China recusa limitar vendas de híbridos na Europa

🗓️ 2026-09-21 📁 auto 📝 ⏱️ 👁️ : -

A China não mostra abertura para limitar a venda de híbridos chineses na Europa, como terá proposto a União Europeia.

A disputa comercial entre a União Europeia (UE) e a China no setor automóvel está a ganhar uma nova dimensão. Depois de Bruxelas ter imposto tarifas adicionais aos automóveis elétricos fabricados na China, são agora os híbridos que estão no centro das atenções.

Uma vez que as novas tarifas, aplicadas desde 2024, não abrangem os híbridos — que continuam sujeitos à tarifa de importação normal de 10% —, muitos construtores chineses têm reforçado a sua aposta nesta tecnologia e os resultados já se fazem notar. Até julho, os três híbridos plug-in mais vendidos na Europa eram chineses: BYD Seal U, BYD Atto 2 e Jaecoo 7 (fonte: Dataforce).

Face a este contexto, a UE terá pedido à China que limitasse voluntariamente as vendas de híbridos no mercado europeu. Segundo o Financial Times, a proposta passaria por limitar a presença dos fabricantes dos híbridos fabricados na China a cerca de 15% do mercado europeu.

Jaecoo 7, frente
© Jaecoo Até julho, o BYD Seal U matriculou 54 011 unidades (+54,9%), o BYD Atto 2 matriculou 37 728 unidades e o Jaecoo 7 matriculou 34 125 unidades (+173,2%).

Pequim, contudo, não parece estar disposta a aceitar a proposta. Questionado pela agência estatal russa RIA Novosti sobre o alegado pedido europeu, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, remeteu os detalhes para as autoridades competentes, mas defendeu uma solução através do diálogo.

Embora não tenha anunciado uma recusa formal, a resposta chinesa não indica qualquer disponibilidade para aceitar este limite. Jiakun sublinhou que as relações económicas e comerciais entre a China e a UE são “mutuamente benéficas” e não devem ser encaradas como uma competição em que um lado só pode ganhar à custa do outro.

China pede abertura e regras iguais

O porta-voz chinês defendeu que as divergências comerciais devem ser resolvidas através de consultas e diálogo em pé de igualdade.

“Esperamos que a UE honre os seus compromissos com a abertura de mercado e o comércio livre, observe as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e proporcione um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para as empresas de todos os países. Acompanharemos de perto as ações da UE e faremos o que for necessário para proteger os direitos e interesses legítimos e legais das nossas empresas”, concluiu o responsável.

mariana teles