Emirados Árabes Unidos denunciam ataque iraniano e Qatar interceta mísseis

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Irão, por enquanto, não reivindicou a autoria dos ataques, que ocorreram depois de os Estados Unidos terem levado a cabo uma nova ofensiva durante a madrugada e de os meios de comunicação iranianos terem noticiado várias explosões em diversos pontos do país.

12 de julho de 2026 às 07:08

Os Emirados Árabes Unidos afirmaram este domingo que as suas defesas aéreas estavam a repelir "ataques com mísseis e drones provenientes do Irão" e o Qatar denunciou um ataque com mísseis, após o recrudescimento da tensão no Médio Oriente.

"Neste momento, as defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos estão a responder a ataques com mísseis e drones provenientes do Irão, e o Ministério da Defesa confirma que os sons ouvidos em diversas zonas do país resultam da resposta dos sistemas de defesa aérea", explicou o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos na rede social X.

Por seu lado, a agência noticiosa estatal do Qatar afirmou que as suas forças armadas tinham repelido um ataque com mísseis, sem confirmar a origem dos mesmos.

Entretanto, o Ministério do Interior do Bahrein, outro país do Golfo Pérsico que acolhe bases norte-americanas, pediu aos cidadãos que se dirigissem para locais seguros próximos depois de ativar alarmes no território.

O Irão, por enquanto, não reivindicou a autoria dos ataques, que ocorreram depois de os Estados Unidos terem levado a cabo uma nova ofensiva durante a madrugada e de os meios de comunicação iranianos terem noticiado várias explosões em diversos pontos do país.

Os Estados Unidos lançaram uma nova ronda de ataques contra o Irão, na sequência do bombardeamento de um porta-contentores com bandeira cipriota, que provocou um incêndio no navio e danos na sala das máquinas, obrigando à interrupção da viagem, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), na rede social X.

A tripulação do navio porta-contentores atingido por disparos iranianos no Estreito de Ormuz abandonou o navio em chamas, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, e um tripulante era dado como desaparecido ao início da madrugada.

Segundo a UKMTO, o ataque ocorreu a 9 milhas náuticas (cerca de 17 km) a leste da península de Moussandam, pertencente ao Sultanato de Omã, e provocou um incêndio a bordo. "A tripulação abandonou o navio e embarcou num bote salva-vidas", indicou a agência.

Às 19h15, hora local de sábado (23h15 TMG), as forças norte-americanas iniciaram a terceira ofensiva contra o Irão desta semana, informou o comando norte-americano em Tampa, por ordem do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As forças norte-americanas justificaram o ataque contra a República Islâmica alegando que estão a "reduzir a sua capacidade" de atacar outras embarcações no Estreito de Ormuz.

Os meios de comunicação iranianos noticiaram explosões em vários pontos do país. Segundo a agência Tasnim, ligada à Guarda da Revolução iraniana, foram registadas entre cinco e seis explosões em várias cidades da província de Bushehr, no sudoeste do país, onde se situa uma central nuclear.

Além disso, a agência noticiou três detonações em Sirik, junto ao estreito de Ormuz, e outras três em Bandar Abbas, outra localidade portuária próxima do estreito.

Por enquanto, não se conhecem detalhes sobre vítimas ou danos causados pelos ataques.

A emissora Al Jazeera, citando vários meios de comunicação iranianos, deu igualmente conta de explosões junto aos portos de Konarak e Chabahar.

A Guarda da Revolução Islâmica do Irão anunciou o encerramento "até nova ordem" do Estreito de Ormuz, depois de disparar tiros de advertência contra o navio que, segundo as autoridades iranianas, navegava por uma "rota não autorizada".

A força militar iraniana afirmou que o navio foi atingido por tiros de advertência e obrigado a parar.

"Na sequência deste incidente e tendo em conta, nomeadamente, a insegurança gerada pela intervenção ilegal de forças estrangeiras, o Estreito de Ormuz será encerrado até nova ordem e até ao fim das intervenções norte-americanas nesta região. Nenhum navio será autorizado a atravessá-lo", refere o comunicado.

Há alguns dias, Trump anunciou o fim do protocolo do acordo de cessar-fogo em vigor entre ambos os países, na sequência do reinício dos bombardeamentos no Médio Oriente.

Os EUA e o Irão assinaram, no passado dia 17 de junho, um memorando de entendimento para pôr fim à guerra, desbloquear o Estreito de Ormuz e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano.

O Estreito de Ormuz é uma das mais importantes rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural, ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao oceano Índico, por onde, em tempos de paz, transitava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos em todo o mundo, especialmente na Ásia.

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