Poderá ser o primeiro muçulmano no Senado e dá dores de cabeça a Trump: quem é Abdul El-Sayed?
Se vencer as eleições de 3 de novembro, Abdul El-Sayed tornar-se-á no primeiro senador muçulmano na história dos Estados Unidos. O candidato democrata de 41 anos, médico formado pela Universidade de Columbia, era ao início relativamente desconhecido, mas foi ganhando força ao longo dos últimos meses no Michigan com o slogan “dinheiro fora da política, dinheiro no seu bolso e saúde para todos”, que repete até à exaustão e que atraiu muitos jovens, desiludidos com a administração Trump.
Abdul El-Sayed é filho de imigrantes egípcios AP
É reconhecido como uma das principais vozes da ala progressista do partido e venceu as primárias em agosto deste ano, enfrentando forte a oposição financeira de comités de ação política de matriz conservadora.
Apoiado por ilustres figuras do partido como o ex-presidente Barack Obama e a ex-vice-presidente Kamala Harris, Abdul El-Sayed apresenta nesta altura uma ligeira vantagem nas sondagens relativamente a Mike Rogers, o candidato republicano apoiado por Donald Trump.
A eleição no Michigan centra atenções porque foi ali que Trump derrotou a democrata Kamala Harris por uma curta margem de apenas 80 mil votos nas Presidenciais de 2024. Este estado, com pouco mais de 10 milhões de habitantes, precisa de preencher a vaga deixada por um senador democrata que se reformou e tudo indicava que o lugar seria ocupado pela congressista Haley Stevens, que contava com o apoio dos líderes do partido democrata... até ao surgimento de Abdul El-Sayed!
Filho de imigrantes egípcios que chegaram ao país nos anos 70, e com boas ligações no seio dos democratas - de Alexandria Ocasio-Cortez, congressista, a Zohran Mamdani, autarca de Nova Iorque - o candidato traçou uma estratégia de comunicação ousada, próxima do eleitorado mais jovem, com vídeos no TikTok onde aparece a levantar pesos ou a fazer coreografias com músicas de Whitney Houston e Taylor Swift, adaptando as letras ao slogan da campanha.
A saúde é um tema particularmente importante na sua campanha, ou não fosse ele médico. "Precisamos de tornar a vida mais acessível para as pessoas comuns. Isto significa acabar com uma guerra estúpida na qual nunca deveríamos ter entrado. Significa reconstruir as agências governamentais que estão a falir por causa do Departamento de Eficiência Governamental de Elon Musk. E significa lutar por um sistema de saúde melhor, em vez dos cortes implementados pelo governo republicano. Mas também é crucial que responsabilizemos Trump e sua equipa por todo o mal que causaram", explicou, em declarações ao jornal El País.
Defende a implementação do sistema de saúde universal Medicare for All, a taxação das grandes fortunas e a abolição das propinas em universidades públicas. Quer também a transição climática para 100% de energias renováveis. O candidato defende o fim do financiamento militar incondicional dos Estados Unidos a países como Israel, Egito e Arábia Saudita, argumentando que as verbas dos contribuintes devem ser aplicadas na educação e saúde. Em contrapartida, apoia a assistência militar à Ucrânia, justificando-a com base na defesa do direito internacional face à invasão russa.
Reação de Trump
Donald Trump tem feito fortes críticas a Abdul El-Sayed, referindo-se repetidamente ao candidato como "Mohammed" ou "Mohammed El Fayad". Quando lhe perguntaram por que o fazia, o presidente respondeu apenas "não sei, apetece-me".
Em mensagens publicadas na sua rede social, Trump já se referiu ao El-Sayed como um "lunático jihadista que odeia o nosso país", que "remonta aos tempos da Jihad". Apelidou-o de "extremista radical e simpatizante do terrorismo".
Em resposta, o candidato desafiou Trump a focar-se em propostas políticas concretas, em vez de ataques pessoais. "Ele sabe perfeitamente que o meu nome é Abdul. Pensa que pode usar o meu nome e a minha fé para nos distrair do sofrimento que as suas políticas infligem no preço dos combustíveis, nos supermercados e nas consultas médicas."
O El País perguntou-lhe se a vitória nestas eleições teria um significado especial para os muçulmanos nos Estados Unidos. "Todas as comunidades querem ser representadas e acredito que é importante que os nossos líderes reflitam sobre a realidade da nossa nação. É por isso que, independentemente de quem sejas, espero que estas eleições lembrem que todos fazem parte desta comunidade. Quer ores como eu ou não, independentemente de quem ames ou de como te identifiques com a cor da tua pele. Estamos a demonstrar a grandeza deste país e o quanto ele significa para todos nós."
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