CXMT estreia-se em bolsa com subida de 472% na segunda maior IPO da história da China

🗓️ 2026-07-27 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

O maior fabricante chinês de ‘chips’ de memória, a Changxin Memory Technologies (CXMT), abriu esta segunda-feira com uma subida de 471,59% na estreia na bolsa de Xangai, na segunda maior oferta pública inicial (IPO) da história da China continental.

A empresa tecnológica colocou à venda 6.688 milhões de ações, com um valor máximo equivalente a mais de 8.590 milhões de euros, a um preço unitário de 8,66 yuan (1,12 euros), valor que se multiplicou quase por seis, atingindo os 49,5 yuan (6,41 euros) no início do pregão na cidade considerada a capital económica do gigante asiático.

A CXMT reservou-se a opção de aumentar a oferta para 7.691 milhões de ações, o que elevaria a receita total da operação para 66.607 milhões de yuan (8.623 milhões de euros).

Este último valor representa a segunda maior IPO na história dos mercados da China continental, ficando apenas atrás da do banco estatal Banco Agrícola da China (ABC) em 2010, avaliada em 8.765 milhões de euros.

Além disso, será a maior na Ásia desde 2022, quando a LG Energy Solution angariou cerca de 9.466 milhões de euros em Seul.

A receita esperada pelo fabricante de ‘chips’ ultrapassa largamente os 29.500 milhões de yuan (3.819 milhões de euros) que tinha inicialmente destinado a projetos de investimento no seu prospeto para investidores.

A CXMT planeia destinar os fundos angariados à aceleração dos programas de investigação e desenvolvimento (I&D) e à ampliação da capacidade de produção, com algumas estimativas a apontar para que possa chegar a duplicar a produção ainda este ano.

Cerca de 10% das ações oferecidas destinam-se a investidores de retalho, sendo que metade da operação se destina a parceiros estratégicos, entre os quais entidades estatais e nomes importantes do setor tecnológico chinês, como o gigante digital Alibaba ou o fabricante de veículos elétricos Nio.

A CXMT foi fundada em Hefei (leste da China) em 2016 por Zhu Yiming, que já tinha estado por detrás da criação da empresa de design de ‘chips’ GigaDevice onze anos antes e que pretendia produzir os seus próprios semicondutores, em vez de subcontratar essa produção, o que começou a fazer em 2019.

De acordo com a consultora especializada Omdia, a CXMT é o maior produtor de ‘chips’ de memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM, utilizados em inúmeros dispositivos como smartphones ou servidores para IA) da China e o quarto maior do mundo, com uma quota de mercado de 7,67% no último trimestre de 2025.

Face à dependência num setor dominado pelas sul-coreanas SK Hynix e Samsung ou pela norte-americana Micron, Pequim apostou na criação de um líder nacional no setor dos ‘chips’ DRAM, também com o objetivo de influenciar os preços globais, os equilíbrios de abastecimento e a própria influência geopolítica das referidas empresas, num momento de concorrência tecnológica com Washington.

Caso a operação se revele bem-sucedida, poderá incentivar rivais como a Yangtze Memory Technologies ou a filial de ‘chips’ do “Google chinês”, a Baidu, a procurarem também entrar na bolsa, o que permitiria prolongar uma série de estreias de destaque ao longo da cadeia de valor do setor emergente da inteligência artificial (IA).

Muitos analistas têm-se concentrado na estreia da CXMT, que ocorre num momento em que as autoridades chinesas tiveram de intervir publicamente para travar a tendência negativa recente dos mercados bolsistas nacionais, sobretudo entre os títulos tecnológicos, com o STAR Market de Xangai — equivalente local do Nasdaq — a registar uma queda de quase 25% apenas desde o início de julho.

Alguns especialistas consideraram que a dimensão da operação reacendeu os receios de uma crise de liquidez nos mercados — algo que os reguladores chineses descartaram — e de uma “sobrecarga” de títulos relacionados com a IA.