Corpo dentro de uma mala: o que aconteceu à voluntária escocesa encontrada morta na Grécia?

🗓️ 2026-08-04 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

A polícia grega acredita que as últimas horas de vida de Elisabeth-Jane Ross podem ser decisivas para perceber porque foi morta. O principal suspeito continua a negar o homicídio

O que terá levado Sharif Ahmadzai a matar Elisabeth-Jane Ross, uma voluntária escocesa cujo corpo foi encontrado dentro de uma mala em Atenas, no mês passado? Esta é questão que serve de base à investigação do homicídio da mulher de 38 anos.

A polícia acredita que as últimas horas de vida de Elisabeth-Jane podem ser determinantes para perceber as motivações do crime.

Segundo o The Guardian, após três dias de interrogatório, o suspeito, identificado como Sharif Ahmadzai, foi acusado de homicídio doloso. No entanto, apesar de ter confessado que escondeu o corpo de Ross dentro de uma mala, o cidadão afegão continua a negar qualquer envolvimento no crime.

O que o suspeito admite (e o que continua a negar)

George Kalliakmanis, presidente honorário da associação de agentes da polícia de Atenas, aponta que as autoridades estão empenhadas em descobrir o motivo do crime: "Admitiu ter transportado o corpo até ao local. A polícia tem imagens de videovigilância que o mostram a fazê-lo na noite de 16 de julho. Também confessou ter levantado 10 mil euros em caixas multibanco com cartões bancários pertencentes à vítima. Mas continua a negar o homicídio, o que a polícia não acredita".

Sharif Ahmadzai, pugilista profissional na categoria de pesos leves, alega que encontrou Ross já sem vida num apartamento de um edifício que ajudava a gerir em Exarchia, um bairro boémio de Atenas, onde existe forte presença de organizações não-governamentais, estrangeiros e movimentos de esquerda.

Elisabeth-Jane Ross era amiga de Alaina Hall, cidadã norte-americana com quem Sharif Ahmadzai casou em 2023. As duas mulheres tinham experiências semelhantes em voluntariado e convicções religiosas idênticas.

A 10 de julho a escocesa mudou-se para o apartamento onde o grupo de solidariedade para com os refugiados Love Every Nation, do qual o casal fazia parte, realizava encontros.

A última chamada telefónica feita a partir do telemóvel de Elisabeth-Jane Ross ocorreu a 15 de julho, três dias antes do corpo ter sido encontrado por um sem-abrigo num edifício abandonado, em Kypseli. Durante esse período, foram enviadas mensagens à família e amigos da escocesa, que alegaria querer "estar sozinha".

O "papel significativo" da mulher do suspeito

Segundo as autoridades, Alaina Hall terá desempenhado um "papel significativo" na investigação. A norte-americana estranhou os movimentos do marido, assim como as quantias de dinheiro que passou a exibir, por isso, contactou a polícia e mudou-se para um hotel. "A companheira do suspeito foi muito prestável", aponta Kalliakmanis.

Imagens de videovigilância da zona onde a mala foi encontrada e das caixas de multibanco onde foram feitos os levantamentos ajudaram a identificar o suspeito. 

Neste momento, a polícia analisa dois possíveis cenários. "Acreditamos que houve um confronto", revela uma fonte ao The Guardian, acrescentando: "A questão é perceber se aconteceu porque Ross apanhou o afegão a remexer nos seus pertences e a roubar os cartões bancários, ou se esteve relacionado com uma agressão sexual ou com o facto de ela ter rejeitado investidas da parte dele."

A autópsia foi inconclusiva, devido ao avançado estado de decomposição do corpo. No entanto, os especialistas forenses apontam para morte por asfixia, uma vez que não foram encontradas lesões evidentes no corpo de Elisabeth-Jane.