Antigo presidente do Júri Nacional de Exames contra generalização da correção digital

🗓️ 2026-07-18 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O antigo presidente do Júri Nacional de Exames Luís Duque de Almeida lamentou hoje que o ministro da Educação tivesse alargado a correção digital sem fazer um balanço do projeto experimental, no qual foram detetados erros.

Mulher consulta listas de exames nas Escolas dos Açores

Mulher consulta listas de exames nas Escolas dos Açores ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Luís Duque de Almeida, que abandonou o cargo em setembro do ano passado, referia-se à generalização da correção digital aos exames finais nacionais do Ensino Secundário, um processo que está envolto em polémica, com as notas só na sexta-feira a começarem a ser publicadas e mesmo assim com muitos alunos sem acesso à classificação, aparecendo apenas "suspenso" na pauta.

O responsável falava numa entrevista à Rádio Renascença, quando expressou estranheza por o ministro da Educação ter anunciado no ano passado o alargamento da correção digital a todas as provas, depois de ter acontecido nesse ano apenas a correção experimental das provas de Filosofia.

Luís Duque de Almeida presidiu a essa fase experimental mas deixou de ser presidente do júri a 09 de setembro do ano passado.

"Para preservar a minha saúde. Não queria estar nesta situação e sabia que as coisas poderiam ir por este caminho", até porque gosto de trabalhar com as coisas planeadas, disse agora à Renascença.

Ao longo da entrevista, insistiu na estranheza de o ministro ter decidido avançar e não ter pedido ao Júri Nacional de Exames qualquer balanço ou informação. E, ao que julga também, não pediu ao instituto EduQa. Luís Duque tinha sido o responsável pela correção digital das provas de Filosofia e nada lhe foi perguntado.

"Éramos da opinião de que não se podia generalizar. Não sei com que informação é que o ministro tomou a decisão", disse na entrevista, afirmando que existiram "alguns constrangimentos" no caso da Filosofia.

Por ser um processo "muito complexo" não devia ser feito de forma tão rápida, era preciso melhorar e repensar o processo, justificou na entrevista.