Crítica: 100 Dias retrata os desafios de Amyr Klink dentro e fora do mar
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Filme de Carlos Saldanha vai além da travessia de Amyr Klink e explora os conflitos familiares por trás da jornada de 100 dias remando
14/10/2026 02:00

Rio de Janeiro — Em meio a tantas histórias marcantes de personalidades brasileiras, a de Amyr Klink nem sempre recebe a atenção que merece. Em 1984, o navegador se tornou o primeiro a cruzar o Atlântico Sul a remo, em uma jornada solitária que durou 100 dias. Inspirado no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, escrito pelo próprio velejador, 100 Dias acompanha a travessia e explora como a experiência transformou a relação de Amyr com ele mesmo e com a família.
À primeira vista, o longa dirigido por Carlos Saldanha (A Era do Gelo e Rio) pode parecer apenas a história de um homem que realizou o que muitos consideravam impossível. No entanto, a travessia é apenas uma parte da história. Ao alternar os acontecimentos no mar com lembranças e conflitos familiares, o filme mostra como a decisão de Amyr, interpretado por Filipe Bragança, repercute também na vida de quem ficou em terra firme.

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Em 100 Dias, narra a solitária jornada de Amyr Klink, navegador se tornou o primeiro a cruzar o Atlântico Sul a remo
Fabio Braga/Pivô Audiovisual

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Em 100 Dias, Filipe Bragança interpreta Amyr KlinkO longa metragem produzido pelo Ventre Studio, dedicado à criação de narrativas singulares com energia para desenvolver, financiar, produzir e distribuir conteúdo premium para diversos territórios. (Foto: Fabio Braga/Pivô Audiovisual) DIVULGAÇÃO.
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Filipe Bragança e Philippine Leroy-Beaulieu no filme 100 dias
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Filipe Bragança e Felipe Camargo no filme 100 dias
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João Vitor Silva interpreta Tymur, irmão de Amyr Klink no filme 100 dias
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É nesse contexto que a relação com o pai Jamil, vivido por Felipe Camargo (Além do Tempo), ganha bastante espaço narrativo na trama. Mais resistente à decisão do filho, ele representa o receio diante de uma jornada arriscada e aparentemente distante da realidade. Já Asa Klink, interpretada por Philippine Leroy-Beaulieu (Emily em Paris), acompanha a partida com o desejo de ver o filho voltar em segurança, enquanto o irmão, Tymur, vivido por João Vitor Silva (O Agente Secreto), oferece apoio à decisão.
Ao apresentar essas diferentes reações, 100 Dias amplia o olhar sobre uma aventura que, por natureza, foi solitária. A travessia pertence a Amyr, mas as dúvidas, os medos e as expectativas em torno dela são compartilhados por toda a família. Para quem leu o livro que inspirou o filme, esse recorte acrescenta uma perspectiva sobre as relações do navegador que não ocupa o mesmo espaço nos relatos escritos pelo próprio velejador.
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Enquanto desenvolve esses conflitos, o longa também encontra na experiência em alto-mar algumas de suas sequências mais bonitas. A solidão dos dias de navegação, o contato com os animais marinhos e a imensidão do oceano ajudam a dimensionar o desafio enfrentado pelo protagonista. Os encontros com golfinhos, tubarões, peixes e baleias dão vida a esse universo e criam momentos de contemplação que contrastam com a tensão da travessia.
Contudo, embora algumas cenas consigam transmitir a beleza e a grandiosidade do oceano, outras, especialmente as que mostram Amyr remando, deixam a desejar na execução, enfraquecendo a imersão daquela viagem que estava sendo construída.
Para além da realização de um sonho do protagonista, 100 Dias é um filme sobre coragem de perseguir objetivos aparentemente impossíveis e também sobre as pessoas que, de alguma forma, fazem parte dessas escolhas.
Ao aproximar a aventura dos conflitos familiares, o filme propõe uma reflexão sobre o que leva a perseguir os sonhos mais íntimos e sobre as consequências dessas escolhas para quem está ao nosso redor. O filme estreia nas cinemas brasileiros em 29 de outubro.
*A repórter viajou a convite do Festival do Rio.