Comandante de Boeing relembra preconceito de colega | G1
Nascida em Goiânia e criada no campo, Tati recordou em publicação na internet que o desejo de pilotar aviões surgiu ainda na infância. Segundo ela, a meta parecia quase inalcançável diante da realidade simples em que vivia no interior de Goiás, em Mozarlândia.
Ao relembrar o início da carreira na aviação, a comandante destacou que o maior obstáculo não estava no aprendizado técnico, mas sim na resistência do mercado em aceitar mulheres no comando das aeronaves.
"O difícil nunca foi o céu, eu era uma mulher numa profissão de homem. Perdi trabalho porque a esposa do patrão não queria mulher pilotando. Aí, numa campanha política no Tocantins, um comandante olhou para mim e disse: 'Desiste. Você não tem força para ser piloto'. Eu engoli o choro e continuei", relatou.
Criada na roça, comandante de Boeing que faz sucesso na web relembra preconceito de colega: ‘Quase me fez desistir de tudo’ — Foto: Reprodução/Instagram de Tati Piloto
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Escolha do curso
O primeiro passo para realizar o sonho aconteceu por causa da irmã mais velha, que achou um curso para ser piloto de avião em uma lista de faculdades. Tati fez o curso e disse que nunca esqueceu como foi seu voo solo, momento durante a formação em que o estudante voa sozinho pela primeira vez.
"Estar aqui, na cabine, com quatro faixas no ombro, é a prova de que sonhos podem, sim, virar realidade", comemora.
Após publicar os vídeos nas redes sociais, a piloto começou a receber mensagens de diversas mulheres que tinham desistido do sonho de ser piloto de avião, mas que haviam decidido que tentariam de novo depois de ver a história dela.
"Aquela menina da roça nunca imaginou isso aqui. Hoje, são dois milhões de pessoas aqui me acompanhando e eu continuo a mesma, que senta no chão para comer, que tira o leite da vaca quando vai para a roça, uma pessoa normal que faz uma coisa diferente", disse ela.
Tati ainda contou que pilotou muitos aviões como Aero Boero, Sêneca e Corisco são algumas das aeronaves que já passaram pelas mãos da piloto.
Maternidade
A comandante contou que seu maior desafio não estava na aviação. Tati é mãe de dois filhos que foram diagnosticados com autismo, um deles durante a pandemia de COVID-19. Segundo Tati, a maternidade a levou a começar a trabalhar com internet.
"Meus dois filhos são autistas e a terapia pros dois custa caro. Foi por isso que eu comecei a gravar. Eu entrei na internet para pagar a terapia dos meus filhos", conta.
Em seu perfil, Tati faz vídeos sobre como a segurança em voos durante tempestades, curiosidades sobre o funcionamento de aeronaves e até explicação de incidentes e acidentes aéreos, além de sua rotina como piloto.
Tati ao lado de um Boeing 747 — Foto: Reprodução/Instagram de Tati Piloto
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