Cidadãos pedem ao tribunal que mantenha embargo às obras na Quinta dos Ingleses em Cascais
O julgamento de uma providência cautelar para travar a urbanização da Quinta dos Ingleses, no concelho de Cascais, teve início hoje no Tribunal de Sintra, com os requerentes a defenderem a manutenção do embargo das obras.
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Em causa está uma ação popular movida pelo movimento 66 pela Quinta contra o município de Cascais, no distrito de Lisboa, tendo como contrainteressados a empresa construtora Alves Ribeiro e o colégio privado St. Julian’s School.
A providência cautelar, entregue em outubro de 2025, determinou a paragem dos trabalhos, tendo o movimento promovido jantares para angariar fundos e outras iniciativas de esclarecimento, com “uma boa adesão”.
Na primeira sessão deste julgamento, que decorre no Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra, foram inquiridas três das cinco testemunhas arroladas pelo movimento 66, sendo que as restantes duas serão ouvidas na sexta-feira, disse à agência Lusa Ana Berhan, coautora da ação popular.
As testemunhas ouvidas hoje foram a especialista em Saúde Pública Marica Ferri, o biólogo Luís Fonseca e o ex-vereador comunista Clemente Alves.
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“Metade das alegações foi no sentido de que é importante que as obras se mantenham embargadas até serem apurados todos os aspetos que estão a ser escrutinados agora nesta ação judicial”, apontou Ana Berhan.
Os requerentes desta ação defendem que os 52 hectares da Quinta dos Ingleses sejam preservados como parque urbano e “extensão natural” da praia, contestando o projeto previsto para o local, que contempla 850 apartamentos, um centro comercial e um hotel.
“Nós consideramos uma loucura nesta altura, no século XXI, destruírem um bosque já existente, criando uma ilha de calor e lançando mais milhares de carros para a estrada Marginal, que já está sobrelotada”, argumentou Ana Berhan.
A Câmara de Cascais, contactada pela Lusa, reiterou que o presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes (PSD), “não antecipa reações a decisões judiciais” e que, quando o tribunal decidir, estará “disponível para comentar”.
A próxima sessão está agenda para sexta-feira, a partir das 09:30, prevendo-se a inquirição das restantes testemunhas do movimento 66 pela Quinta e da Câmara Municipal de Cascais.
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Estão também já agendadas sessões para os dias 25 e 28 de setembro.