EXPOFUT 2026: AICEP vai ajudar o futebol profissional a transformar a sua projeção internacional em oportunidades de negócio
A primeira edição da EXPOFUT realiza-se já entre os próximos dias 14 e 15 deste mês, na Arena Liga Portugal, no Porto. O evento vai reunir empresas, organizações e especialistas num espaço dedicado à inovação, ao conhecimento e à criação de novas oportunidades de negócio em torno do futebol. Record e o Jornal de Negócios são Media Partners do evento. A AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal marcará presença no evento e as expectativas de Paulo Rios, Administrador Executivo da AICEP, não podiam ser mais altas
RECORD – Quais são as expectativas da AICEP para a participação na Expofut 2026?
PAULO RIOS - A EXPOFUT 2026 representa uma oportunidade para olhar para o futebol português numa perspetiva mais abrangente: não apenas como atividade desportiva, mas como uma indústria com capacidade para gerar negócios, atrair investimento e projetar internacionalmente competências portuguesas. O futebol português tem reconhecimento além-fronteiras. O desafio é aproveitar essa visibilidade para dar a conhecer as empresas, tecnologias, produtos e serviços que integram o seu ecossistema. A nossa expectativa é que esta primeira edição permita estabelecer contactos qualificados, identificar oportunidades concretas de cooperação e criar relações que possam ter continuidade nos mercados internacionais. Para a AICEP, o sucesso mede-se pela capacidade de transformar contactos em oportunidades reais de negócio.
R – Em que áreas concretas as sociedades podem beneficiar com a sua associação à AICEP?
PR - As sociedades desportivas desenvolvem hoje atividades que ultrapassam largamente a competição. São organizações com marcas reconhecidas, relações comerciais, serviços, ativos e projetos de investimento. A AICEP trabalha com as empresas e outras entidades no desenvolvimento dos seus projetos de internacionalização, disponibilizando conhecimento dos mercados, apoio na identificação de parceiros e acesso à sua Rede Externa. A AICEP pode acrescentar valor em três dimensões: no conhecimento dos mercados internacionais, através de informação e identificação de oportunidades; no acesso a parceiros, investidores e interlocutores relevantes, com o apoio da nossa Rede Externa; e na preparação de estratégias de internacionalização, incluindo o posicionamento das marcas e a identificação de novas áreas de negócio. O ponto de partida deve ser sempre compreender os objetivos e o grau de maturidade de cada entidade. Não existe uma resposta única para todas as empresas.
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R – A promoção de investimento estrangeiro no futebol português pode acontecer apenas no investimento em capital social das sociedades ou de outras formas?
PR - O investimento estrangeiro no ecossistema do futebol pode assumir formas muito diversas e não se esgota na aquisição de participações em sociedades desportivas. Existem oportunidades de investimento produtivo em infraestruturas, centros de treino e performance, tecnologia aplicada ao desporto, saúde, equipamentos, produção de conteúdos, plataformas digitais e serviços especializados. Para além do investimento direto, existem oportunidades de cooperação empresarial, desenvolvimento conjunto de soluções tecnológicas e estabelecimento de parcerias internacionais que podem contribuir para dinamizar esta indústria. Para a AICEP, interessa particularmente o investimento que cria atividade económica, emprego qualificado, inovação e valor acrescentado em Portugal. O futebol pode funcionar como porta de entrada para investimento em muitas outras atividades económicas.
R – Que tipo de ligação têm já ao futebol profissional?
PR - A ligação da AICEP ao futebol profissional deve ser entendida no quadro da nossa missão de promoção do investimento e da internacionalização da economia portuguesa. Apoiamos empresas de diferentes setores que desenvolvem soluções com aplicação na indústria do desporto, desde a tecnologia aos equipamentos e serviços especializados. A parceria institucional com a Liga Portugal, no âmbito da EXPOFUT, representa uma oportunidade para aprofundar essa relação, conhecer melhor as necessidades das sociedades desportivas e identificar áreas concretas de colaboração. O nosso objetivo não é intervir na gestão desportiva, mas contribuir para o desenvolvimento empresarial e a internacionalização deste ecossistema. O nosso objetivo não é intervir na gestão desportiva, mas contribuir para a dimensão empresarial e internacional deste ecossistema.
R – O que a AICEP gostaria de concretizar no futuro ao nível desta relação com o futebol profissional?
PR - Gostaríamos que esta relação evoluísse para uma colaboração orientada para resultados concretos. Isso implica conhecer melhor as ambições internacionais das sociedades desportivas, identificar empresas portuguesas com soluções competitivas para esta indústria e aproximá-las de oportunidades nos mercados externos. A Liga Portugal pode desempenhar um papel importante na identificação das necessidades do setor e na mobilização dos seus diferentes agentes. A AICEP pode acrescentar conhecimento dos mercados, capacidade de articulação internacional e acesso a redes empresariais. Mais do que multiplicar iniciativas, queremos construir relações que originem negócios, parcerias e investimento com continuidade.
R – Que ferramentas vão colocar à disposição das sociedades ao nível da expansão das suas marcas?
PR - O futebol português beneficia de uma forte notoriedade internacional. Mas essa visibilidade, por si só, não gera negócio: é necessário transformá-la em relações comerciais, parcerias e oportunidades de internacionalização. A AICEP pode apoiar esse processo através de informação e inteligência de mercados, da sua Rede Externa presente em mais de 50 mercados e de instrumentos de capacitação em áreas como estratégia de marca, marketing internacional e comércio digital. A utilização destes instrumentos deverá ser ajustada às necessidades concretas de cada empresa e aos objetivos dos respetivos projetos internacionais. Podemos também contribuir para a identificação de potenciais parceiros comerciais e para a avaliação de oportunidades em mercados onde as sociedades pretendam desenvolver a sua presença. O essencial é transformar reconhecimento em posicionamento, posicionamento em relações comerciais e essas relações em valor económico sustentável.
R – Que avaliação fazem dos interlocutores com que têm contactado, nomeadamente ao nível da Liga Portugal e das sociedades, no que diz respeito às lideranças tendo em vista o futuro da indústria?
PR - A própria criação da EXPOFUT é um sinal de uma visão mais abrangente sobre o futuro do futebol português. Reconhecemos na iniciativa da Liga Portugal a preocupação de aproximar a dimensão desportiva da dimensão empresarial, criando um espaço de encontro entre sociedades, fornecedores, investidores e empresas tecnológicas. O futebol profissional enfrenta desafios cada vez mais exigentes em matéria de gestão, inovação, sustentabilidade económica e competitividade internacional. A capacidade das lideranças para estabelecer parcerias, diversificar receitas e valorizar os seus ativos será determinante. Da parte da AICEP, existe disponibilidade para trabalhar com os interlocutores do setor na identificação de oportunidades concretas. O futuro do futebol português também se constrói fora das quatro linhas.