Rodrigo Mattos: Conselheiros veem Vasco vulnerável em acordo com Lamacchia por venda de SAF

🗓️ 2026-10-06 📁 sports 📝 ⏱️ 👁️ : -

O Conselho Deliberativo do Vasco vai votar nesta terça-feira pela aprovação ou não do negócio, que já passou por leilão na Justiça. Além disso, vai decidir sobre mudanças estatutárias para facilitar a venda.

Pelas condições do acordo, a Almirante S/A vai adquirir 90% das ações da SAF do Vasco. Isso representa um percentual maior do que a antiga dona, 777, que detinha 30% da SAF anterior.

Em troca, vai investir R$ 500 milhões no futebol em cinco anos, construir um CT moderno, cobrir déficit de cinco anos e assumir a dívida de R$ 1,5 bilhão.

Vamos aos pontos questionados pelos conselheiros com contraponto de envolvidos na negociação da SAF.

1) Há uma proposta de mudar o estatuto do Vasco para permitir que um conselheiro do clube participe do Conselho de Administração da SAF, que terá três membros. Só que esse conselheiro do associativo será escolhido pelo próprio investidor, no caso a Almirante S/A. Não há membro do clube no Conselho Fiscal da SAF.

- Conselheiros argumentam que isso tira o poder do clube de fiscalizar de fato já que o escolhido será uma pessoa já alinhada ao investidor. Assim, entendem que pode se repetir o que ocorreu com a 777 quanto o clube não tinha influência quando a empresa descumpria o acordo

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- Da parte da Almirante, argumenta-se que o objetivo é tirar mesmo a interferência da política do clube da gestão da SAF. E, no caso da 777, entende-se que o problema é que a ex-sócia da SAF não permitia ao representante do clube ter acesso a informações e dados.

2) O valor de R$ 500 milhões de aporte no futebol não tem datas específicas para ser efetuado. Apenas tem que ser cumprido em cinco anos. E está dito nas condições que haverá desconto do valor emprestado pela Almirante S/A no processo de Recuperação Judicial. Isso pode representar um desconto entre R$ 40 milhões e R$ 190 milhões.

- Conselheiros alegam que as condições sobre o desconto dos empréstimos não estão tão claras e podem levar à interpretação de descontar os dois empréstimos da Almirante - não o da Crefisa que vira ações. Assim, poderia chegar a um desconto de R$ 190 milhões sobre os R$ 500 milhões.

Outro ponto é que, sem datas específicas para aporte, o clube perde o controle sobre quando entra o dinheiro.

- Na Almirante S/A, a alegação é de que apenas o segundo empréstimo - de R$ 40 milhões - será descontado do total. Ou seja, o total cai de R$ 500 milhões para R$ 460 milhões. Na empresa, entende-se ser suficiente que o prazo seja de cinco para os investimentos. Em entrevista ao Canal do Igor Rodrigues, o presidente do Vasco, Pedrinho, afirmou que vê vontade do investidor de colocar mais dinheiro do que esse mínimo

3) O Vasco reduz sua participação na nova SAF para 10% (com a Almirante), antes tinha 30% com a SAF da 777. No documento ao Conselho, fala-se em garantir os direitos do clube de controle sobre a empresa. Mas 10% é o mínimo previsto em lei.

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- Para conselheiros, o Vasco deveria ser remunerado pela venda de 20% já que o aporte de R$ 500 milhões e dinheiro para o CT são investimento na própria SAF.

- Da parte da Almirante, alega-se que o valor total previsto no acordo é muito bem pago para compra da SAF do Vasco. Isso inclui os R$ 500 milhões de aporte, mais a construção do CT, mais assumir déficit de cinco anos com até R$ 1,5 bilhão de aporte, além de se tornar responsável pela dívida de R$ 1,3 bilhão.

4) contrato de São Januário é só até 2030. O aluguel é de R$ 3 milhões por mês, mas pode ser reduzido para R$ 2 milhões em caso de reforma.

- Conselheiros não entenderam por que o uso de São Januário só está previsto até 2030 e não em prazo mais longo e veem uma dúvida para o futuro. Apontam ainda falta de detalhamento das condições do uso do estádio, tendo apenas o valor e o prazo.

5) Marca é cedida integralmente à nova SAF. Vasco só tem direito de explorar gratuitamente sem pagar royalties. Não recebe pela marca. A cessão integral da marca é comum em processos de SAFs, mas, em alguns casos, há pagamento de roylaties ao associativo.

6) Sócio proprietário não tem direito assegurado de acesso a ingresso

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- Conselheiros de oposição lembram que isso impactaria diretamente na renda do clube, já que, sem direito a ingresso, haverá menos interesse em associação e, portanto, cai a arrecadação do clube. Houve uma migração recente de pessoas do sócio-torcedor gigante para proprietário por condições mais favoráveis. Mas houve estranhamento que, neste momento, o plano de adesão para sócio geral foi interrompido sua adesão no modelo promocional. Ou seja, foi favorecido o plano de sócio-torcedor que favorece a SAF, em detrimento do que beneficia o clube associativo.

Reportagem

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