Corpos de 800 palestinianos retidos por Israel, alguns há décadas

🗓️ 2026-08-03 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

De acordo com os dados, fornecidos à agência de notícias EFE, corpos de palestinianos estão a ser retidos há semanas ou mesmo há décadas pelos israelitas.

Segundo a organização, Israel está a reter os corpos de 83 adolescentes e crianças. Entre estes estão Ahmad al-Salah, de 15 anos, e Mohamad al-Alyan Issa, de 17, cujos corpos foram retidos pelos israelitas em julho de 2025, depois de terem sido baleados por soldados perto do muro que cerca a Cisjordânia ocupada.

Um ano depois, as suas famílias ainda não sabem onde Israel está a armazenar os seus corpos, com que propósito ou se algum dia serão devolvidos.

Durante anos, Israel justificou a apreensão de corpos como pretexto para negociações com movimentos como o Hamas, que detinha os restos mortais de soldados israelitas desde 2014.

Entretanto, em janeiro, após várias trocas de informações, Israel recuperou os restos mortais do último dos cerca de 250 reféns na Faixa de Gaza, feitos no ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023, mas não alterou a sua política de reter os cadáveres de palestinianos.

Um ano após a guerra de 1967, o Exército israelita criou aquilo a que os palestinianos chamam "de cemitérios de números": necrópoles sem lápides, por vezes com covas abertas, onde os corpos dos "inimigos" são enterrados anonimamente.

Em 2004, a Procuradoria-Geral da República decidiu que, embora Israel não tivesse autoridade para reter cadáveres como "moeda de troca", poderia fazê-lo em troca de futuros acordos de troca. Em 2017, o gabinete de segurança israelita formalizou esta prática, criando uma "política uniforme para o tratamento de cadáveres de terroristas".

Esta política foi contestada no Supremo Tribunal israelita por três organizações não-governamentais (ONG), incluindo a JLAC.

O tribunal não aceitou a contestação, decidindo em 2019 que o repatriamento dos corpos dos soldados israelitas era "essencial para a proteção da segurança nacional", enquanto a retenção dos corpos dos "terroristas" não afetava "a dignidade das suas famílias".

A Adalah - uma organização israelita que defende os direitos da minoria árabe palestiniana - tem a esperança de que, com a devolução já realizada de todos os reféns que estavam em Gaza, o Supremo Tribunal possa mudar de opinião.

A organização declarou que entre os cadáveres retidos estão pelo menos sete palestinianos com cidadania israelita.

"O tribunal concedeu ao Estado várias prorrogações desde o regresso dos reféns de Gaza, dando-lhe vantagem no processo legal (...). É como se não quisessem permitir que os pais palestinianos se despedissem", disse Muna Haddad, advogada associada da Adalah, à EFE, referindo-se a vários processos que foram bloqueados até ao momento.

Questionado pela EFE, um porta-voz militar afirmou que os corpos de Ahmad al-Salah e Mohamad al-Alyan Issa permanecem em "instalações" do Exército e que há uma investigação em curso pelos serviços de informações interno (Shin Bet).

O porta-voz acrescentou que um dos rapazes era um "terrorista", recusando-se comentar a política de retenção de cadáveres.

Desde o início da ofensiva militar contra a Faixa de Gaza, em outubro de 2023, Israel deteve mais de 9.000 palestinianos, a maioria sem acusação formal ou data de julgamento marcada. O país detém ainda os corpos de 98 destes, que morreram sob custódia israelita.

Durante este período, Israel repatriou um total de 900 corpos para Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde local, num processo caótico que envolveu contentores com corpos não identificados e em decomposição, alguns com sinais de tortura, e sem detalhes sobre as suas detenções ou mortes.

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