Criação de universidade em Bragança revela "ausência de estratégia"
A Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP) manifestou-se, esta quinta-feira, descontente com o recente anúncio do primeiro-ministro sobre a criação da Universidade de Bragança e do Norte Interior "sem qualquer auscultação do setor do ensino superior".
O primeiro-ministro anunciou, no passado domingo, no encerramento da 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, a criação de uma nova Universidade de Bragança e do Norte Interior e um novo regime de autonomia e governação das escolas, numa intervenção totalmente centrada na educação e na ciência.
"Vamos criar uma nova universidade: a Universidade de Bragança e do Norte Interior, que vai ser o culminar do processo de transformação da Universidade Politécnica de Bragança", disse.
O anúncio foi acolhido com entusiasmo pelo presidente do politécnico, pela comunidade Intermunicipal e pela Câmara de Bragança, mas a FNAEESP vem agora criticar que o setor do Ensino Superior não tenha sido ouvido, consultado ou sequer informado com antecedência sobre uma decisão desta natureza.
Numa nota de imprensa enviada hoje às redações, a federação critica que continuem por esclarecer os critérios objetivos desta transformação e considera "esta forma de decidir sobre o futuro do ensino superior português profundamente lesiva do princípio da participação institucional".
"Até ao momento, não é conhecido qualquer parecer do Conselho Coordenador do Ensino Superior (CCES), do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e das estruturas representativas dos estudantes sobre esta transformação, o que constitui uma grave omissão num processo que deveria ser participado e tecnicamente fundamentado", sustenta.
As associações de estudantes do Ensino Superior Politécnico defendem que o sinal dado pelo Governo, com este anúncio, foi o de que o Instituto Politécnico de Bragança se tornaria Universidade Politécnica de Bragança "para, cerca de quinze dias depois, anunciar que essa mesma instituição passaria, afinal, a universidade clássica".
"Este avanço em tão curto espaço de tempo não é apenas revelador de uma ausência de estratégia de médio e longo prazo para o sistema de ensino superior português. É, também, um sinal de profunda incerteza lançado sobre as expectativas das famílias, dos estudantes e da própria sociedade da região, que veem a instituição mudar de identidade quase de um dia para o outro, sem que se compreenda qual o rumo que, de facto, está a ser seguido", sublinha a federação, que defende ainda que "qualquer decisão sobre a arquitetura do sistema de ensino superior português deve ser tomada com base em critérios claros, transparência e, sobretudo, a auscultação efetiva de todos os agentes do setor".
O Instituto Politécnico de Bragança, no início do mês de agosto, passou para Universidade Politécnica.
No domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que vai ser criada a Universidade de Bragança e do Norte Interior.
A Universidade Politécnica de Bragança é composta por seis escolas: a Escola de Saúde, a Escola de Educação, a Escola Agrária e a Escola de Tecnologia e Gestão, em Bragança, a Escola de Comunicação, em Mirandela, e a Escola de Hotelaria e Bem-estar, em Chaves. Acolhe cerca de 10 mil estudantes, dos quais 30% são estrangeiros.

"É precisa disponibilidade e cada um assumir as suas responsabilidades"
Luís Montenegro discursou no encerramento da Universidade de Verão do PSD, este domingo, em Castelo de Vide, Portalegre. O presidente do PSD focou o seu discurso nas áreas da educação, da ciência e da inovação - e fez referência ao processo dos exames nacionais.
Andrea Pinto com Lusa | 12:24 - 30/08/2026