Consumidores estão a trocar de carro elétrico chinês mais depressa do que de telemóvel
12 Jul 2026 · Motores/Energia
A ideia de que um automóvel é um bem para manter durante vários anos poderá estar a perder força, pelo menos no mercado chinês dos carros elétricos. Então, por que razão trocam tão depressa de carro elétrico?

Carros elétricos permanecem menos de dois anos nas mãos dos proprietários
Segundo um relatório da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM) e da consultora Hejun Consulting, citado pelo 21st Century Business Herald, os veículos elétricos chineses atualmente em circulação têm uma idade média de apenas 1,8 anos.
Em comparação, os automóveis equipados com motores de combustão apresentam uma idade média de 8,2 anos, uma diferença que evidencia a rapidez com que os proprietários dos elétricos optam por trocar de modelo.
Na prática, o ciclo de substituição destes veículos já é, em muitos casos, inferior ao período durante o qual muitos consumidores mantêm o mesmo telemóvel.

A tecnologia pesa mais do que nunca
Uma das principais razões para este comportamento está no perfil dos compradores.
Grande parte dos proprietários destes veículos tem menos de 35 anos e encara o automóvel como um produto tecnológico em constante evolução.
Funcionalidades como:
- maior autonomia;
- carregamento mais rápido;
- sistemas avançados de assistência à condução;
- novas capacidades de inteligência artificial;
- atualizações de software.
...acabam por ter um peso semelhante ao das novidades que surgem no mercado dos smartphones.
Num mercado onde os fabricantes chineses apresentam novos modelos com enorme frequência, muitos consumidores preferem vender rapidamente o veículo atual para adquirir uma geração mais recente.
A desvalorização acelera a decisão
Outro fator importante é a rápida perda de valor destes automóveis. Os dados citados no relatório indicam que um veículo elétrico conserva, em média, apenas 43,35% do seu valor original ao fim de três anos.
Esta forte desvalorização leva muitos proprietários a anteciparem a venda antes que o valor de revenda caia ainda mais.

Um comportamento que pode chegar à Europa?
A realidade do mercado chinês é muito diferente da europeia. Na China existe uma concorrência extremamente agressiva entre fabricantes como BYD, Geely, XPeng, NIO, Chery ou Leapmotor, que lançam novos modelos e atualizações tecnológicas a um ritmo difícil de acompanhar.
Essa dinâmica faz com que um veículo com apenas dois anos possa parecer rapidamente ultrapassado perante versões mais recentes.
Embora este fenómeno ainda não seja tão evidente na Europa, o crescimento das marcas chinesas poderá contribuir para reduzir os ciclos de renovação também noutros mercados, sobretudo à medida que a tecnologia evolui mais depressa do que aquilo a que os consumidores estavam habituados no setor automóvel.