Centenas de pessoas acampam pela segunda noite em Madrid em protesto pela habitação
Centenas de pessoas estão a passar a segunda noite acampadas no centro de Madrid, apesar da descida das temperaturas e da previsão de chuva, para exigir medidas contra a crise da habitação.
Centenas de pessoas acamparam no centro de Madrid em protesto contra crise na habitação e despejo de idosa
O número de manifestantes reunidos na praça Porta do Sol, onde foram montadas mais de 300 tendas, foi aumentado ao longo do dia de domingo, durante o qual foram organizadas várias atividades, como ioga e atuações musicais.
Os participantes garantem que o protesto não tem data para acabar, mas no calendário está marcada a próxima terça-feira como uma data-chave no calendário, pois espera-se que, nesse dia, o Conselho de Ministros aprove um decreto-lei sobre a habitação.
O Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid, organizador do acampamento, exige que o decreto inclua medidas como contratos de arrendamento por tempo indeterminado e a suspensão de despejos sem alternativa habitacional.
"O poder está connosco. E, aconteça o que acontecer na terça-feira, continuará connosco e vamos reagir. Com certeza. Porque isso [o decreto-lei] seria apenas lançar a primeira pedra para caminhar, para nos aproximarmos cada vez mais da meta real, que é acabar com o negócio de m[...] deles, acabar com o negócio da habitação", afirmou uma das porta-vozes do sindicato, Valeria Racu, num discurso.
Em resposta, os manifestantes entoaram frases como "quero uma casa, não um golpe" ou "rentistas culpados, governos responsáveis".
No centro da praça, os organizadores montaram uma cozinha comunitária e um centro logístico, onde são distribuídos água e comida aos participantes.
As tendas na Porta do Sol, no coração turístico da capital espanhola, e em frente à Presidência do governo regional de Madrid, começaram a ser colocadas no sábado à noite, no final de uma manifestação contra os despejos e para exigir medidas que protejam os inquilinos e facilitem o acesso a uma casa.
Segundo os organizadores, a associação Sindicato de Inquilinas e Inquilinos, estiveram 300 mil pessoas na manifestação de sábado, enquanto as autoridades dizem que foram 25 mil.
A manifestação foi convocada com o lema "nem mais uma Maricarmen", numa referência ao despejo, na passada quarta-feira, de Maricarmen Abascal, de 87 anos.
Maricarmen foi despejada da casa onde viveu desde 1956 no centro de Madrid pela polícia, em cumprimento de uma ordem judicial que deu razão ao fundo de investimento que comprou o apartamento.
Estão acampadas na Porta do Sol entre 500 e mil pessoas, segundo as autoridades e o Sindicato das Inquilinas e Inquilinos.
O governo regional de Madrid exigiu no domingo que a Delegação do Governo "restabeleça o mais rapidamente possível" a normalidade na Porta do Sol.
A administração municipal manifestou surpresa e indignação perante o acampamento e acusou a Delegação do Governo em Madrid de "permitir que tal acontecesse".
A imagem está já ser comparada em Espanha com a do Movimento dos Indignados, que em 2011 levou milhares de pessoas a acampar durante um mês no mesmo local em protesto contra as medidas de austeridade e respetivas consequências no emprego e nível de vida.