CIA alerta Europa para possível ataque russo com drones

🗓️ 2026-09-24 📁 business-finance 📝 ⏱️ 👁️ : -

A CIA (Agência Central de Inteligência norte-americana) terá alertado vários governos europeus para um possível ataque com drones da Rússia contra Espanha, França ou Itália. Segundo o El Mundo, os serviços de informação dos Estados Unidos reuniram informações sobre uma escalada das ameaças híbridas do Kremlin.

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A operação poderá envolver drones russos lançados a partir de navios mercantes no Mediterrâneo. “Utilizarão drones lançados desde o mar, ocultos no contentor de um navio; não é nada difícil”, afirmou uma fonte próxima do Ministério da Defesa da Lituânia, sob condição de anonimato, citada pelo jornal espanhol.

O modelo de drone que poderá ser utilizado será o Gerbera, de fabrico russo. O aparelho tem cerca de 2,5 metros de comprimento, pode pesar até 18 quilos e terá uma autonomia de até 600 quilómetros. Um navio de mercadorias pode transportar vários aparelhos e é catapultado com muito menos dificuldade do que um drone Shahed, de acordo com uma análise do mesmo jornal.

O objetivo de uma eventual operação não seria necessariamente provocar destruição em larga escala, mas atingir infraestruturas ou provocar perturbações, como incêndios ou a interrupção temporária do funcionamento de portos e aeroportos, procurando obter um impacto político e económico.

Os três países terão sido informados sobre a possibilidade de uma operação contra um dos seus territórios. A escolha poderá estar relacionada com a capacidade de Moscovo atingir a retaguarda europeia sem recorrer a uma incursão terrestre e com o facto destes três países terem eleições em 2027, segundo o El Mundo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu na semana passada a elaboração de um plano de proteção das infraestruturas críticas face à intensificação dos ataques “híbridos” da Rússia e afirmou que a “natureza da agressividade russa” mudou, anunciando uma nova cimeira do G7.

A informação terá circulado entre governos europeus depois da visita do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscovo, em agosto. Ratcliffe encontrou-se então com responsáveis dos serviços de informação russos.

O cenário ainda não foi confirmado publicamente pela CIA nem pelos governos de Espanha, França ou Itália. A imprensa internacional que cita o El Mundo assinala também que os alegados planos russos não foram verificados de forma independente.

A possibilidade surge num contexto de crescente preocupação europeia com o uso de drones e outras ações híbridas atribuídas à Rússia, depois de vários incidentes registados no espaço aéreo de países da NATO. Na Lituânia, por exemplo, um drone russo Gerbera foi abatido no início deste mês por um caça italiano da NATO, tendo as autoridades considerado inicialmente que o aparelho poderia estar destinado à Ucrânia.

Dinamarca admite risco crescente de ataques russos a países da NATO

O serviço de informações militares (FE) da Dinamarca admitiu esta quinta-feira um risco crescente de ações militares limitadas da Rússia contra países da NATO e alertou para a intensificação de ataques híbridos nos próximos meses.

“Existe um risco baixo, mas crescente, de a Rússia realizar ataques militares limitados contra um país da NATO vizinho da Rússia”, declarou o chefe do FE, Thomas Ahrenkiel, numa conferência de imprensa em Copenhaga.

Continuamos a considerar improvável que a Rússia veja interesse em invadir um país da NATO, mas não o podemos excluir”, afirmou, citado pelas agências francesa AFP e espanhola EFE.

Na nova avaliação da ameaça russa, o FE considera que uma eventual ação militar russa contra a NATO, tal como a intensificação dos ataques híbridos, pretenderia desviar os europeus do empenho na Ucrânia.

Moscovo necessitaria de “pelo menos seis meses” para preparar e constituir as forças necessárias para uma eventual ação militar contra outro país vizinho, como fez contra a Ucrânia em fevereiro de 2022.

Para Ahrenkiel, se “a crescente disponibilidade da Rússia para assumir riscos tem consequências para a situação de segurança na Dinamarca”, nomeadamente com ataques híbridos, isso não significa necessariamente que a Rússia vá atacar o país nórdico.

“Não prevemos um ataque militar convencional russo contra a Dinamarca”, insistiu, segundo a AFP.

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