Chegou a receber até 12 multas por dia: o pesadelo de uma condutora a quem clonaram a matrícula
Receber uma multa de trânsito já pode ser motivo de preocupação para qualquer condutor, sobretudo quando existe a convicção de que a infração não foi cometida. Mas a situação torna-se muito mais complicada quando as notificações começam a chegar sucessivamente e o proprietário do veículo percebe que está a ser responsabilizado por infrações praticadas por outra pessoa.
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Foi o que aconteceu a uma mulher no Reino Unido, que recebeu mais de 120 multas num período de apenas seis meses depois de a matrícula do seu automóvel ter sido clonada. As sanções estavam relacionadas com diferentes infrações, desde a circulação em corredores reservados a autocarros até ao excesso de velocidade e a encargos não pagos em zonas de emissões reduzidas. Em alguns dias, chegaram a ser-lhe entregadas 12 multas de uma só vez.
As primeiras notificações começaram a surgir pouco depois de a mulher ter comprado um Saab a um particular. A condutora acredita que os responsáveis pela fraude poderão ter copiado a matrícula a partir das fotografias do anúncio publicado na internet. A matrícula terá sido posteriormente colocada noutro veículo, permitindo que o automóvel circulasse e cometesse infrações sem que os responsáveis fossem diretamente identificados.
Entre fevereiro e julho de 2024, a mulher começou a receber as primeiras multas. Algumas diziam respeito à circulação em corredores reservados a autocarros, enquanto outras estavam relacionadas com encargos não pagos numa Zona de Ar Limpo. Também recebeu notificações por excesso de velocidade.
Apesar de ter conseguido contestar as primeiras sanções, as cartas continuaram a chegar. A situação atingiu uma dimensão particularmente difícil quando, em determinados dias, encontrou até 12 multas na caixa do correio.
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Mais de 120 multas por infrações que não tinha cometido
No total, cerca de 80 das multas estavam relacionadas com acessos indevidos a uma zona reservada a autocarros e outras 40 correspondiam a encargos não pagos na Zona de Ar Limpo. A estas juntaram-se ainda duas multas por excesso de velocidade e outra relacionada com a saída indevida de um passageiro num aeroporto.
A quantidade de notificações obrigou a mulher a dedicar uma parte significativa do seu tempo à contestação das sanções. “Recebia imensas, até 12 por dia. Cheguei mesmo a ter de explicar ao carteiro o que estava a acontecer. Cada multa exigia uma resposta para contestar e cancelar o pagamento. Tornou-se outro trabalho”, contou.
Para provar que não era responsável pelas infrações, teve de analisar as imagens captadas pelas câmaras e que acompanhavam as notificações. As fotografias permitiram-lhe verificar que o veículo registado pelas câmaras era de um modelo diferente daquele que tinha comprado.
Mesmo assim, a simples diferença entre os veículos nem sempre foi suficiente para resolver imediatamente cada processo. Em numerosas ocasiões, a condutora teve de apresentar documentação adicional para conseguir que as multas fossem anuladas.
A sucessão de notificações acabou também por criar receio relativamente às consequências financeiras. Como as multas continuavam a chegar e cada uma exigia uma nova contestação, a mulher chegou a temer que algum dos recursos fosse recusado e que acabasse obrigada a pagar valores elevados.
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“Num determinado momento pensei: ‘Espera, se não tiver sucesso nestes recursos, posso ter de pagar milhares de libras’”, afirmou.
Cartas das multas começaram a afetar emocionalmente a condutora
O problema não ficou limitado à questão financeira ou ao tempo necessário para contestar cada sanção. A mulher reconhece que a chegada constante de novas cartas acabou por afetá-la emocionalmente.
“Era angustiante. Chegava a casa e encontrava mais algumas na caixa do correio. Sabes, todas têm aquele tom ameaçador sobre o que acontece se não pagares”, explicou.
A situação prolongou-se durante meses, obrigando-a a responder sucessivamente às notificações e a reunir provas para demonstrar que não era o veículo que aparecia nas imagens. O facto de algumas notificações chegarem em grande quantidade no mesmo dia aumentava ainda mais a pressão sobre a condutora.
A clonagem da matrícula fez, assim, com que uma série de infrações cometidas por outro veículo fossem inicialmente associadas ao seu automóvel. Para a mulher, o problema não terminou quando conseguiu contestar as primeiras multas, uma vez que continuou a receber novas notificações e a ter de demonstrar repetidamente que não era responsável pelos comportamentos registados.
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Mudou a matrícula por cerca de 291 euros para acabar com o problema
Depois de vários meses a contestar multas, a mulher decidiu que a única forma de pôr fim à situação seria alterar a matrícula do seu automóvel. O procedimento teve um custo de cerca de 291 euros, mas permitiu finalmente encerrar o problema das notificações associadas à matrícula que tinha sido clonada.
A solução representou, no entanto, um novo custo para a vítima de uma fraude que não tinha cometido. Durante meses, a condutora teve de lidar com multas, recursos, documentação, imagens de câmaras e o receio de ser obrigada a pagar milhares de libras por infrações praticadas por outro veículo.
Depois da experiência, a mulher defende que os municípios e as forças policiais devem melhorar a cooperação para proteger as vítimas de clonagem de matrículas. Considera também que deveria existir uma utilização mais ampla das câmaras de reconhecimento automático de matrículas para ajudar a identificar veículos que circulam com placas clonadas.
O caso mostra como a clonagem de uma matrícula pode transformar-se num problema prolongado para o proprietário legítimo do veículo. Neste caso, foram mais de 120 multas em apenas seis meses, algumas recebidas em grupos de 12 no mesmo dia, até que a mudança da matrícula, com um custo de cerca de 291 euros, acabou por ser a solução encontrada pela condutora para pôr fim à sucessão de notificações.