Cientistas aprovam fim do ‘segundo bissexto’ e mudam marcação do tempo | G1
A decisão foi tomada durante a Conferência Geral de Pesos e Medidas, em Versalhes, na França, e antecipa em oito anos uma mudança que estava prevista inicialmente para 2035.
⏱️ENTENDA: O segundo bissexto é um ajuste usado desde os anos 1970 para manter o Tempo Universal Coordenado (UTC), baseado em relógios atômicos, próximo do tempo determinado pela rotação da Terra.
Isso é necessário porque os dois sistemas não avançam exatamente no mesmo ritmo. Os relógios atômicos são extremamente precisos, mas a velocidade de rotação do nosso planeta varia ligeiramente por causa de movimentos no núcleo, nos oceanos e na atmosfera, além da ação das marés.
Desde 1972, 27 segundos bissextos já foram acrescentados. Eles não aparecem em intervalos regulares: entram em cena quando a diferença entre o tempo atômico e o astronômico se aproxima de 0,9 segundo.
O problema é que incluir um segundo extra pode causar falhas em sistemas que dependem de sincronização precisa, como redes de telecomunicações, satélites, bolsas de valores, data centers e redes de energia.
LEIA TAMBÉM:

Agora no g1
A preocupação também aumentou nos últimos anos porque a rotação da Terra passou por períodos de aceleração.
Isso levantou a possibilidade de ser necessário, pela primeira vez, fazer o contrário do que sempre foi feito: retirar um segundo dos relógios, em vez de acrescentá-lo.
Esse cenário preocupa especialistas porque um “segundo negativo” nunca foi aplicado e poderia gerar efeitos imprevisíveis em sistemas digitais.
“Esta medida é necessária e oportuna diante dos importantes riscos que poderia representar, nos próximos anos, a introdução pela primeira vez de um segundo intercalar negativo”, afirmou Dolores del Campo Maldonado, do Centro Espanhol de Metrologia, em comentário divulgado pelo Science Media Centre Espanha.
LEIA TAMBÉM:
A partir de 20 de maio de 2027, o UTC poderá se afastar gradualmente do tempo marcado pela rotação da Terra sem que um segundo seja acrescentado ou retirado para corrigir essa diferença.
Pela nova regra, a diferença poderá crescer até chegar perto de uma hora. Isso deve levar séculos, segundo os especialistas.
Na prática, a mudança não será perceptível para quem olha o relógio no dia a dia. Os relógios atômicos continuarão funcionando normalmente, mas sem os pequenos ajustes feitos de tempos em tempos para acompanhar a rotação terrestre.
Astrônomos também continuarão acompanhando o movimento da Terra e poderão usar diretamente o tempo astronômico quando precisarem de medidas mais precisas da posição do planeta em relação aos astros.
Relógio analógico marca a passagem do tempo. — Foto: Pexels
LEIA TAMBÉM:

Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'