Sánchez abre "período de reflexão" sem descartar eleições
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, abriu "um período de análise e reflexão" e debaterá nos próximos dias com o seu núcleo duro a possibilidade de convocar eleições, disseram esta sexta-feira fontes do Governo.
Primeiro-ministro espanhol vai debater com o partido sobre possíveis eleições antecipadas Europa Press via AP
Segundo essas fontes, citadas por diversos meios de comunicação social, Sánchez avalia a possibilidade de adiantar as eleições legislativas nacionais previstas para o primeiro semestre de 2027 depois de hoje o parlamento espanhol ter rejeitado dois decretos do Governo com medidas para a habitação.
As mesmas fontes disseram, segundo a agência espanhola EFE, que há diversas opções em análise e não está descartada a marcação imediata de eleições, mas que neste momento não é esse o cenário.
Ao jornal El Pais, as fontes do Governo garantiram que "todas as opções estão em aberto".
"O presidente [do governo] debaterá a possibilidade de uma antecipação eleitoral com o seu núcleo duro nos próximos dias" e "Pedro Sánchez decidirá este fim de semana se convoca eleições", escreveram o jornal La Vanguardia e a televisão pública RTVE, nas respetivas páginas na Internet.
O parlamento espanhol rejeitou esta sexta-feira as medidas extraordinárias e temporárias para a habitação com que o Governo de Pedro Sánchez avançou de forma urgente face a protestos de milhares de pessoas na última semana.
Votaram contra 178 deputados, todos os do Partido Popular (PP, direita), Vox (extrema-direita), Juntos pela Catalunha (JxCat, independentistas conservadores) e União pelo Povo Navarro (UPN, direita).
As medidas tiveram o apoio de 172 deputados - todos os partidos de esquerda e do Partido Nacionalista Basco (PNV, conservador).
No fecho do debate que decorreu hoje no parlamento, o primeiro-ministro disse aos partidos que votaram contra que "a história os julgará antes daquilo que pensam e com mais contundência do que imaginam".
O primeiro-ministro pediu aos deputados para serem "valentes e coerentes" e sublinhou que as medidas que estavam nos decretos tinham saído de negociações e diálogo de meses com outros grupos parlamentares.
O PP e o Vox sempre disseram que votariam contra estas medidas, por considerarem que foram decretos feitos à pressa e que estavam mal elaborados, que criavam insegurança jurídica e que teriam o efeito oposto ao pretendido, levando à retirada de casas para arrendar do mercado e a dificultar ainda mais o acesso à habitação a pessoas vulneráveis.
Já o JxCat assumiu as negociações com o Governo destas medidas e um dos decretos chegou a ser dado como praticamente ratificado pelos meios de comunicação e pelo Governo. Até que na quinta-feira à noite, o partido liderado pelo ex-presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, divulgou num comunicado que só daria o seu aval se houvesse mudanças na redação.
No debate de hoje, o partido justificou que o decreto, tal como estava redigido, não travaria os despejos nem evitaria a compra de casas por fundos de investimento e prejudicaria os pequenos proprietários.
O parlamento rejeitou também, como já estava anunciado desde quinta-feira, um segundo decreto aprovado pelo Governo esta semana que estabelecia que os contratos de arrendamento em Espanha passavam a ser por tempo indefinido, com renovações automáticas se o inquilino estivesse a cumprir com os pagamentos e se o proprietário não precisasse da casa para viver ou para os filhos.
Ao longo da manhã, dirigentes do Partido Socialista Espanhol (PSOE) e ministros citados por meios de comunicação social (sem serem identificados com nomes) defenderam eleições ou admitiram a possibilidade de Sánchez convocar legislativas antecipadas se hoje não fossem aprovadas estas medidas para a habitação.
Durante o debate e no final, Sánchez ouviu também vários apelos à convocatória imediata de eleições por parte da oposição.
O líder da oposição e do PP, Alberto Núñez Feijóo, disse que não se pode governar aprovando decretos para responder a protestos nas ruas, acusou Sánchez de usar a habitação para "manobras eleitorais", e considerou que "a única saída decente e democráticas é convocar eleições".
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