Pureza critica "lengalenga" do Governo face a "tantos alunos sem professores"
Política
Coordenador bloquista diz que milhares de horários por preencher criam "dimensão de turbulência, de algum caos, na vida das pessoas", sem que o Governo ao problema de base que "é o custo de vida".
12 de setembro de 2026 às 19:00
O coordenador do Bloco de Esquerda criticou este sábado o Ministério da Educação por vender "a sua lengalenga" todos os anos, mas sem resolver o problema de fundo que deixa alunos sem aulas a todas as disciplinas.
"O ano letivo começa com tantos alunos sem professores, pelo menos às disciplinas todas. Todos os anos é isto e todos os anos o ministro da Educação vende a sua lengalenga de que se vai fazer uma melhoria técnica de colocação automática de professores quando a questão é de fundo", disse José Manuel Pureza, que falava à agência Lusa à margem da inauguração da nova sede distrital do Bloco de Esquerda em Coimbra.
Para o coordenador bloquista, os milhares de horários por preencher criam uma "dimensão de turbulência, de algum caos, na vida das pessoas", sem que o Governo responda àquilo que considera ser o problema de base, que "é o custo de vida".
"Não há professores, sobretudo em Lisboa, Setúbal e Vale do Tejo, porque as casas são caras e o salário de um professor não comporta isso", notou.
Apesar disso, José Manuel Pureza reconheceu que o problema não é de resolução simples e "não há passos de mágica", mas defendeu uma mudança das condições de atração e de exercício da profissão de docente.
"Os professores e as professoras foram duramente castigados por sucessivos governos. A sua função foi muito desqualificada, não só do ponto de vista salarial, do ponto de vista das carreiras, do ponto de vista do reconhecimento social e, portanto, há uma transformação muito evidente a ser feita", disse.
O coordenador do Bloco constatou que o Governo tem dado "nenhum sinal" de valorização material da profissão de docente, sendo também necessário resolver questões de contexto, nomeadamente "o caos na habitação", que torna mais difícil atrair professores para zonas de preços difíceis de suportar.
Durante a inauguração da sede do Bloco de Esquerda em Coimbra, está prevista uma conversa em que Pureza participa, intitulada "A luta pela esperança contra a política do caos".
Para o coordenador bloquista, o caos não está apenas no arranque do ano letivo ou na habitação, mas também está "prometido para a Segurança Social", com o lançamento da "perceção de insustentabilidade" ou na saúde onde se veem "filas de espera intermináveis, urgências fechadas e falta de médicos".
Essa estratégia, afirmou, é "alimentada pelo próprio Governo para legitimar respostas que têm a ver sobretudo com a desqualificação dos serviços públicos e a sua progressiva passagem, sobretudo nas áreas de negócio mais chorudas, para atores privados".
Esta sexta-feira as escolas começaram a receber alunos para mais um ano letivo que será marcado pela proibição dos 'smartphones' até ao 9.º ano e pela já anunciada falta de professores, em especial na zona de Lisboa.
Apesar de haver ainda cerca de 2.700 horários por preencher, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou que este ano letivo haverá "muito menos alunos sem aulas".
Uma das medidas para minimizar o problema e que arranca este ano letivo é a possibilidade de as escolas chamarem diariamente professores para substituir docentes em falta, mecanismo que arranca a 18 de setembro.
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