Como Michelle trabalhou pela prisão domiciliar de Bolsonaro, que por pouco não foi revogada

🗓️ 2026-07-18 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -
O ex-presidente Jair Bolsonaro durante interrogatório no STF
O ex-presidente Jair Bolsonaro durante interrogatório no STF (Ton Molina/STF)

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O primeiro contato com a ala mais política do Supremo Tribunal Federal (STF) começou há tempos, quando a então deputada federal Amália Barros procurou o prefeito de Diamantino (MT) Chico Mendes. Morta em maio de 2024, Barros era uma das amigas mais próximas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pediu para o político, irmão do decano do STF Gilmar Mendes, conseguir uma audiência reservada entre o magistrado e a esposa de Jair Bolsonaro. Chico Mendes já havia sido responsável por levar o capitão a uma agenda política em Diamantino e o encontro foi facilmente agendado.

Foram pelo menos duas audiências entre Michelle e Gilmar na residência do ministro em Brasília, onde a ex-primeira-dama deixou boa impressão. Além de ter memorizado o nome de funcionários do magistrado, o que deu um tom menos formal à reunião, a ex-presidente do PL Mulher elencou laudos médicos que mostram a saúde frágil do marido desde que ele foi alvo de uma facada nas eleições de 2018 e adotou um discurso contemporizador – deixar no passado os ataques que Bolsonaro havia feito à Corte ao longo de quatro anos de governo.

O receituário foi repetido com Alexandre de Moraes, tido como algoz do bolsonarismo. Michelle foi recebida no gabinete do ministro por duas vezes e apresentou a ele informações médicas e da rotina do ex-presidente que, ao final, permitiram que, depois de sucessivas negativas, ele fosse levado à prisão domiciliar.

O método de Michelle tratar Moraes, sem provocações desnecessárias, foi repetido na posse de Kassio Nunes Marques na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde ambos se cumprimentaram com um beijo, e em um evento político em Brasília depois de o juiz ter autorizado que Bolsonaro recebesse um cabeleireiro durante a prisão domiciliar. Nesta ocasião, ela chamou o magistrado de “irmão em Cristo”, o que incomodou setores mais estridentes do bolsonarismo.

Por uma estratégia ainda sem efeitos eleitorais mais palpáveis, o enteado e pré-candidato Flávio Bolsonaro abandonou o alardeado esforço de se apresentar como moderado e voltou a confrontar o Supremo nos últimos dias depois que leu em uma transmissão nas redes sociais uma carta manuscrita pelo pai e acabou proibido de visitar o ex-presidente até depois do primeiro-turno.

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“O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições. Quer, obviamente, que eu não seja candidato. Ele sabe da força que meu pai ainda tem, sabe da importância de uma manifestação dele a meu favor e quer impedir que isso aconteça”, disse o Zero Um depois do revés imposto por Moraes.

Entre as regras da execução penal de Bolsonaro, condenado como líder de uma tentativa de golpe de Estado, está o impedimento de usar redes sociais, mesmo que por terceiros. Em tese, a violação poderia fazê-lo perder a domiciliar e voltar para a cadeia, anulando os efeitos práticos das reuniões de Michelle com ministros do STF. A decisão de Moraes foi anunciada na sexta-feira, 17. Ela não revogou a domiciliar, mas proibiu visitas variada ao ex-presidente (à exceção de atendimentos médicos) e vetou “a divulgação de manifestos político-eleitorais, inclusive por terceiros”.

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