Da acusação de violação à orelha arrancada. Série documental sobre Mike Tyson chega à Netflix
Mike Tyson é uma das figuras mais conhecidas e controversas da história do boxe, mas a vida fora do ringue também ficou marcada por polémicas, processos judiciais e episódios de violência. Esta terça-feira, 13 de outubro, a Netflix estreia “Tyson”, uma série documental de quatro episódios que revisita a trajetória do antigo campeão mundial dos pesos-pesados.
Realizada por Floyd Russ, responsável por produções como “Untold: Malice at the Palace” (2021) e “American Manhunt: The Boston Marathon Bombing” (2023), a série acompanha os momentos mais conturbados da vida pessoal e a forma como olha hoje para o passado. O documentário conta com testemunhos do próprio e de pessoas próximas.
Nascido em 1966, em Brooklyn, Nova Iorque, Tyson teve uma infância difícil e começou a envolver-se em problemas com a justiça ainda em criança. A entrada no mundo do boxe acabou por mudar o rumo da sua vida. Orientado pelo treinador Cus D’Amato, tornou-se, aos 20 anos, o mais jovem pugilista a conquistar o título mundial de pesos-pesados, em 1986. Entre 1987 e 1990, foi campeão mundial indiscutível da categoria, consolidando uma reputação construída à base de força, velocidade e combates terminados por knockout.
Mas o sucesso desportivo não impediu que a vida do atleta fosse marcada por episódios controversos. Em 1992, foi condenado por violação de Desiree Washington, então com 18 anos, e sentenciado a seis anos de prisão. Tyson cumpriu menos de três anos e continua a negar o crime. O caso tornou-se um dos episódios mais graves da sua vida pública.
O documentário também mostra a relação com a atriz Robin Givens, que foi alvo de intensa atenção mediática no final dos anos 80. Durante o casamento, Givens falou publicamente de comportamentos abusivos e de uma relação marcada pelo medo, enquanto Tyson contestou algumas das acusações que lhe foram dirigidas.
Outro dos momentos mais conhecidos da carreira aconteceu em junho de 1997, durante o combate contra Evander Holyfield. Num dos episódios mais insólitos da história do boxe, Tyson mordeu a orelha do adversário durante o combate, chegando a arrancar-lhe um pedaço.
Foi desqualificado e suspenso, num incidente que deu a volta ao mundo e ficou associado para sempre ao seu nome. Na série, o próprio Tyson revisita o episódio e admite sentir vergonha quando fala sobre o que aconteceu.
A produção tem quatro episódios de cerca de uma hora cada e aborda ainda os problemas financeiros, o consumo de drogas e álcool, as perdas pessoais e a tentativa de reconstruir a vida depois de anos de excessos e controvérsias.
Em vez de se concentrar apenas nos títulos e nas vitórias, “Tyson” procura mostrar as contradições de uma figura que alcançou o topo do desporto mundial e cuja história continuou a ser marcada por decisões com consequências profundas.
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