Como seria o cinema português sem Paulo Branco? — Sugestões
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Ora bem, assim se começa bem a semana com sugestões para os próximos dias. Vamos a isto. Vamos começar pelo Pedro Expurimento que, e vou citar-te: "Tens primeiro um filme sobre papas de aveia". O que é isto?
Um filme documentário na Filmin chamada "The Golden Spurtle", acho que é spurtle, não me lembro bem, que é no fundo o instrumento para mexer as papas de aveia. Nós usaríamos uma colher de pau.
Gostas de papas de aveia? Eu gosto.
Eu acho que nunca comi na vida.
É tão bom.
Não, a sério.
Temos que resolver isso.
Temos que tratar disso.
Existe na Escócia, nas Highlands, portanto cá em cima, um campeonato mundial. Tudo isto parece risível.
Papas?
Sim. Tudo isto parece risível e cômico, mas o cineasta conseguiu, de facto, transformar aqueles velhinhos que organizam aquilo. O documentário é incrível porque vêm pessoas de todo o mundo, da Austrália, do Zimbábue, da Escócia e da Inglaterra, claro, e de outros sítios. E nós acompanhamos a preparação, como é que as pessoas são. Depois estamos com a campeã mundial, que ganhou os dois últimos.
Quero muito ver isso. Vamos embora.
É francamente bem feito. E em que consiste o campeonato? No fundo, fazer papas de aveia. Há jurados que provam, depois nós vemos a prova dos jurados: "Ah, este aqui falta um bocado de sal, a textura não sei o quê". É um happy viewing, é uma coisa incrível. Se estiverem num date, é uma boa demonstração de como são pessoas sensíveis e inteligentes ao mesmo tempo.
Tens a certeza?
Tenho. Eu gostei imenso. Já te vi isto sozinho.
Como são pessoas sensíveis e inteligentes ao mesmo tempo. Este homem, de facto.
Vi sozinho.
Pronto.
Vê com a pessoa que mais amas.
"The Golden Spurtle" na Filmin, sobre papas de aveia.
Muito bem. E tens uma série, não é?
Sim, entretanto mudei de ideias. Na HBO há um outro documentário chamado "Nasty", que é diminutivo de Ilie Nastase, que era um tenista romeno pré-Borg McEnroe, embora tenha jogado com eles também.
Com esse título estava à espera de outra coisa.
Umas sapatilhas muito famosas.
Sim, tinha. Puma ou era Adidas? Não me lembro.
Acho que era Adidas.
Sim. Nasty Nastase, porque o cara era meio malandreco. O documentário tem grandes vantagens. Primeiro, tem imagens de tênis antigo, portanto, tênis dos anos 70.
Não, é Adidas.
É Adidas.
Pronto, estás a ouvir, Tiago?
Estou.
Dos anos 70. E depois tem a dinâmica da Cortina de Ferro, portanto o tipo era romeno e depois como é que se chegava na América.
Se disse Cortina de Ferro, já me conquistaste.
Chama-se Nasty.
"Good bye, Lenin" e falando.
N-A-S-T, está na HBO. Vi este verão e pensei: "Tenho que partilhar isto com os meus fãs do 'Pop Up'".
Somos nós ou é quem nos ouve? Agora fiquei aqui um bocado na dúvida.
Somos nós também e quem nos ouve.
Finalmente, eu tenho fugido um pouco do true crime americano, vou dizer sempre a mesma coisa. Mas este "Welcome to the Family: The Murder of Dan Markel", que chegou agora à Hulu, à Disney+ em Portugal, quatro episódios sobre um advogado que é assassinado em Tallahassee, naquele sítio meio bimbo americano. E não é que toda a família da noiva está supostamente, alegadamente envolvida?
Maravilha.
Tem que aderir à Disney outra vez.
Está bem contado.
Tu não vais ver isto, Bruno?
Sim, pronto.
Está bem contado, porque eles usam o estratagema com uns bonequinhos pra dizer quem são os personagens e a dinâmica dos personagens, que são pessoas verdadeiras. Parece um jogo. Não tem excessivas entrevistas in the moment com as pessoas a recordar, com fundo de IA e não sei o quê, e eles a falarem muito. Não tem isso em excesso.
Eles poderiam dar um "Knives Out" desses filmes.
Sim, podia, mas acho que não vai dar. Portanto, "Welcome to the Family: The Murder of Dan Markel" na Hulu.
Muito bem, e é isto? Estás arrumado?
Sim, "The Golden Spurtle", o Nasty.
Já foram três, Tiago.
Sim, senhor.
Eu não tenho a tua vida.
Muito bem. Bruno Vieira Amaral, vamos seguir contigo, porque vais falar duas lendas. Cada uma à sua maneira.
Pois é.
Duas lendas.
Duas lendas. Vamos começar pela lenda norte-americana, Mr. T. É um pequeno documentário na Netflix. Faz parte daquela Untold Story. É do desporto. O Mr. T em Portugal não será mais conhecido pelo desporto, e eu creio que na maior parte do mundo. Mas ele fez parte do wrestling, na altura do WrestleMania, com o Hulk Hogan, foi uma das figuras. Mas ele chegou aí já vindo do grande sucesso que teve no Rocky 3, em que ele foi o Clubber Lang, o antagonista, o rival do Rocky Balboa. Sempre com aquele arroz. E claro, o B.A. Baracus, o B.A. dos Soldados da Fortuna. Não do Esquadrão Class A. Por favor, não se refiram à série como Esquadrão Class A. Como é que era a frase? "I love it when a plan comes together?"
É. Isso e outra frase dele era: "I pity the fool". Tenho pena do coitado. Triste. O Mr. T, entretanto, desapareceu depois desse período áureo ali nos anos 80.
Que idade tem ele?
Tem 74, se não estou em erro
Se não estou em erro, acho que tem 74, porque eu li também uma entrevista muito interessante no The Guardian em que ele fala a propósito do lançamento deste documentário, com algumas críticas ao documentário.
É?
É, curiosamente. O documentário, de facto, é insuficiente, eu diria. Ele tem uma história muito interessante e até o afastamento dele do mundo do espetáculo é interessante e é pouco explorada neste documentário. Neste documentário é explicado como se ele tivesse perdido oportunidades e tivesse sido afastado do cinema e não tivesse tido mais oportunidades. E o que ele diz é que aquilo foi uma decisão dele, de se afastar depois de ter conseguido aquilo que ele queria, que era ganhar o suficiente para dar uma casa à mãe e para dar uma boa vida à família dele.
Olha, é legítimo.
Em particular à mãe. O que é notável na história do Mr. T é que ele de facto fez muito pouco, quer na televisão, quer no cinema, e a relevância dele transcendeu em muito o pouco que ele fez. Eu na semana passada falava aqui do caso do Tim Curry como sendo um desses casos em que parece que a obra é pequena demais para a dimensão, depois até de culto, que existe à volta do ator. No Mr. T é um pouco assim. Ele era, de facto, a vedeta de uma das séries mais populares em todo o mundo dos anos 80, portanto, percebe-se que até na indústria da nostalgia ele continua a ter algum crédito, mas ele não fez nada de relevante depois dessa altura.
Mas isso também é mais um exemplo de que, na maior parte dos casos, basta fazeres uma coisa.
Basta fazer a coisa certa.
Exato.
Porque as pessoas agarram-se a isso, sobretudo se marcou períodos da infância e da adolescência. E para a nossa geração, ele é, de facto-
E ele vive confortavelmente com isso, porque há aqueles que não gostam de ser reduzidos a: "só fez duas ou três coisas".
É porque foi o que ele fez e ele vive, de certa forma, pacificado com isso, porque na versão dele, ele é que se afastou.
Porque ele vai ser daqueles tipos que no título do obituário vai ser: "Morreu Mr. T, o B.A. de não sei o quê".
O B.A. dos Soldados da Fortuna.
Nem sequer vai ter o nome da personagem do Rocky III, porque o nome as pessoas não se lembram.
Eu não me lembrava, lembrei-me depois de ver o documentário. Mas acho que o documentário desperdiça essa outra vida, porque o que é interessante nele é isso, é ter tido um momento de grande protagonismo, de grande destaque a nível global, e depois estar na sombra estes anos todos, mas mesmo assim continuar a ser uma figura reconhecível e reconhecida, e tão reconhecida que alguém decidiu fazer um documentário sobre ele. Sobre a outra personagem, também lendária, está a ser feito um documentário, é Paulo Branco. Uma personagem bigger than life. Eu acho que temos poucas personagens assim em Portugal. Goste-se mais ou menos, até do ponto de vista do trabalho dele, não falo de questões pessoais, de personalidade, para quem o conhece. Sabemos que é uma figura polêmica, que desperta amores e ódios, mas mesmo olhando apenas para o trabalho dele enquanto produtor, é dessas personagens cujo trabalho e a forma de fazer esse trabalho e a forma pública de se apresentar e a paixão com que fez o seu trabalho de produtor ao longo destes anos todos, torna-o uma figura singular, uma figura especial como poucas no nosso país. E olhar para toda a carreira dele, que se inicia nos anos 70, e ver que ele tem no cinto, no cinturão, 300 filmes. Isso demonstra, de facto, uma capacidade de resistência e de trabalho que justificam, quanto a mim, que neste momento se faça uma retrospetiva da obra completa de Paulo Branco, o que é raro, termos uma retrospetiva de um produtor, ainda por cima uma retrospetiva com estas características. Estamos a falar de 300 filmes que serão exibidos à razão de 10 por mês, sensivelmente, na Cinemateca, durante mais de dois anos e meio.
300 filmes é avassalador, sobretudo para a nossa realidade.
É uma coisa inimaginável. E estamos a falar aqui do trabalho com realizadores em que ele próprio foi fundamental para a consagração e reconhecimento desses realizadores internacionalmente, o Manuel de Oliveira, o João César Monteiro, o Raúl Ruiz. E depois também de realizadores muito jovens que ele ajudou a lançar. E depois, há também esta curiosidade: ele estreou-se como produtor de um filme do António Pedro Vasconcelos, com quem ele depois teve um bife, talvez dos arrufos e das polêmicas mais célebres do cinema português e do panorama artístico português, porque estavam em confronto, retirando aqui a questão da relação pessoal, estavam em confronto duas visões do que deveria ser o cinema ou do que poderia ser o cinema em Portugal. Se deveria imperar aquela visão do cinema mais autoral Que seria o cinema defendido por Paulo Branco, ou de um cinema que estabelecesse um compromisso entre o cinema de autor e o cinema mais orientado para o público mais comercial. E nós sabemos que essa tem sido a discussão, continua a ser hoje.
Continua a ser, sim.
A discussão sobre o que deve ser o cinema em Portugal. E os dois homens que depois representaram quase os dois lados dessas facções estiveram unidos no início, e a carreira de produtor do Paulo Branco está muito ligada à figura do António Pedro Vasconcelos. Esta retrospectiva já começou no dia 11, e começou com talvez um dos filmes mais marcantes do Paulo Branco enquanto produtor e do Manoel de Oliveira enquanto realizador, o "Não Ó Vã Glória de Mandar". O Paulo Branco deu algumas entrevistas na semana que passou, teve direito a destaque, quer na revista do Expresso, quer no Ípsilon. E foi aí que eu soube que está a ser preparado um documentário, que eu acho que se justifica completamente, não só pela atividade enquanto produtor, não só pela figura, pela personalidade, mas também por todas as outras atividades que foi tendo, até a paixão pelos cavalos, que ele fala bastante. Eu acho que é uma personagem bigger than life, como poucas que existirão em Portugal. E eu acho que acaba por ser muito justa esta retrospectiva que a Cinemateca lhe dedica, uma coisa de facto monumental, como é monumental a figura do próprio Paulo Branco.
Sim, senhor. Agora é minha vez. Três coisas. Primeiro, um livro que eu ainda não li.
Logo é ótimo.
Como é aquela canção?
Portanto, tens uma opinião imparcial.
Não.
É melhor ter uma opinião antes de ler os livros.
A minha opinião é: quero muito ler. E depois logo vejo. Que é um livro que saiu agora que se chama "Birth of a Culture" e é do Grandmaster Flash, que é o pioneiro dos pioneiros do hip-hop. Um dos grandes profetas e visionários. Sinteticamente, este livro é a história do hip-hop contada por Grandmaster Flash, como ele a viu e como a viveu. Meu amigo, se isto não é interessante, não sei.
Já estás rendido à partida.
Outra sugestão, eu acho que já alguém aqui sugeriu, até porque o livro não é novo no sentido que não saiu na semana passada, mas tem dois ou três meses, nem sei, que é aquele livro que foi um enorme sucesso no estrangeiro e que está publicado agora há uns tempos em Portugal, que se chama "Estranhos" da Bell Burden.
Sim, esteve toda a gente no verão a ler isso, ainda não li.
Tu começas a ler aquilo e estás tramada. Já foste.
Já não dá.
Suga.
Houve muita polêmica. Aquilo é a história real, em princípio.
De um divórcio, certo?
Sim, como a vida desta mulher mudou completamente a partir da descoberta de um segredo no início do confinamento na pandemia, em 2020. E depois há uma série de acontecimentos que envolvem muita coisa financeira, etc. O livro já era um enorme sucesso nos Estados Unidos e começaram a surgir, acho que o primeiro foi um texto na New Yorker, a fazer ali a análise e a chegar à conclusão que há aqui muita coisa que não bate certo e que isto não está bem. Há aqui coisas que não são verdade. Isto não é totalmente um livro de que é impossível.
Mas o livro apresenta-se como autoficção. Se for autoficção está salvaguardado.
Não, é uma coisa mais biográfica. Foi assim que foi vendido. A questão é: tudo isso acho que só ajudou a tornar o livro ainda mais bem-sucedido e as pessoas, fosse por um lado, fosse pelo outro, quiseram ler. E é daquelas coisas que está tão bem feita ao detalhe para que tu comeces a ler aquilo e queres saber o que acontece depois e no outro capítulo, etc. Mas isto é verdade ou não? Não quero saber.
Mas esse já leste?
Esse, sim. Calma.
É preciso equilibrar.
Outra coisa. Eu julgo que quando esta rubrica for pro ar, já está cá fora o novo álbum da Margarida Campelo, que se chama "Música de Elevador". E que eu digo-vos uma coisa, se for tão bom como as canções que a gente já ouviu antes do álbum ser editado, se isto não vai ser um dos álbuns do ano, não sei. Mas isso sou eu.
Mas tu és tu.
Pronto, e vocês agora com esta informação fazem aquilo que quiserem. Muito bem, vamos avançar. Para terminar aqui com a Susana Romana, o que queres falar de uma série que eu desisti a meio.
O Cabo do Medo.
Porque não estava aguentando o Javier Bardem.
Sabes que eu pensei muito se queria recomendar o Cabo do Medo. Por quê? Se aquilo é bom? Não. Se eu adorei ver, adorei.
Mas concordas.
Eu diverti-me imenso a ver aquilo, mas aquilo tem imensos problemas. Aquilo tem problemas de guião, de plot hole. Aquilo é quites na maneira de fazer as coisas, de uma maneira que eu acho que é propositada, mas não tenho 100% da certeza se é propositada. Só que eu diverti-me moles a ver aquilo.
Pronto.
Lá está.
Está tudo bem, Susana.
No fundo, é isso que importa.
Ou seja, tive a experiência de estar a ver um filme dos anos 90, que quem viu filmes nos anos 90 sabe que era um tipo de diversão.
Era espetacular.
Nós estamos à procura o resto das nossas vidas e não estamos a encontrar.
E nunca mais vamos conseguir.
E nunca mais vamos conseguir chegar a esse lugar.
A folia do Lucas Costeiro.
Por exemplo.
Sim. E eu diverti-me muito. Se ele tem problemas, tem imensos problemas. Não é daquelas séries que eu vou recomendar e dizer: "Vão que é ótimo." Não, tem buracos de narrativa, tem coisas um bocado bimbas. Eu diverti-me imenso a ver aquilo.
Eu acho que para mim o maior problema foi o Javier Bardem naquele papel. Eu não estava a acreditar minimamente naquilo.
Eu gostei muito do Javier Bardem, só não, sabes o que me desconcentrava? As lentes de contacto, porque ele tem os olhos da cor de dois edamames, de duas ervilhas. E isso desconcentrava-me um bocado. Aquilo é um bocadinho bimbo, é um bocadinho básico em algumas coisas, é muito retorcido no mau sentido noutras. Eu diverti-me imenso a ver aquilo.
E muito bem, meus amigos, isso é que importa.
Também desisti a meio.
Nós chegámos a discutir a série quando saiu, mas na altura também a tínhamos visto. Eu vi dois episódios.
Eu também vi dois episódios.
E desistiram. Eu diverti-me. E o final é hiperrecambolesco, posso-vos contar a seguir se quiserem, mas faz parte. Eu diverti-me imenso.
Muito bem. O que é este "Ludwig" na RTP Play?
Este "Ludwig". Depois de acabar "O Cabo do Medo", lá está, estava um bocadinho farta de séries americanas. Tudo o que começas a ver são cabos de manhã, eram três da manhã, de séries americanas que às vezes são um bocadinho banhadas e pensei: "Quero ver uma coisa que não seja americana". Não é série, até porque é uma comédia.
Uma coisa norueguesa.
Por acaso não, é britânico, mas descobri que a RTP Play, além das séries da própria RTP, tem um catálogo extraordinário e grátis.
Muito bom. É mesmo muito bom.
E então andei lá à procura.
E documentários. É fantástico.
Tem coisas ótimas. Às vezes andamos nós a fazer zapping noutras plataformas de streaming quando há precisidades.
Burro.
E fui lá que eu encontrei este "Ludwig", que é com o David Mitchell, que para quem segue comédia britânica é o tipo do "Peep Show", ou seja, é um comediante bastante bom. Coitado, é com a Anna Maxwell Martin, que entra numa série britânica de comédia que eu adoro, chamada "Motherland". São seis episódios, lá está, é britânica, tem duas temporadas. Eu não tenho a certeza se estão as duas na RTP Play, porque eu ainda estou a ver a primeira. Vem uma terceira temporada a caminho e é a história de um tipo cuja profissão é escrever palavras cruzadas e puzzles para um jornal, que é o Ludwig, que vive fechado em casa.
Ludwig é o jornal ou é a personagem?
É a personagem. Vive basicamente fechado em casa.
Já estou a gostar.
Ele tem um irmão gémeo que é polícia e o irmão gémeo dele desaparece.
Ui.
E a cunhada dele implora: "Por favor, faz-te passar por ele e vai à esquadra para eu tentar perceber o que se passou". Toda a gente acha que ele é inspetor-chefe, por isso cada episódio ele resolve um crime de maneira mais ou menos atabalhoada, porque a profissão dele é escrever palavras cruzadas.
É um cruciverbalista.
Sim, é um bocadinho Sherlock Holmes, como tem imensa lógica. E em cada episódio ele resolve um crime e tu andas a tentar perceber o que terá acontecido ao irmão dele. Vê-se muito bem, episódios de mais ou menos 40 minutos, seis episódios por temporada, está ótimo. O "Pátria", o livro do Fernando Aramburu, que depois deu origem também a uma boa série que está na HBO, chega agora pelas edições da Asa, a novela gráfica. Eu adoro novelas gráficas, portanto, afim-me logo a esta. A história é ótima. Basicamente, a história base são duas mulheres que eram muito amigas e que se separam porque as suas famílias veem de maneiras diferentes envolvidas nas questões com a ETA e isso leva a uma cisão entre as amigas. E nós andamos para a frente e para trás na história a tentar perceber ao certo o que se passou e como é que a ETA deu cabo de comunidades, famílias e tudo mais. E as ilustrações são do Toni Ferlusa e são ótimas, também vale muito a pena. Por último, vou ser muito rápida nisto.
Aramburu tem um novo livro publicado em Portugal, que é o "Maite", também pela Dom Quixote.
E que eu vi na Feira do Livro, não me lembro se este ano ou o ano passado, sem ninguém a lhe pedir para autografar livros, o que eu acho extraordinário.
Onde é que estavas, Bruno?
Onde é que estavas?
Estava noutro pavilhão.
Estava sem ninguém também, a conversar com ele. Menção muito rápida ao novo filme da Ovelha Shaun.
Pois é, verdade.
Porque "Shaun the Sheep" estreia no dia 24, mas eu já vi porque vi no Motel X, fui com o meu filho, porque é um filme de Halloween, portanto contou como filme de terror.
Muito bem.
Chama-se "Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom".
E é ótimo?
É. Tudo é ótimo. A Aardman, que são os estúdios que fizeram, fazem agora 50 anos, são os estúdios do Shaun the Sheep, do Wallace e Gromit, e na altura da inteligência artificial é muito bom ver bocados de plasticina a mexer-se.
Sim, senhora. Fechamos com plasticina. Sugestões entregues, estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos e não percam nenhuma destas doses. Nós voltamos na quinta-feira. Até lá.