Maior centro de detenção de imigrantes do ICE na Califórnia proíbe "visitas com contacto", incluindo abraços

🗓️ 2026-09-04 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Centro de Detenção de Imigrantes de California City, a maior instalação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) da Califórnia, suspendeu as “visitas com contacto” para todos os detidos desde a abertura do complexo pela administração Trump, há cerca de um ano.

O centro de detenção do ICE, gerido pela empresa privada CoreCivic, alberga cerca de 1600 imigrantes e situa-se numa região a norte de Los Angeles. Nenhum dos detidos, segundo The Guardian, pode sentar-se ou abraçar os familiares que se deslocam para os visitar. Em vez disso, as famílias falam por telefone com os seus familiares, que aguardam numa sala adjacente, separados por painéis de vidro.

“Quero abraçar o meu filho, quero tocar-lhe, quero assegurar-lhe que tudo vai ficar bem, mas não posso”, disse Teresa Reyes, uma mulher de 63 anos, que conduziu 480 quilómetros para ver o seu filho, detido no centro, no seu 32º aniversário, em declarações ao jornal britânico. “Quando o vejo, tenho de conter as lágrimas. Tenho de fingir ser forte, porque não quero que ele pense que estou a sofrer”.

Dos 10 maiores centros de detenção do ICE, quatro proíbem totalmente as visitas com contacto físico. Para além do Centro de Detenção de California City, também se incluem o Centro de Detenção de Stewart, na Geórgia, o Centro de Processamento do Sul do Texas, em Pearsall, e o Centro de Processamento de Montgomery, em Conroe, no Texas.

Os detidos estão a pressionar as autoridades para que a medida seja alterada, defendendo que o contacto físico com familiares poderia ajudar a atenuar o isolamento provocado pela detenção. Entre eles está Allen Tayson, de 37 anos, que está detido desde fevereiro em California City e não vê a família presencialmente desde então. A mulher, cidadã norte-americana, está grávida de sete meses.

“Sentimo-nos isolados aqui dentro”, disse Tayson, cidadão filipino que se mudou para os Estados Unidos ainda em criança, em entrevista ao The Guardian. “Tudo parece ter como objetivo derrubar-me, desanimar-me e fazer-me perder a esperança. Se pudesse abraçar a minha mulher e os meus filhos, seria como uma breve fuga, tirando-me desta situação. Valorizaria cada segundo”.

A ausência de qualquer contacto físico durante as visitas é considerada uma medida particularmente rígida, sobretudo num contexto em que os detidos podem passar longos períodos nestas instalações enquanto aguardam a resolução dos seus processos de imigração.

Após uma auditoria, o Departamento de Justiça da Califórnia afirmou que a proibição de visitas com contacto físico parecia violar uma política da CoreCivic, que estipulava que deveria haver oportunidades para contacto físico e que essas visitas só deveriam ser restringidas em casos de “riscos à segurança”.

“A liderança das instalações, em conjunto com os nossos parceiros governamentais, determinou que as visitas sem contacto são a abordagem mais apropriada dadas as considerações de segurança“, afirmou o porta-voz da empresa que gere o centro de detenção, Ryan Gustin.

Gustin acrescentou que a CoreCivic “reconhece a importância de manter ligações familiares e comunitárias para os indivíduos sob os nossos cuidados”. No entanto, disse que, ao abrigo dos “padrões de detenção aplicáveis”, as instalações individuais têm autoridade para definir políticas de visitação com base em “fatores que incluem a conceção das instalações, requisitos operacionais, considerações de pessoal e protocolos de segurança”.

A política tem sido alvo de críticas por parte de familiares, advogados e organizações de defesa dos direitos dos imigrantes, que consideram que o contacto físico durante as visitas é essencial para o bem-estar emocional dos detidos e para a manutenção dos laços familiares.

Segundo os críticos, estas regras fazem parte de uma política mais abrangente da administração Trump, que tem resultado num aumento do número de pessoas detidas em instalações sobrelotadas e sujeitas a condições semelhantes às de uma prisão. As restrições ao contacto com familiares podem, por sua vez, aumentar a pressão sobre os detidos para aceitarem a deportação e suscitam preocupações crescentes em matéria de direitos humanos.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]