Nuno Cardoso: o engenheiro que liderou a Câmara do Porto entre 1999 e 2002
Política
Antigo autarca morreu esta noite no Hospital Santo António, aos 64 anos.
07 de setembro de 2026 às 12:49
Nuno Cardoso nasceu no Peso da Régua e fez-se engenheiro de profissão, mas foi pela presidência da Câmara do Porto, entre 1999 e 2002, que ficou conhecido dos portugueses, tendo liderado processos determinantes para a cidade.
O antigo autarca, que morreu esta noite no Hospital Santo António, aos 64 anos, teve em mãos os dossiês da Porto 2001 -- Capital Europeia da Cultura e da rede do Metro do Porto, entre outras obras viárias marcantes, mas também algumas polémicas, com o Plano Pormenor das Antas à cabeça.
Nasceu no Peso da Régua, a 31 de outubro de 1961, e foi nessa cidade que, em 1993, foi cabeça de lista pelo PS à Assembleia Municipal, apesar de não estar filiado nos socialistas, numa altura em que já era professor convidado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), em que lecionou até 1996.
É nesse ano que preside à administração da Águas do Douro e Paiva, empresa que viria a resolver o problema que então se vivia quanto ao abastecimento de água na Área Metropolitana do Porto, com a construção da Estação de Tratamento de Águas de Crestuma-Lever.
Seis anos antes, em 1990, tinha chegado à Câmara do Porto pelas mãos de Fernando Gomes, que viria a substituir aos 38 anos, quando o socialista foi convidado por António Guterres para ser ministro da Administração Interna.
Tinha estado envolvido no planeamento dos transportes e circulação rodoviária do Porto, alterando a mobilidade na cidade, e assumiu o pelouro do Urbanismo e Planeamento quando chegou ao executivo, como vereador.
Entrosado já em algumas das principais pastas que viriam a definir a cidade, Nuno Cardoso chegou a presidente a 26 de outubro de 1999 e seguiu não só a linha que já trazia anteriormente como a de Fernando Gomes.
Entre as incumbências estiveram os dossiês mais marcantes, da Porto 2001 ao Metro do Porto, passando pelos ajustes rodoviários à cidade, uma luta pela "alma" da cidade, um fogo de artifício que ficou por rebentar (na passagem do milénio - de 1999 para 2000) e uma série de obras que viriam a ser concluídas mais tarde.
Por outro lado, a aprovação de novas construções junto ao Parque da Cidade, já no final do mandato, foi uma das polémicas mais determinantes da sua governação, o que levou também a processos judiciais mais tarde.
Também a polémica em torno do Plano de Pormenor das Antas marcou a sua atividade, levando a que em 2004 fossem feitas buscas em sua casa, depois de, em 1999, uma troca de terrenos entre autarquia e o FC Porto ter sido contestada pelo Ministério Público e pela Inspeção-Geral das Finanças.
Vários proprietários expropriados processaram a autarquia, o próprio arquiteto que desenhou o plano, Manuel Salgado, acusou o município e a execução do mesmo custou acima de 60 milhões de euros.
Esta polémica 'pesou' na imagem pública de Nuno Cardoso, que acabou absolvido em 2010, já depois de, em 2009, uma pena por prevaricação ter sido suspensa, esta associada a um perdão de multa ao Boavista.
Em 2001, Rui Rio conquistou a cidade para o Partido Social Democrata (PSD), batendo o regressado Fernando Gomes, escolhido para voltar a ser candidato pelo PS, e tomou posse a 08 de janeiro de 2002, pondo assim fim à presidência de Cardoso.
O engenheiro tentaria mais vezes regressar àquela 'cadeira', já depois de se filiar no PS, em 2003, chegando a liderar a concelhia socialista no Porto, mesmo que tenha sido 'manobrado' em algumas eleições, tendo até sido convidado pelo partido a ser candidato na Maia.
Em 2013, lançou-se como independente, projetando "um projeto que quer ir às raízes do Porto, às suas géneses, à sua matriz, e quer efetivamente ser um projeto dos portuenses", segundo disse à Lusa.
Acabou com 1.255 votos, perto de 1%, num ano em que outro independente, Rui Moreira, venceria o primeiro de três mandatos à frente dos destinos da segunda cidade do país.
Depois, em 2025, voltou a lançar-se rodeado de pessoas próximas e amigos, apoiado então pela coligação Porto Primeiro -- Nós, Cidadãos!/ Partido Popular Monárquico (PPM), conseguindo 2.190 votos numa plataforma que tinha habitação, mobilidade e a "questão sénior" como "os três principais eixos".
Ainda assim, deixou uma última oferta à cidade, ou uma "doação", como lhe chamou, ao novo presidente da câmara, Pedro Duarte (PSD/CDS/IL).
Em maio deste ano, o primeiro-ministro Luís Montenegro e Pedro Duarte anunciaram a intenção de "enterrar" a avenida da Associação Empresarial de Portugal (AEP) para ligar Ramalde, para lá assentar o Distrito Económico e Empresarial do Porto, garantindo Nuno Cardoso que esta ideia sua foi doada aos portuenses.
"O projeto agora é dos portuenses e do Pedro Duarte que é o presidente da Câmara [do Porto]", declarou então, explicando que Pedro Duarte "teve a amabilidade" de ir ter com ele num "domingo à tarde" para ouvir as explicações sobre a sua ideia e de "como era fácil fazer esse projeto".
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