiores nomes da cena musical portuguesa, tendo-se apresentado, ao longo da carreira, em mais de 50 países e em emblemáticas salas internacionais como L’Olympia, em Paris, Hollywood Bowl, em Los Angeles, Lincoln Center e Carnegie Hall, em Nova Iorque, Teatro Sankei, em Tóquio, e o Teatro Argentina, em Roma.

Na próxima quinta-feira, às 17h00, é apresentada, na Casa-Museu, Trago Fado nos Sentidos, uma sessão de fado e leitura de poemas da diva.

Amália cantou vários poetas portugueses, como Luís de Camões, Feliciano Castilho, Afonso Lopes Vieira, David Mourão-Ferreira e João Linhares Barbosa, todavia o autor mais representado no seu repertório é ela própria, autora de fados como Estranha Forma de Vida, Lavava no Rio Lavava e Lágrima.

Neste dia, a casa-museu terá horário alargado até às 19h00. A fadista Célia Leiria, acompanhada por Pedro Amendoeira, na guitarra portuguesa, e Flávio Cardoso, na viola, interpretará fados do repertório de Amália. “A leitura de poemas é feita pelo público a nosso convite”, disse à agência Lusa a investigadora Joana Machado, da CMAR.

O calendário de iniciativas prolongar-se-á até 2027, “explorando diferentes dimensões de Amália, da voz à poesia que interpretou e escreveu, passando pelos universos que a inspiraram e que ela própria ajudou a construir”.

As Oficinas Criativas são outra iniciativa do programa, em que é proposto aos “mais novos uma aproximação lúdica e participativa ao universo de Amália e ao património português, com sessões marcadas para o último sábado de cada mês, a iniciar em agosto”.

Entre novembro e dezembro próximos, em parceria com a Boutique da Cultura, realizam-se as Visitas Teatrais, que “conjugam visita guiada, encenação e performance”.

Sob o mote Entre como quem visita uma amiga, a Casa-Museu “reserva a atmosfera exata em que Amália viveu ao longo de mais de quatro décadas”, disse a responsável.

A CMAR, no n.º 191 da Rua de S. Bento, foi inaugurada, oficialmente, em 24 de julho de 2001, e abriu portas ao público no dia seguinte.

Segundo a mesma fonte, “ao longo destes 25 anos, o espaço afirmou-se como um ponto de encontro multicultural, tendo recebido mais de 150 mil visitantes de 150 nacionalidades”.

As visitas são guiadas e realizadas em grupos com um máximo de dez pessoas, “uma opção pensada para garantir uma experiência de proximidade e personalizada, em respeito pela escala e integridade da casa da artista”, com a duração de cerca de uma hora.

A CMAR tem servido como cenário de filmes, como Amália (2009), de Carlos Coelho da Silva, e diversos documentários.

Aquando da sua inauguração, o então presidente da Assembleia da República, António Almeida Santos, que conheceu Amália, afirmou que a casa-museu iria contribuir para o processo de mitificação da fadista que já tinha começado “há muito tempo”.

A casa conta com quadros de vários artistas portugueses como Eduardo Malta, Maluda e Luís Pinto-Coelho.

A visita percorre toda a casa desde a sala de visitas, onde a fadista recebeu amigos, jornalistas e muitos anónimos, mantendo a disposição original com pequenas alterações para facilitar a circulação dos visitantes.

Ao centro, uma mesa com tampo de vidro mostra as muitas condecorações nacionais e estrangeiras, com que a fadista foi agraciada. Segue-se a sala de jantar com a mesa posta, as pratas nos armários de apoio e as garrafas num carrinho de chá. No andar superior mostra-se um dos vestidos de Amália, uma antecâmara e o seu quarto.

Entre quadros, santos, nomeadamente Nossa Senhora do Carmo, de quem Amália era especialmente devota, e bibelots, uma vitrina exibe alguns dos adereços que usou. Num armário, perfilam-se sapatos e, numa gaveta entreaberta, alguns produtos de cosmética.

Numa entrevista à agência Lusa antes da inauguração da CMAR, o juiz conselheiro Fernando Machado Soares, encarregado pela fadista, em testamento, de dar corpo à sua vontade de criar uma Fundação, que tutela atualmente a casa-museu, disse que foi essencial “não trair a memória da fadista que enalteceu Portugal”.

Machado Soares, que foi amigo da criadora de Povo que Lavas no Rio (Pedro Homem de Melo, Fado Vitória, de Joaquim de Campos), afirmou: “Tudo foi realizado dentro do espírito da casa, houve a preocupação de não descaracterizar a casa da Amália, mantendo a sua função de domicílio”. E garantiu: “Temos correspondido ao que a Amália pretendia”.