CNN Talks debate mobilidade e tecnologia no transporte coletivo | CNN Brasil
A eletrificação da frota de ônibus já é uma realidade em dezenas de cidades da América Latina, mas para o Brasil avançar nesse processo, especialistas apontam que é preciso ir além da tecnologia.
Esse é o tema central do CNN Talks: A Economia da Mobilidade, evento promovido pela CNN Brasil durante a quarta edição da Lat.Bus, a maior feira do setor de ônibus das Américas, realizada em São Paulo entre os dias 11 e 13 de agosto.
Representantes dos setores público e privado se reúnem nesta quarta-feira (12) para debater as oportunidades de um mercado com demanda crescente e os desafios para aumentar investimentos e reduzir custos diante de um cenário de pressão fiscal.
A mobilidade urbana ganhou destaque como fator essencial para facilitar o deslocamento de milhões de pessoas nas grandes cidades.
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Deterioração do setor e impacto social
Em entrevista à CNN Brasil, Pablo Freitas, CFO da Marcopolo, alerta para as consequências da falta de investimentos no transporte coletivo ao longo dos anos.
"O setor acabou passando por diversos anos sem os investimentos que seriam necessários à sua manutenção e à sua expansão", afirmou.
"Como consequência, o que a gente vem observando é uma deterioração da qualidade dos serviços, um envelhecimento de frotas, perda de passageiros, o aumento do transporte individual, e isso acaba trazendo um impacto social gigantesco. A gente vê o dia a dia, as cidades cada vez mais congestionadas", destaca o executivo.
Eletrificação avança na América Latina
Na América Latina, a eletrificação dos ônibus já soma mais de 10 mil veículos elétricos em operação em 80 cidades de 13 países. Santiago, no Chile, Bogotá, na Colômbia, e São Paulo estão entre as cidades que lideram esse movimento de renovação das frotas.
Para acelerar esse processo no Brasil, especialistas destacam que são necessárias políticas públicas e financiamento adequado. Os bancos de fomento têm papel essencial nesse contexto: somente o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já aprovou mais de R$ 4,5 bilhões em financiamentos para veículos elétricos.
Ambiente econômico e reformas como fatores determinantes
A transformação do setor depende também de um ambiente econômico favorável. Mudanças regulatórias, regras fiscais e os impactos da reforma tributária podem definir as condições para novos investimentos.
"A grande discussão é, por um lado, de eficiência, de como tornar o setor mais eficiente, visando reduzir custos, e, por outro lado, uma discussão sobre financiamento adequado do setor para dar segurança para as empresas que operam com o transporte público coletivo", afirma Bernard Appy, economista e painelista do evento.
Para os especialistas, o desafio vai além da redução de emissões. É preciso conciliar a transição energética com a competitividade do transporte rodoviário e tarifas economicamente sustentáveis.
Acesso ao crédito, investimentos e um ambiente macroeconômico favorável são apontados como determinantes para o Brasil avançar na mobilidade urbana e se consolidar como referência na transição energética do transporte coletivo.
"No final do dia, a gente sabe que existe uma correlação muito forte entre PIB e mobilidade. Trabalhando com mobilidade, a certeza é que as pessoas estão circulando, consumindo e gerando riquezas no nosso país", concluiu Freitas.
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