Conduzimos o maior SUV de sempre da Skoda e há uma surpresa

🗓️ 2026-09-20 📁 auto 📝 ⏱️ 👁️ : -

Grande por fora, grande por dentro e, sobretudo, grande naquilo que oferece. Conduzimos o novo Skoda Peaq e já percebemos o que vale.

Skoda Peaq 90 Sportline

Primeiras impressões

8.5/10

Data de comercialização: Janeiro 2027

Acabou de chegar e só o conduzimos durante cerca de 200 quilómetros, mas o Peaq pode muito bem ser um dos melhores Skoda de sempre.

Prós

  • Autonomia / Consumos
  • Conforto
  • Espaço
  • Interior

Contras

  • Dimensões em lugares apertados
  • Poucos comandos físicos face a outros Skoda

O Guilherme Costa já aqui o escreveu e eu volto a repetir: com muitos dos mesmos ingredientes da Volkswagen, a Skoda está a desenvolver produtos que, na minha opinião, conseguem estar ao nível ou até acima dos da marca alemã. Isto, só por si, descreve a evolução e o bom trabalho que a construtora checa tem feito nos últimos anos. O novo Skoda Peaq é um perfeito exemplo disso.

Juntamente com o Epiq, o Peaq vai permitir à marca checa duplicar a sua oferta elétrica. É o maior SUV que a Skoda alguma vez lançou, pode acomodar até sete pessoas, é 100% elétrico e, nas versões equipadas com a maior bateria, anuncia mais de 640 quilómetros de autonomia.

Foi precisamente numa dessas versões que eu pude viajar mais de 200 quilómetros, num percurso que ligou Munique, na Alemanha, à região do Tirol, nos Alpes austríacos.

Skoda Peaq 2025 — 3/4 traseira
© Skoda Os vários detalhes em preto brilhante são específicos do nível de equipamento Sportline, precisamente a versão que pude testar.

Maior que o Kodiaq

Com 4874 mm de comprimento e uma distância entre eixos de 2965 mm, o novo Skoda Peaq passa a ocupar o «pico» da gama. Brincadeiras à parte, é o novo porta-estandarte da marca, posicionando-se como o equivalente elétrico do Kodiaq, embora seja maior em praticamente todas as dimensões.

O Peaq é, depois do Epiq — nomes muito parecidos, eu sei… —, o segundo modelo da Skoda a adotar na totalidade a nova linguagem visual Modern Solid, e isso está à vista, desde logo, na «máscara» negra que liga os faróis e na nova assinatura luminosa em “T”, muito próxima das extremidades.

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Se a isto juntarmos os cerca de 1,87 metros de largura e o capô com linhas muito vincadas, estamos na presença de uma proposta, na minha opinião, muito sofisticada e cuja presença em estrada não deverá passar despercebida.

De perfil também há elementos que importa destacar. Além da grande superfície vidrada, da inscrição “Skoda” no pilar D e da linha de cintura alta, o Peaq é também o primeiro Skoda a recorrer a puxadores de portas embutidos. Uma solução que não é unânime mas que contribuiu para um coeficiente aerodinâmico (Cx) de apenas 0,249.

Interior repleto de novidades

As novidades não se limitam ao exterior. No habitáculo, o novo SUV elétrico checo estreia várias soluções nunca antes vistas em propostas da marca, a começar pelo ecrã central.

Com 13,6″, estreia um sistema de infoentretenimento totalmente novo, de base Android, e surge montado pela primeira vez na vertical. Abaixo deste, e ao contrário do que acontece noutros construtores, o Peaq continua a dispor de botões físicos, nomeadamente para regular a climatização.

Sem desvalorizar a «coragem» da Skoda neste capítulo, gostava, ainda assim, que fossem mais os comandos físicos, como acontece nos restantes modelos da gama.

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O ecrã central revelou-se muito intuitivo de usar, é um facto, mas não há nada como ter as funções que usamos com mais frequência à distância de um só toque. Felizmente, podemos fixar algumas funções na base do ecrã, facilitando o acesso às mesmas.

Ainda na consola central, outra estreia: duas bases de carregamento sem fios com fixação magnética, que impedem os smartphones compatíveis com esta solução de deslizar nas curvas. A do condutor oferece 25 W de potência — a mesma velocidade disponibilizada pelas portas USB-C.

Mas as estreias não acabam aqui. Este é o primeiro Skoda a receber um tejadilho panorâmico eletrocrómico, com mais de 2,1 m² de superfície envidraçada, cuja transparência pode variar através de nove segmentos independentes.

Além disso, o Peaq conta com um sistema de som com 16 altifalantes (entre eles um subwoofer) e 755 W de potência, que foi desenvolvido especificamente para ele em parceria com a Sonos.

Mais espaço só num veículo comercial

Uma vez sentado nos bancos traseiros, é aqui que os cerca de três metros de distância entre eixos mais se fazem sentir. Há espaço para dar e vender, tanto para as pernas, como para a cabeça.

Um dos destaques do novo Skoda Peaq é a possibilidade de poder ser configurado com cinco ou sete lugares. Consoante a opção, a capacidade da bagageira varia. No primeiro cenário, temos à nossa disposição 935 litros, enquanto na configuração de sete lugares este valor reduz ligeiramente, para 890 litros. 

Tão ou mais importante é o facto de termos 300 litros de capacidade na bagageira mesmo com os sete lugares operacionais, sendo que com as duas filas de bancos rebatidas, o espaço de carga ultrapassa por larga margem os 2000 litros.

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Em ambos os casos, e ao contrário de outras propostas do Grupo Volkswagen, este SUV faz-se ainda valer de uma frunk com 37 litros adicionais. Mais espaço que isto, só num veículo comercial…

Sente-se premium

Ao volante, o novo Skoda Peaq mostra ao que vem logo nos primeiros quilómetros. Apesar de também estar disponível com jantes de 19″ e 20″, a unidade que conduzi equipava as maiores, de 21″. Ainda assim, nem por uma vez senti que o conforto tivesse saído prejudicado.

Sem descurar a competência das suspensões passivas, o «culpado» é o sistema de suspensão adaptativa desta unidade, cujo trabalho em filtrar todas as irregularidades se mostrou digno daquilo que encontramos nas típicas propostas premium alemãs.

E mesmo depois de alguns quilómetros «apressados» com a suspensão mais firme, não restaram dúvidas: o Peaq privilegia toadas mais calmas, onde o conforto, a robustez e a solidez com que desliza sobre o asfalto imperam.

Skoda Peaq 2026 em estrada — 3/4 dianteira
© Skoda Mesmo em autoestrada, a velocidades onde o ruído aerodinâmico se costuma fazer ouvir, o Skoda Peaq dá muito bem conta de si e mostrou-se sempre muito bem insonorizado.

Por baixo da carroçaria também é quase tudo novo. O SUV checo assenta na nova plataforma MEB Plus. Mas, ao contrário do Epiq, este modelo adota configurações de tração traseira e integral.

A esse respeito, o SUV está disponível com três níveis de potência. A versão de acesso à gama (Peaq 60) combina uma bateria de 63 kWh com um motor elétrico de 150 kW (204 cv) e 350 Nm de binário, que lhe permite anunciar mais de 450 km de autonomia (WLTP).

No outro extremo da gama temos o Peaq 90x, que recorre à maior bateria alguma vez instalada num Skoda elétrico, com 91 kWh, e a dois motores — um por eixo —, para uma potência total combinada de 220 kW (299 cv) e uma autonomia de até 610 km.

Mas, como diz o ditado, «não há duas sem três». A unidade que conduzi é a que considero ser a mais interessante. Ou, pelo menos, a mais equilibrada. Chama-se Peaq 90 e combina a bateria de 91 kWh com um único motor traseiro, com 210 kW (286 cv) e 545 Nm. O resultado é a maior autonomia da gama, que ultrapassa os 640 km entre cargas.

Por não ser a mais potente, poderia ter mais dificuldade a «empurrar» os mais de 2000 kg deste modelo, mas não é o caso. De todo. As retomas de velocidade fazem-se com facilidade e nunca nos falta potência para ultrapassar em segurança.

A este nível, mostra-se muito capaz, sem exibir grandes dotes de velocista. Não é esse o objetivo deste SUV, que tem como missão ser um estradista para toda a família, mesmo durante as viagens mais longas.

Tem um pisar confortável e muito refinado, ao mesmo tempo que nos recorda, a cada quilómetros que passa, todo o trabalho que os engenheiros da marca colocaram no isolamento acústico, na suspensão e nos bancos.

Não só é um dos melhores Skoda da atualidade como passa diretamente a figurar no top dos modelos mais interessantes que alguma vez carregaram este logo. E isto não é coisa pouca.

Skoda Peaq 2026 em estrada — 3/4 traseira
© Skoda Consoante a capacidade da bateria, o Skoda Peaq é compatível com potências de carregamento em corrente contínua (DC) que variam entre os 150 kW e 200 kW. Mesmo assim, bastam cerca de 28 minutos para todas carregarem dos 10% aos 80%.

Falta falar no preço…

É normalmente no capítulo do preço que algumas propostas modernas deitam tudo a perder. Os automóveis estão cada vez mais caros e a eletrificação não veio facilitar as coisas. Mas também aqui o Peaq pode ter uma palavra a dizer.

Os preços para Portugal ainda não estão definidos, mas já se sabe que, no mercado alemão, vai custar desde 48 mil euros. No mercado nacional, é provável que chegue por cerca de 50 mil euros, ou 60 mil euros se optar pelos Peaq 90 e 90x.

A confirmar-se, é um valor adequado e competitivo, especialmente se tivermos em conta tudo aquilo que este SUV oferece: tecnologia atual, uma autonomia que nem com a bateria mais pequena deixa a desejar, bons materiais, a qualidade de rolamento de uma proposta premium e espaço. Muito espaço.

Para mais, quando comparamos com a concorrência, apenas o Peugeot E-5008 (desde 49 855 euros) se aproxima destes valores. O Mercedes-Benz GLB elétrico (59 200 euros), Hyundai IONIQ 9 (89 760 euros) e o Kia EV9 (89 922 euros), por outro lado, são significativamente mais caros e oferecem menos espaço e autonomia.

Skoda Peaq 90 Sportline

Primeiras impressões

8.5/10

O Skoda Peaq surpreendeu-me pela facilidade com que consegue combinar espaço, conforto, autonomia e agilidade num SUV com mais de duas toneladas e quase cinco metros de comprimento. E, ao que tudo indica, com um preço que o deixa muito bem posicionado perante a concorrência. É uma aposta certeira da marca checa, que passa a ter neste SUV um dos modelos mais interessantes da gama.

Data de comercialização: Janeiro 2027

Prós

  • Autonomia / Consumos
  • Conforto
  • Espaço
  • Interior

Contras

  • Dimensões em lugares apertados
  • Poucos comandos físicos face a outros Skoda
Skoda Peaq 90
Motor
Motor elétricoElétrico síncrono de íman permanente (PSM)
Potência210 kW (286 cv)
Binário545 Nm
Transmissão
TraçãoTraseira
Caixa de velocidades1 velocidade
Bateria
TipoNíquel, Manganês e Cobalto (NMC)
Capacidade91 kWh (86 kWh úteis)
Carregamento
Pot. máxima em DCAté 199 kW
Pot. máxima em AC11 kW
Tempo 10% a 80% (DC)28 minutos
Chassis
SuspensãoFR: Independente do tipo MacPherson;
TR: Independente do tipo multi-braços.
TravõesFR: Discos ventilados
TR: Tambor
DireçãoAssistida eletronicamente
Diâmetro de viragem9,9 m
Coeficiente aerodinâmico (Cx)0,249-0,265
Dimensões e Capacidades
Comp. x Larg. x Alt.Comprimento: 4874 mm;
Largura: 1867 mm;
Altura: 1664 mm
Distância entre eixos2965 mm
Bagageira935-2150 litros
Frunk37 litros
Peso2309kg
PneusFR: 235/45 R21
TR: 265/40 R21
(unidade ensaiada)
Prestações e consumos
Vel. máx.180 km/h
0 aos 100 km/h7,1s
Consumo combinado
(ciclo WLTP)
15 kWh/100 km
Autonomia
(ciclo WLTP)
647 km
Emissões CO20

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