Com este William eles estão mesmo sempre um centímetro acima do limite (a crónica do FC Porto-Arouca)

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Era difícil o FC Porto ter tido um início de temporada mais à imagem da impressão digital que Francesco Farioli deixou na Primeira Liga ao longo da última época. Contando também com a Supertaça Cândido de Oliveira frente ao Torreense, os dragões somaram três vitórias, marcaram cinco golos e não sofreram nenhum, num domínio que nunca é avassalador, mas raramente consegue ser questionado. 

Este domingo, porém, o FC Porto defrontava um Arouca que também ainda só conheceu o sabor da vitória nas duas jornadas do Campeonato já disputadas. No final de uma semana (e de uma conferência de imprensa de antevisão) muito marcada pela saída de Rodrigo Mora para a Roma, algo que Francesco Farioli garantiu ter acontecido por questões financeiras e não por uma opção técnica clara, os dragões procuravam manter a baliza blindada, o pleno de triunfos e a ideia de que são claramente os favoritos a revalidar o título de campeões nacionais.

Ficha de jogo

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FC Porto-Arouca, 2-0

3.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga)

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Jan Bednarek (Nehuén Pérez, 88′), Kiwior, Zaidu, Pablo Rosario, Victor Froholdt, Gabri Veiga (Hwang In-beom (76′), Pepê, William Gomes (Borja Sainz, 76′), André Silva (Deniz Gül, 72′)

Suplentes não utilizados: João Costa, João Afonso, Stephen Eustáquio, Dominik Prpic, Alan Varela, Duarte Cunha, Tiago Andrade, Francisco Moura

Treinador: Francesco Farioli

Arouca: Arruabarrena, Tiago Esgaio (Mateo Flores, 88′), Javi Sánchez, José Fontán, Orest Lebedenko, Taichi Fukui, Espen Van Ee (Brian Mansilla, 72′), Lee Hyun-ju (Pablo Gozálbez, 62′), Naïs Djouahra, Alfonso Trezza (Pedro Santos, 72′), Iván Barbero (Dylan Nandín, 62′)

Suplentes não utilizados: Jakub Vinarcik, Martim Duarte, Diogo Monteiro, Boris Popovic, Fally Mayulu, Mario Climent, Park Si-hoo

Treinador: Vasco Seabra

Golos: Gabri Veiga (67′), Borja Sainz (86′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Hwang In-beom (82′)

“Gosto de observar o adversário com um conhecimento diferente do da época passada. No ano passado cada jogo era uma oportunidade para descobrir uma forma diferente de jogar. Agora já sabemos mais ou menos o que esperar, mas isso não muda o nível de consciência e análise que temos de ter, até porque as equipas começam a fazer coisas diferentes, a ajustar-se e a preparar-se melhor. Conhecendo os nossos jogadores e onde estão os seus limites, tentamos trabalhar um centímetro acima desses limites em tudo. Até agora a resposta tem sido muito positiva. No geral, os jogadores trabalharam muito bem nestes 60 dias, desde que começámos, e estamos com o mesmo desejo de melhorar a cada dia”, explicou o treinador italiano.

Assim, no Dragão e ainda sem Oskar Pietuszewski, Samu ou Martim Fernandes, Francesco Farioli já contava com os recuperados Alberto Costa, André Silva e Alan Varela, garantindo a titularidade do lateral-direito e do avançado, mas deixando ainda o argentino no banco e substituído por Pablo Rosario no meio-campo. Do outro lado, Vasco Seabra tinha Iván Barbero como referência ofensiva, apoiado por Alfonso Trezza e Naïs Djouahra nos corredores.

10m [ Porto 0-0 Arouca ]

???? Dragão entra por cima, com 3 disparos, 1 ocasião flagrante (criada por WIlliam Gomes) e 66% de posse#FCPFCA #FCPorto pic.twitter.com/fV6NQOMXBX

— GoalPoint (@_Goalpoint) August 23, 2026

Debaixo de chuva torrencial no Dragão, o jogo começou já depois de uma homenagem a Diogo Costa, que cumpriu a 250.ª aparição pelo FC Porto e é agora o quinto jogador mais utilizado na história do clube. Pepê protagonizou a primeira situação de perigo, ao aparecer na área a rematar cruzado para uma boa defesa de Arruabarrena (6′), e o Arouca viveu instantes iniciais de algum sobressalto face a uma entrada afirmativa e vertical dos dragões.

Ainda assim, e acrescentando-se apenas mais um remate de Pepê que passou por cima (14′), a equipa de Francesco Farioli não demorou a acalmar e permitiu também a tranquilidade ao adversário, com o conjunto de Vasco Seabra a encaixar defensivamente e a ocupar bem os caminhos rumo à baliza de Arruabarrena. Na verdade, os dragões só conseguiram voltar a criar perigo já perto da meia-hora, com Gabri Veiga a rematar rasteiro para uma defesa atenta do guarda-redes uruguaio (30′), enquanto que os arouquenses pareciam ter abdicado de atacar ou sequer explorar a transição rápida na profundidade.

34m [ Porto 0-0 Arouca ]

???? FCP chega aos 8 disparos mas apenas um saiu enquadrado. O Arouca ainda não tentou qualquer disparo#FCPFCA #FCPorto pic.twitter.com/6cMrls7Qfx

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Pouco depois, William Gomes beneficiou da melhor oportunidade de toda a primeira parte — mas também ofereceu a Arruabarrena aquela que será obrigatoriamente uma das melhores defesas da jornada. O brasileiro roubou a bola a José Fontán e ficou isolado na área, mas o remate foi travado por uma intervenção brutal do uruguaio (34′), que antes do fim da primeira parte ainda foi obrigado a segurar um cabeceamento de Victor Froholdt após cruzamento milimétrico de Gabri Veiga (45′).

Os arouquenses soltaram-se nos últimos minutos antes do intervalo, também porque os dragões espaçaram os setores e caíram em níveis de intensidade e concentração, e Iván Barbero ainda cabeceou para defesa de Diogo Costa após cruzamento na direita (43′). No fim da primeira parte, porém, FC Porto e Arouca estavam ainda empatados sem golos no Dragão — e ficava a ideia de que, apesar de inexpressiva e inconsequente no ataque, a equipa de Vasco Seabra estava a conseguir travar o conjunto de Francesco Farioli.

INTERVALO ⏱️
[ Porto 0-0 Arouca ]

???? Dragão carregou no 1º tempo mas com pouca pontaria (2 enquadrados em 11 tentados)

???? No entanto, os 2 enquadrados levaram perigo suficiente para fazer brilhar De Arruabarrena, que nesses dois lances evitou já um golo prometido (0.6 vs… pic.twitter.com/VQffwoAnOK

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Nenhum dos treinadores mexeu no início da segunda parte e o Arouca pareceu regressar dos balneários mais solto, com maior presença no meio-campo contrário e sem vontade de passar todo o tempo a defender como tinha feito durante o primeiro tempo. Lee Hyun-ju confirmou isso mesmo com um remate de fora de área que passou por cima (52′), já depois de Pepê também falhar o alvo (50′), e o jogo ia ficando com cada vez mais espaço e cada vez menos amarrado.

Espaço que, naturalmente, permitia que os dragões aparecessem com outra facilidade no último terço contrário. Alberto Costa marcou na sequência de um canto, com o golo a ser anulado imediatamente por falta sobre Arruabarrena (53′), Pepê atirou em cheio à trave de cabeça (57′), William Gomes rematou de fora de área para o guarda-redes defender (58′) e Kiwior, num lance em que o uruguaio ficou muito mal na fotografia, também acertou na baliza, mas o VAR considerou que André Silva estava em fora de jogo num momento anterior e voltou a invalidar um golo (59′). 

88m [ Porto 2-0 Arouca ]

???? Mesmo tendo já sofrido dois golos Ignacio De Arruabarrena segue com um golo evitado positivo, na diferença face às xSaves, tantas as vezes que evitou o golo certo do FCP#FCPFCA #FCPorto pic.twitter.com/TV5awnAKC0

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Vasco Seabra reagiu aos sustos consecutivos com duas substituições, lançando Dylan Nandín e Pablo Gozálbez, mas o que já parecia inevitável acabou mesmo por acontecer: num momento de contra-ataque, William Gomes acelerou na direita antes de abrir em Gabri Veiga no lado contrário, com o espanhol a atirar cruzado já na área para abrir o marcador (67′). Francesco Farioli mexeu pela primeira vez já dentro dos últimos 20 minutos, lançando Deniz Gül, Hwang In-beom e Borja Sainz, e os dragões iam gerindo já com menos intensidade e uma reação diferente à perda da bola.

Os arouquenses procuraram o empate, ainda que sem grandes oportunidades para lá chegar, e os dragões não tiveram grandes pruridos em recuar, juntar no próprio meio-campo e defender a frágil vantagem. Mas já perto do fim, aproveitando o regime caótico que entretanto se tinha implementado, Borja Sainz ainda dilatou o resultado com um remate de primeira após assistência de Pepê na direita (86′). O FC Porto venceu o Arouca no Dragão, voltou a não sofrer golos e somou a terceira vitória em três jornadas do Campeonato, isolando-se desde já na liderança com nove pontos.

[ Porto 2-0 Arouca ]
Fogo do Dragão abate muro uruguaio

???? O Arouca defendeu bem e tevem em Arruabarrena um "muro", mas o FCP mostrou a "garra" que o levou ao título e só descansou no apito final

???? Este foi o JOGO COM MAIS OCASIÕES FLAGRANTES da Liga até agora, com 10, nove… pic.twitter.com/8wASQcOmO5

— GoalPoint (@_Goalpoint) August 23, 2026