Cortes em perspetiva na Volkswagen: E a Autoeuropa em Portugal?
O Grupo Volkswagen tem de "apertar o cinto" para garantir um futuro sustentável e de crescimento, devido às várias pressões que enfrenta - incluindo a forte quebra na China, um dos seus principais mercados.
Já é oficial que a gama de modelos será cortada em 50 por cento, enquanto os rumores apontam para o possível encerramento de fábricas na Alemanha e o corte em até 100 mil empregos nos próximos anos.
Em Portugal, o fabricante está presente com a Autoeuropa. A questão impõe-se: poderá a unidade de Palmela ser afetada por eventuais cortes?
O Auto ao Minuto contactou o departamento de comunicação, que nos esclareceu que, neste momento, não poderá dar uma resposta acerca do assunto.
Lá, já é produzido o novo T-Roc. E será também fabricado o futuro modelo de produção resultante do ID. Every1, previsivelmente a partir do próximo ano - para já, só se conhece o "concept". Este é um elétrico de baixo custo, que deverá custar algo a rondar os 20 mil euros.
Mais produção, menos funcionários
Conforme foi noticiado pela imprensa nacional há cerca de um ano, o Governo apoia a produção em 30 milhões de euros, sendo este o primeiro Volkswagen elétrico fabricado em solo nacional. De resto, está atualmente em curso "um dos maiores planos de investimento" da história da empresa, num total de 600 milhões de euros - incluindo uma nova Prensa XL e uma nova oficina de pintura.
No ano passado, saíram das linhas de montagem da Autoeuropa 240.400 automóveis, naquele que foi o segundo melhor ano de sempre. O volume de vendas manteve-se nos 3,8 mil milhões de euros, apesar do ligeiro aumento de produção (cerca de quatro mil unidades). A exportação representa 99 por cento da produção.
Nos últimos anos, o número de trabalhadores na Volkswagen Autoeuropa tem diminuído: de um pico de 5.912 em 2017, a descida tem vindo a ser gradual todos os anos, até 4.803 no fim de 2025.
Mercado e ajustes nas operações
Como é natural, o mercado ditará em muito o que irá acontecer. Para manter a atividade intacta, qualquer fábrica - seja em Portugal ou noutro país - tem de ser rentável e estar em conformidade com as necessidades de mercado. Por isso, para já, a Autoeuropa está dependente do desempenho do T-Roc.
Sobre o assunto, o comunicado da Volkswagen na semana passada foi claro: "O Grupo vai alinhar a sua rede de produção com o ambiente de mercado alterado e a concorrência cada vez mais intensa. O objetivo entre todas as marcas é um nível adequado de procura de cerca de nove milhões de unidades por ano. Antes da pandemia da Covid-19, a empresa investiu para cerca de 12 milhões de veículos e já fez um progresso significativo com uma redução de dois milhões de unidades. Seguir-se-ão mais passos na China e na Europa".
Ora, fazendo a Autoeuropa parte da rede de produção da Volkswagen, poderá não passar incólume a eventuais ajustes das capacidades existentes ou a um reajuste na gama: está previsto o corte de 50 por cento dos modelos, com o foco em segmentos competitivos. Mas, neste momento, não há quaisquer indicações concretas oficiais sobre o que acontecerá nestes âmbitos.
Por outro lado, haverá uma maior aposta na "digitalização, inteligência artificial e serviços partilhados", com o intuito de aumentar a produtividade e acelerar os processos.

Volkswagen faz cortes drásticos na gama de automóveis e nas opções
O Grupo Volkswagen reestrutura-se para enfrentar os desafios que tem pela frente de forma sustentável - o que inclui cortes drásticos na gama de modelos, tal como nas opções de equipamento para os automóveis.
Bernardo Matias | 15:05 - 10/07/2026