"Cenas inaceitáveis sob todos os pontos de vista": Macron exige respostas às reivindicações dos estudantes e condena violência nos protestos

🗓️ 2026-10-14 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

As manifestações de terça-feira reuniram entre 161.500 pessoas, segundo o Ministério do Interior, e 480 mil, de acordo com os sindicatos estudantis

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu esta quarta-feira ao Governo que apresente, nas próximas semanas, respostas "concretas" às reivindicações "legítimas" dos estudantes, cujos protestos têm provocado bloqueios em estabelecimentos de ensino. Macron condenou ainda o facto de estas manifestações serem "exploradas politicamente e transformadas em violência urbana".

Macron "pediu ao Governo que apresente respostas concretas e claras, que trabalhe nelas e as dê a conhecer nas próximas semanas", afirmou a porta-voz do Executivo, Maud Bregeon, numa conferência de imprensa após o Conselho de Ministros.

A também ministra da Energia afirmou que Macron alertou para a instrumentalização política das preocupações dos jovens, numa alusão ao partido de esquerda França Insubmissa.

"O Presidente da República insistiu em que os jovens expressam legitimamente as suas preocupações e em que estas estão a ser exploradas politicamente e transformadas em violência urbana, com cenas inaceitáveis sob todos os pontos de vista, incluindo as registadas ontem nos vários locais de concentração", declarou Bregeon.

As manifestações de terça-feira reuniram entre 161.500 pessoas, segundo o Ministério do Interior, e 480 mil, de acordo com os sindicatos estudantis, que exigem um investimento adicional de 10 mil milhões de euros no setor da educação, no âmbito do Orçamento do Estado para 2027.

A porta-voz do Governo destacou também a necessidade, assinalada pelo Presidente francês, de proteger os professores e condenar os ataques contra as forças de segurança e os profissionais da educação.

"É necessário distinguir, por um lado, as reivindicações legítimas e, por outro, os atos de violência inadmissíveis, que são alvo de instrumentalização e se transformam em violência urbana, com confrontos com as forças de segurança e ataques a profissionais da Educação Nacional. Isto tem de ser condenado por todos, sem exceção", insistiu a porta-voz do Executivo.

Entre as prioridades apontadas pelo Presidente francês estão a melhoria das instalações escolares, a revisão dos horários e o reforço da orientação académica. Segundo Macron, o Governo deverá também prosseguir os esforços para assegurar a substituição dos professores ausentes.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, prevê colocar três mil professores em funções de substituição nos próximos dias, dos quais dois mil já foram integrados, de acordo com os dados apresentados durante o Conselho de Ministros.

Relativamente ao acesso ao ensino superior, Bregeon afirmou que a plataforma de candidaturas Parcoursup, alvo de críticas, não deve tornar-se um símbolo intocável. Ainda assim, reconheceu que é necessário continuar a melhorar a orientação dos estudantes no acesso à universidade.

Cerca de 200 escolas secundárias francesas continuavam bloqueadas esta quarta-feira, a três dias do início das férias de outono. Os sindicatos estudantis apelam à continuação dos protestos contra a falta de recursos na educação e à participação, no próximo sábado, noutras manifestações convocadas contra o custo de vida.

Geffray afirmou hoje, numa entrevista à estação televisiva BFMTV, que cerca de 4% dos 3.700 estabelecimentos de ensino secundário do país permaneciam encerrados. O Governo espera que as férias escolares, que começam no sábado e se prolongam até ao início de novembro, contribuam para reduzir a mobilização.