Certificados de Aforro ou Depósitos a Prazo?

🗓️ 2026-07-17 📁 sports 📝 ⏱️ 👁️ : -

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Já está conosco Pedro Lino. Hoje é sexta-feira. Pedro, nós já falamos aqui da quantidade de poupanças que estão em produtos como os depósitos bancários, por exemplo, ou certificados de aforro, mas isso costuma ser, para muita gente, a porta de entrada para colocar algumas poupanças. Coloca-se esta questão, então: certificados de aforro ou depósitos a prazo? Qual é a melhor opção para as poupanças de cada um?

Bom dia, Paulo. Bom dia a todos os nossos ouvintes. Os depósitos a prazo e os certificados de aforro são os produtos elegidos pelos portugueses para investimento. O que têm em comum? Há várias características que aproximam esses dois produtos. Ambos tentam oferecer proteção de capital. No caso dos depósitos, há uma proteção até € 100 mil.

Por titular de conta.

Por titular de conta, pelo sistema de garantia de depósitos. O risco é muito reduzido e é simples. Eu quero fazer um depósito a prazo, é de simples compreensão e um certificado de aforro também. Por isso, são basicamente produtos que são utilizados principalmente para quem pode precisar de dinheiro num curto prazo. E também já falamos aqui no podcast do fundo de emergência, que estes produtos podem ser e devem ser utilizados, no caso do fundo de emergência, despesas que vamos precisar para os próximos meses, reserva, por exemplo, para obras ou para quem quer sempre manter alguma liquidez. Por isso, esses produtos devem ser utilizados não no sentido de maximizar a rentabilidade, mas sim preservar o capital e manter a flexibilidade de eu poder desmobilizar o dinheiro a qualquer momento.

Certo, fica ali disponível para alguma eventualidade. Vamos aqui aos depósitos a prazo, começar a olhar para isto. Primeiro, que características é que destacarias?

Vamos embora. O depósito a prazo é muito simples. O banco diz: "Durante este prazo, pagamos esta taxa de juro. Tenho € 10 mil, durante um ano, dou-lhe, por exemplo, 1,5%". É simples. Eu, desde o primeiro dia, sei quanto é que vou receber, quando é que termina o depósito e qual é que vai ser a remuneração bruta e depois líquida.

Há o imposto, 28% de taxa liberatória, que fica logo retido ali à cabeça.

Às vezes os depósitos são promovidos com uma taxa de juro de 1,5 ou dois, que também não é nada especial, mas o valor líquido é muito menos.

Mais de um quarto disso vai logo para o Estado.

Mais de um quarto vai à vida. Atenção que alguns depósitos penalizam ou impedem o levantamento antecipado quando são depósitos promocionais. Por isso, confirmar sempre, quando estou a subscrever um depósito, se é naquelas campanhas que se eu precisar do dinheiro ao fim de, imaginemos que é um depósito a um ano, se eu precisar do dinheiro ao fim de três meses, perco a totalidade dos juros acumulados até lá.

Claro, o que dificulta aquela questão de ter o dinheiro sempre disponível.

Sim.

Claro.

Ele até está disponível, perde-se os juros todos.

Não, perde os juros. Não se perde capital, mas perde-se o rendimento, como é evidente. Vamos agora olhar para os certificados de aforro, que é um produto de poupança do Estado. Isto é, quando subscrevemos um certificado de aforro, estamos a emprestar dinheiro ao Estado, não é?

Sim, no fundo, temos a garantia do Estado de pagar. Os certificados funcionam de uma forma ligeiramente diferente, que a remuneração não é conhecida à partida, ela está indexada a taxas de mercado. Ou seja, dependendo de cada série, está a euribor a três meses, que é variável, há um mínimo, mas também há um máximo. Mas estes produtos têm uma questão que pode ser interessante, que são os prêmios de permanência. Ao fim de X anos, eles vão dando mais 0,5%, e, por isso, a longo prazo, também pode ser mais interessante do que os depósitos a prazo. Outra vantagem também é a flexibilidade, porque depois de um período de três meses, normalmente é possível resgatar o dinheiro sem qualquer penalização sobre o capital investido. Por isso, é necessário ver quais são as séries, que por cada série às vezes tem suas características. Por isso, quando se fala em certificados de aforro, é preciso saber de que série é que estamos a falar.

Ora bem, nesta comparação, há algumas regras básicas. A primeira é não ficar a olhar apenas para a taxa de juro, não é?

Sim, muitas vezes as pessoas olham só pra taxa de juro, mas devemos ver é qual é a rentabilidade líquida, porque quer os depósitos a prazo, quer os certificados de aforro, estão sujeitos à taxa de retenção de 28%. Por isso, uma taxa que aparentemente pode ser elevada, pode se tornar menos atrativa. E depois, há outro fator que também temos vindo a falar, que é a inflação. Se o dinheiro rende 2% líquidos, por exemplo, mas a inflação é 3, o patrimônio está a perder poder de compra. Por isso, só faz sentido ter dinheiro nesses produtos se nós privilegiarmos a liquidez, se tivermos um investimento ou prevemos gastar este dinheiro no próximo ano ou dois anos, porque a mais longo prazo, não faz sentido, porque estes produtos continuam a render menos do que a inflação.

E tendo tantas poupanças em Portugal colocadas nesses produtos, há aqui um erro, pelo menos?

Sim, o maior erro não é a escolha entre certificados de aforro ou os depósitos a prazo, é achar que estes produtos chegam para tudo.

Que a poupança se esgota ali.

Se esgota ali. E nós vemos, são mais de 200 mil milhões nos depósitos à ordem, depósitos a prazo, são mais de 40 mil milhões nos certificados de aforro. Ou seja, eles são bons para fundos de emergência ou objetivos de curto prazo ou para uma componente mais conservadora. Mas quando olhamos para o longo prazo, como a reforma, educação dos filhos, construção de patrimônio, existem historicamente outros ativos que temos vindo a falar, como as obrigações, ações, fundos de investimentos, ETFs. Há uma série de outros produtos que apresentam muito maior potencial de valorização, embora com mais risco e mais volatilidade. Mas o que é importante é tentar fazer uma combinação de tudo e não ter tudo em depósitos a prazo e certificados, que é o que a maior parte dos portugueses têm. A liquidez deve ser para o curto prazo e investir longo prazo.

E para fechar, o que é que podemos dizer sobre isto?

Os certificados de aforro e os depósitos não são propriamente concorrentes. Eles nem se competem pelos investimentos de longo prazo. Cada um tem uma função. Ou seja, eles visam proteger a liquidez. E depois, os certificados de aforro até já ajudam a construir patrimônio a longo prazo, por causa dos prêmios de permanência. Mas sempre que tivermos de olhar para o longo prazo, há outros produtos com maior potencial de rentabilidade.

De valorização, claro.

Sim, por isso uma boa estratégia não é só escolher um produto, pôr tudo em depósitos a prazo, tudo em certificados de aforro, consiste em utilizar cada instrumento financeiro para o seu objetivo certo.

Muito bem, Pedro. Ficamos por aqui esta semana. Voltamos pra semana. Até lá.

Obrigado. Bom fim de semana a todos.