E que tal deixarmos de perder tempo com futilidades?

🗓️ 2026-10-04 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Eu até gostava de futebol. 

O conceito de um trabalho colectivo – ou seja, uma acção cooperativa de várias pessoas singulares, com as suas idiossincrasias e capacidades/talentos individuais postas em comum - visando a obtenção de um mesmo resultado querido por todos os membros do conjunto/equipa era, e continua a ser, para mim algo de muito positivo. 

Todavia, comecei a perder o interesse por essa actividade quando o futebol profissional deixou de ser um desporto para passar a ser um negócio de contornos cada vez mais duvidosos, e até um campo fértil para desprezíveis manobras políticas de carácter populista visando distrair as populações dos reais e efectivos problemas que afectam a sua vida. 

E, o que é ainda muito pior, quando foi permitido que ao futebol fossem associadas organizações ilegais que não passam de grupos de criminosos violentos não apenas tolerados, mas apaparicados a nível mundial até pelos poderes públicos de cada país. 

Estou a referir-me às chamadas claques dos clubes de futebol, que, em Portugal, nenhuma delas cumpre os lassos e facilitistas requisitos previstos na lei para a sua regularização, e de que os interesses instalados nos vários clubes se servem para amedrontar aqueles que se lhes opõem. 

E uma dessas claques, a dos “Super Dragões”, até se transformou numa espécie de guarda pretoriana de um líder político populista que se chamava Jorge Nuno Pinto da Costa. 

Eu nunca esquecerei uma das frases preferidas desse grupo, qual seja, “eu só quero ver Lisboa a arder”. E não estavam a brincar. 

Para que conste, recordo aqui que, nos tempos do Império Romano, a Guarda Pretoriana se tornou tão forte que acabou a decidir quem seria o próximo Imperador. 

Os monstros acabam sempre por libertar-se dos seus criadores e, às vezes, até os matam. 

E é exactamente por tudo isto que me recuso frontalmente a contribuir para a alimentação da novela mexicana que foi criada em torno da selecção nacional de futebol. 

De um instante para o outro, todos os problemas do país desapareceram do palco noticioso. 

As escolas, a crise da habitação e a paulatina destruição do SNS, deixaram de ser problemas e até o caso Luís Neves perdeu actualidade. 

E, enquanto isso, o cubano de Miami Marco Rubio desembarca em Portugal para falar com o “ministro da guerra” Nuno Melo, sem dúvida para, seguindo à risca a cartilha MAGA de Donald Trump, dizer a este último qual o tipo de armamento militar que o nosso país tem de comprar - que é, obviamente, o produzido nos EUA. 

E, na linha da abjecta e miserável postura de suicidária subserviência dos dirigentes políticos da União Europeia e dos países membros que a compõem, Nuno Melo vai obedecer. 

Vamos ver se não irá suceder algo de semelhante ao episódio dos submarinos de Paulo Portas ocorrido nos tempos do governo presidido pelo “impoluto” José Manuel Durão Barroso. Agora, como nessa altura, também nenhum controle e escrutínio existem acerca das manobras de bastidores que estão a ser desenvolvidas no processo de aquisição de armamento por parte dos países da UE que pertencem à NATO. 

E é muito o dinheiro que existe para gastar. 

Muito sinceramente, não consigo compreender como, de um modo tão sistemático e persistente, as lideranças europeias se colocam de cócoras perante o tiranete estado-unidense. O recente caso dos combustíveis é apenas mais um exemplo dessa inaceitável e humilhante cobardia moral e política. 

Que gente é esta que hipoteca tão facilmente o futuro (e a segurança) dos povos que era sua obrigação defender? 

Será que não conseguem perceber a profunda irracionalidade dessa postura servil perante alguém que nunca se cansará de exigir cedências, umas a seguir às outras? 

E que é feito da honra e do orgulho nacional dos povos? Será que esta gente não tem vergonha? 

Uma vez mais, as lideranças europeias estão a abdicar de ter um papel na definição dos destinos do Mundo, e conformam-se miseravelmente com a posição de criados obedientes dos novos donos do Planeta que são a China e os EUA. 

E com isso caminharemos inexoravelmente para a destruição da Democracia e do Estado de Direito. Já estamos a caminhar. 

Mas destas coisas não cuidam os órgãos de comunicação social. 

Como não cuidam de outras coisas aparentemente mais domésticas e comezinhas. 

Por exemplo, no seu afã, cada vez mais evidente, de “levar ao colo” il capo fascista André Ventura, esse grande patriota e nacionalistas que não diz uma palavra a propósito da perda da independência dos países europeus face aos ditadores estado-unidense e chinês, reina o silêncio acerca da cambalhota política - verdadeiro flic-flac à retaguarda - do Chega no que respeita à legislação do governo em matéria do direito ao arrendamento (aliás, direito ao despejo). 

E o mesmo acontece com o alegado assalto ao gabinete de Ventura no Parlamento. 

E com tantos outros podres na actividade do Chega, nomeadamente os que respeitam aos procedimentos dos eleitos por esse partido para os cargos autárquicos. 

Usando os seus dotes de manipulador, il capo fascista André Ventura veio anunciar que irá liderar a comissão parlamentar de inquérito ao trabalho realizado por Luís Neves como director nacional da Polícia Judiciária. 

E com isso apagou as notícias respeitantes às incongruências políticas da actividade do Chega, partido ao qual, como acontece com o seu chefe, tudo se perdoa e tolera. 

Tal como, ao contrário do que sucede com outros igualmente cruéis e sanguinários criminosos, como Putin e os líderes do Irão, tudo se perdoa e tudo se tolera a Donald Trump e Benjamin Netanyahu. 

E até tudo se perdoa a Volodymyr Zelensky que, com as declarações que produziu acerca da entrega de prisioneiros norte-coreanos às autoridades da Coreia do Sul mostrou bem que não é uma pessoa fiável. 

Esta duplicidade de critérios é eticamente inaceitável e desprestigia as instituições que a praticam. Em Portugal e no resto do Mundo. 

No fundo, só serve para corroer a Democracia e o Estado de Direito. 

O que será que vai ser necessário acontecer para que os povos em que esta forma de organização da sociedade ainda existe despertem do seu torpor antes que seja tarde?