Claudio Castro é alvo de buscas em operação da PF - 14/08/2026 - Economia - Folha
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal pela segunda vez em operação que apura suspeitas relacionadas à refinaria Refit.
A ação é a segunda fase da Operação Sem Refino, e aponta suspeitas sobre a atuação da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Rio para que fossem concedidas licenças à atividade da Refit contrárias às diretrizes técnicas.
A autorização dos mandados é do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Em nota, a defesa de Castro diz que ele não tem qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit.
"A defesa ainda desconhece o conteúdo integral da denúncia e dos elementos que fundamentaram a operação e aguarda que os advogados tenham acesso aos autos para se manifestar de forma mais detalhada", diz a nota.
"Todos os atos praticados durante sua gestão seguiram critérios técnicos, jurídicos e administrativos previstos na legislação."
"A gestão Cláudio Castro foi, inclusive, a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos realizasse pagamentos de dívidas com o Estado do Rio de Janeiro, em montante próximo de R$ 1 bilhão", diz a defesa do ex-governador.
"Além disso, a Procuradoria-Geral do Estado ingressou com diversas ações contra a empresa ao longo da gestão, demonstrando que o estado atuou para cobrar os valores devidos e defender o interesse público."
A PF afirma que investiga suspeitas de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e também crimes contra a ordem econômica envolvendo a comercialização de combustíveis.
"A ação tem por objetivo apurar fraude na concessão de licenças ambientais para a refinaria, à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes, além de lavagem de capitais ligada ao esquema criminoso", diz o órgão.
Além de Castro, também são alvos da operação os ex-secretários Bernardo Rossi (Meio Ambiente), candidato a deputado federal pelo União Brasil, e José Mauro Júnior, ex-secretário de Transformação Digital. A reportagem tenta localizar suas defesas.
Também é alvo Antônio Carlos Santos, o Pipo, advogado aliado de Castro que foi assessor de Domingos Brazão —condenado por ser o mandante do assassinato de Marielle Franco— e é acusado de invadir terra pública em área de influência de milicianos na zona oeste da capital fluminense. Sua defesa também não foi localizada.
Folha Mercado
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Em maio, na primeira fase da operação, Moraes também ordenou busca contra Castro e determinou a prisão de Ricardo Magro, dono da Refit.
Como o empresário vive no exterior, o ministro determinou a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol. Atualmente, ele é considerado foragido.
À época, ele determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros, além da suspensão das atividades das empresas investigadas.