André Ventura alega que gémeas luso-brasileiras passaram à frente da lista de espera. Fonte do Infarmed nega tese.
André Ventura voltou a frisar, em entrevista à RTP, que “houve tratamento preferencial” na atribuição do medicamento Zolgensma, que trata a atrofia muscular espinhal e que custou quatro milhões de euros ao Estado (dois milhões por cada), às gémeas luso-brasileiras e que “outras crianças não tiveram [acesso ao medicamento]”, fazendo parecer que as duas crianças luso-brasileiras passaram indevidamente à frente de uma eventual lista de espera. Infarmed nega esta tese levantada pelo líder do Chega.
André Ventura disse que gémeas luso-brasileiras tiveram acessoa a medicamento que "outras crianças não tiveram" ANDRÉ KOSTERS / EPA
À SÁBADO, fonte do Infarmed assegura que na altura da atribuição do Zolgensma às gémeas luso-brasileiras - em 2020 - havia um total de quatro pedidos de atribuição ao regulador do medicamento, reitera que não havia lista de espera e afirma que ninguém passou à frente de ninguém devido à raridade da doença, desmentindo a tese do líder do partido Chega.
Explica ainda à SÁBADO que os pedidos de Autorização de Utilização Excecional para os medicamentos são anónimos, para proteger a identidade dos utentes e evitar eventuais conflitos de interesse em quem aprove a administração dos medicamentos. Em 2024, o próprio Infarmed já tinha afirmado à agência Lusa que “cumpriu toda a legislação em vigor em matéria de Autorização de Utilização Excecional”.
Luís Pinheiro, o ex-diretor clínico do Hospital Santa Maria, onde o medicamento foi atribuído às gémeas, também já tinha negado em janeiro de 2025 a existência de uma alegada lista de espera para a administração do medicamento devido à raridade da doença, como noticiou o Correio da Manhã na altura.
A SÁBADO perguntou ao Chega quais e quantos seriam os alegados casos de crianças prejudicadas e passadas à frente pelas gémeas luso-brasileiras na atribuição do medicamento, bem como é que obtiveram os casos alegados pelo presidente do partido, mas não obtivemos resposta.
Com Diogo Barreto
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