CEO da Shell Brasil vai liderar empresa em Abu Dhabi. A meta: investir US$ 100 bi
Cristiano Pinto da Costa está deixando a posição de CEO da Shell no Brasil para assumir um cargo de liderança na XRG, uma empresa que foi criada há dois anos em Abu Dhabi com a ambição de se tornar uma das maiores companhias de gás natural liquefeito (GNL) e petroquímica do mundo.

O executivo – que comandava a Shell no Brasil desde 2021 e trabalhou no grupo anglo-holandês por 28 anos – será o senior international director da XRG, reportando-se ao CEO e chairman, Sultan Al Jaber.
Ele assume a nova posição no dia 1º de agosto.
Controlada pela Adnoc, uma das maiores petroleiras do mundo, a XRG tem mais de US$ 100 bilhões para investir globalmente no mercado de GNL e petroquímica – buscando oportunidades fora do Oriente Médio, principalmente nas Américas (incluindo o Brasil), na Austrália e na Ásia Pacífico.
O mandato de Cristiano para os próximos quatro anos será encontrar esses ativos, com a meta de transformar a empresa na terceira maior petroquímica do mundo até 2030 e na quinta maior empresa de GNL, se aproximando de gigantes como Shell, Total Energy e Qatar Energy, além da própria Adnoc.
Cristiano disse ao Brazil Journal que decidiu assumir o cargo na XRG porque tinha vontade de fazer algo diferente em sua carreira “enquanto ainda tenho energia.”
“Eu fiz 51 anos agora e tenho mais uns 10 de carreira executiva. Trabalhei quase a minha vida inteira na Shell e sempre tive curiosidade de ir para o mercado de private equity. Queria fazer algo diferente, experimentar alguma coisa nova,” disse ele.
A XRG já tem alguns ativos no setor de petroquímica, e comprou recentemente participações em um terminal de GNL no Texas e em blocos de exploração e produção de gás nas reservas de Vaca Muerta, na Argentina.
Segundo Cristiano, a ideia é investir em toda a cadeia integrada de gás, construindo um negócio 100% verticalizado com atuação no upstream, em plantas de liquefação, tradings, terminais de regaseificação e no mercado consumidor, por meio de termelétricas e distribuidoras de gás.
A criação da XRG foi motivada pela busca dos Emirados Árabes por diversificação geográfica, para mitigar os riscos de depender apenas de um mercado, e pela crescente relevância do GNL, que deve dobrar de tamanho até 2050.
“O gás é visto como um combustível da transição energética, então vários mercados estão saindo do carvão e migrando para ele,” disse Cristiano. “Com o desenvolvimento dos renováveis o gás também tem sido visto como fundamental para balancear a intermitência da geração solar e eólica. Além disso, com a explosão de AI e dos data centers, o mundo está demandando cada vez mais energia.”
Inicialmente, o mandato de Cristiano será construir o portfólio de ativos da XRG – com a aquisição de empresas já estabelecidas ou participação em leilões e concessões. Depois de quatro anos, seu contrato pode ser estendido para ele assumir o comando do negócio que construiu.
A escolha de Cristiano teve a ver com sua experiência na Shell em diferentes países e mercados, com foco no GNL.
Antes de se tornar o CEO da Shell no Brasil, ele trabalhou por mais de 15 anos em Londres: foi business development management para o setor de gás na América Latina, business adviser para um membro do comitê executivo global da companhia (que na época era o CEO da divisão de GNL), e trader de GNL.
Em 2008, assumiu uma posição global, liderando a reestruturação de todo o negócio de base oils e lubrificantes. Na época, a Shell estava com muita capacidade ociosa em algumas fábricas, ao mesmo tempo em que o crescimento de demanda estava todo vindo do mercado asiático. “O que eu fiz foi vender muitas fábricas nossas ao redor do mundo e construir novas na China, Rússia, Indonésia e Singapura,” disse ele.
Em 2013, Cristiano se mudou para Houston, nos Estados Unidos, para assumir o cargo de vp de GNL para as Américas, onde ficou por dois anos, antes de assumir um papel no time de desinvestimentos da Shell num momento em que a companhia redesenhava seu portfólio após ter feito a maior aquisição de sua história, comprando a British Gas.
No Brasil, ele começou liderando a diretoria responsável pelo pré-sal antes de assumir o comando do País em 2021.
Pedro Arbex