Pressão nas urgências leva a demissões
Sociedade
Pressão nas urgências leva a demissões
Diretor do serviço de São José sai por escassez de camas e de recursos humanos. Hospitais do SNS continuam a atender diariamente milhares de utentes.
19 de agosto de 2026 às 01:30
A falta de condições na urgência do hospital de São José, em Lisboa, com doentes a aguardar várias horas à espera de vaga no internamento, levou o diretor do serviço, Luís Bento, a apresentar a demissão do cargo. Entre 1 e 16 de agosto a urgência geral da ULS Lisboa Central registou mais de 6500 episódios - mais 500 que no mesmo período de 2025 - e durante uma semana houve diariamente mais de 400 admissões na urgência de São José. Luís Bento considera que a situação é insustentável: "o que existe não é humano nem digno", disse, citado pelo Expresso. A escassez de camas e de recursos humanos para garantir o internamento são os principais problemas, o que obriga dos doentes a ficarem retidos nas urgências. Às 17h00 desta terça-feira, a urgência de São José tinha em observação quase 100 doentes, com média de permanência no serviço superior a 12 horas para os casos muito urgentes, e de quase 10 horas para os casos urgentes. Outro pedido de demissão na ULS Lisboa Central é o da responsável do serviço de Medicina Interna: Catarina Pereira alega a falta de médicos e enfermeiros como as principais dificuldades no serviço.
Nas últimas semanas tem aumentado a pressão nas urgências do SNS, nomeadamente nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Algarve. Às 17h00 dsta terça-feira aguardavam 1ª observação médica após triagem 1325 utentes, dos quais 81 no hospital Garcia de Orta (Almada), 74 no hospital de Faro e 72 no de Braga. Os tempos de espera eram mais elevados nos hospitais de Faro (5h42m para pulseira verde) e de Leiria (5h33m para pulseira amarela). Aos que aguardavam após a triagem juntam-se os milhares que estavam em observação nos vários hospitais, com os Hospitais da Universidade de Coimbra a registar 149 doentes, o de Santa Maria, em Lisboa, com 125, e o de Leiria com 114.
Enfermeiros defendem modelo do INEM
A Ordem dos Enfermeiros rejeitou, esta terça-feira, que o novo modelo definido para o INEM retire meios ao sistema, considerando que permite "levar cuidados diferenciados mais depressa a quem está em risco de vida". "É o modelo que mais protege as pessoas", disse o bastonário, Luís Filipe Barreira.
Indefinição trava estratégias
A indefinição prolongada sobre a liderança das Unidades Locais de Saúde pode prejudicar a gestão estratégica das instituições, a continuidade dos projetos e a capacidade de planeamento, alertou Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.
Surto de gastroenterite no Faial
Centenas de pessoas têm ido às urgências do hospital da Horta, na ilha do Faial, Açores, com sintomas de gastroenterite. O delegado de Saúde do Faial, Armando Faria, afirmou que aguarda os resultados das análises laboratoriais para saber qual o agente causador do surto.
Medicamentos gratuitos com novas regras
O Governo definiu novas regras para os medicamentos gratuitos sujeitos a prescrição médica para os beneficiários do Complemento Solidário para Idosos, para promover o uso de genéricos e limitar o valor pelo preço de referência. Os medicamentos comparticipados integrados num grupo homogéneo terão um máximo de comparticipação correspondente a 100% sobre o preço de referência, sobre o preço de venda (se for inferior ao de referência) e, nos casos de receitas sem genéricos, o máximo a comparticipar será calculado a partir do preço de venda dos genéricos. A comparticipação dos medicamentos para os beneficiários do CSI era de 50% até 2024, tendo o atual Governo alargado para 100%. Este ano mais de 220 mil idosos beneficiaram de remédios gratuitos. As novas regras entram em vigor daqui a dois meses.
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