Pepa: «Na segunda parte senti que poderíamos ter virado o jogo...»
De regresso ao futebol português, Pepa destacou o esforço "tremendo" dos seus jogadores. No final do E. Amadora-Sporting (2-2), o treinador da formação tricolor afirma que este resultado dá esperança para o futuro, mas que é preciso cimentar a ideia de jogo.
Pepa, bem-vindo de volta, depois de um jogo aqui onde, a certa altura, se calhar se olhasse para o resultado e estando do outro lado um dito grande, se calhar muita gente já deitava aqui a toalha ao chão, mas a equipa do Estrela mostrou aqui daquilo que é feita esta temporada.
"Boa noite. Sim, antes de mais, olhe, parabéns às três equipas. Foi um jogo emotivo, um jogo bonito, bonito em termos de espetáculo, de perceber o que é que ia acontecer, o que é que não ia, mas acima de tudo, olhe muito mais para a nossa equipa e, fazendo um resumo do jogo, a primeira parte foi muito difícil, o que é normal também. Tem que realçar também um meio-campo com uma idade média de 20 anos de idade, e nunca é fácil. Nunca é fácil estrear, primeiro jogo contra o Sporting, com uma capacidade física e de pressão muito forte no corredor central. Nós estávamos ali a cometer alguns erros de perder algumas bolas, em sentir um pouco por dentro, mesmo na transição estávamos a tentar sair pelo corredor ativo e o espaço estava sempre num corredor contrário ou até na profundidade. A verdade é que conseguimos sair algumas vezes, com bola, não tivemos assim tão bem na primeira parte, o que é normal também, alguma ansiedade para o primeiro jogo. Por incrível que pareça, o futebol é isto, quando sofremos o primeiro golo, na minha opinião, não digo que começamos a tomar conta do jogo, mas, transformamo-nos por completo, deu gosto. A verdade é que sofremos no primeiro minuto, sofremos quando estávamos melhor, depois uns segundos. Mas a equipa não foi abaixo, quem entrou, entrou muito bem, também entrou para ajudar, é esse espírito que nós queremos, essa mentalidade, independentemente da idade. Eu disse isto no início e não mudo nada por termos empatado ou não. A equipa tem muito potencial para crescer, ainda está muito longe daquilo que que eu acredito e nós acreditamos que pode entregar em jogo. Portanto, ficamos satisfeitos com o ponto? Ficamos, claro que ficamos, porque um ponto é um ponto, mas a verdade é que eu acabei o jogo com uma sensação até já de um bocado, dizia, porque, com todo o respeito, na primeira parte não, mas na segunda senti que poderíamos ter virado o jogo e tivemos ali duas oportunidades, mas não conseguimos. Esforço tremendo dos jogadores. Parabéns a todos, mesmo."
Essa sensação nota-se ali naquelas duas últimas substituições, onde, empatados já 2-2, ainda assim coloca o Sidny para jogo, coloca também o Alisson, se não estou em erro. Era claramente o Estrela a dizer, OK, é um ponto, mas nós queremos é mais. Sentiu que a equipa estava capaz?
"Estive fora três anos ou quatro, mas não, isso não muda, a minha essência, a minha, a nossa essência. Às vezes não conseguimos, mas eu prefiro perder a tentar ganhar do que não ganhar a tentar um empate. Se perdermos, perdemos, parabéns ao adversário, ou foi melhor que nós, ou não tivemos uma noite ou um dia bom, faz parte do futebol, é assim também que crescemos. Agora, tentamos sempre passar essa energia para dentro de campo, passar essa mentalidade vencedora, independentemente de quem está do outro lado. E sabíamos, e viu-se, principalmente na primeira parte, o poderio do Sporting e a capacidade física de ganhar segundas bolas, de pressionar alto, dificultou-nos muito, mas também sabíamos, é muito difícil fazer isso durante 90 minutos. Portanto, os espaços iam começar a aparecer, agora temos de ser nós também a procurar esses espaços e a criar, com mobilidade, e os espaços depois vão aparecendo e tivemos N situações depois para fazer mais golos e descansar com bola, algo que não conseguimos na primeira parte."
Para fechar, Pepa, este é um Estrela que no ano passado passou algumas dificuldades, este ano tem algumas mudanças, tem alguns jogadores que transitam, mas é um Estrela que, estando aqui já mais à sua imagem, como já disse também, é um Estrela que lhe dá garantias de que vai estar mais tranquilo?
"Sim, nós vamos, acima de tudo... é o processo. Nós vamos jogo a jogo, como é óbvio, isso é um chavão, mas acima de tudo é o processo. Disse várias vezes lá dentro, durante a semana, independentemente do resultado, o que temos é que acreditar e estar agarrados à nossa ideia de jogo, ao processo, que vamos crescer. Ainda vão entrar três, quatro jogadores, porque, e não é de estar a tirar valor a quem cá está, não é isso, mas a verdade é que precisamos também de mais experiência, apesar que hoje essa irreverência também, normalmente, também ajuda muito, mas é preciso também ter algum equilíbrio e alguma experiência dentro de campo e no dia a dia, não é? Porque os miúdos também crescem com os graúdos, faz parte. Mas isso é com calma, é esperar, confiar na direção, na administração, em quem entrou também, e termos esta paciência. Já disse isto, gostaria de ter cá mais dois ou três há mais tempo, mas acima de tudo é potenciar ao máximo quem temos e não estar à espera de quem chega, mas sim trabalhar com tudo com os que temos."