Da bike das Superpoderosas ao sonho olímpico Duda Penso brilha no BMX | Ge

🗓️ 2026-07-17 📁 sports 📝 ⏱️ 👁️ : -

Líder do ranking nacional, Duda é pioneira do BMX Freestyle feminino no Brasil e dona da melhor colocação de uma brasileira na história do ranking mundial da modalidade, com o sexto lugar, em 2025. Agora, ela mira uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, em busca da maior conquista da carreira.

– O objetivo é manter e melhorar o resultado que a gente conseguiu na última temporada. Foi o primeiro ano pós-olímpico, ficamos muito felizes em começar com o pé direito, fechando o top-6. A meta é fazer um bom ciclo, fortalecendo os treinamentos aqui em Maringá - disse Duda, ao ge.

Aos 26 anos, Duda vive a melhor fase da carreira. No ano passado, ela conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos e levantou mais um título do Campeonato Brasileiro, consolidando-se como principal nome da modalidade no país.

Duda Penso, do BMX, com sua primeira bicicleta — Foto: Arquivo pessoal

Da bicicleta das Superpoderosas à seleção

Bem antes das competições internacionais e dos títulos, tudo começou em uma pista de skate na esquina da casa da avó, em Francisco Beltrão. Lá Duda encontrou uma pista de skate e resolveu se aventurar.

– Eu gostava de esportes radicais. Vi um pessoal andando e decidi ir lá com a minha bike das Superpoderosas. A partir dali, naquelas primeiras rampinhas, brincando na rua com os vizinhos, começou uma paixão que eu nem sabia que tinha um nome – relembrou.

Com o passar dos anos, Duda começou a acompanhar vídeos de BMX, descobriu a modalidade e também que tinha uma bicicleta específica para praticar o esporte.

– Eu juntei dinheiro e comprei a minha primeira bike de BMX. Iniciei na modalidade com 12 para 13 anos. Mas, sempre digo que a minha carreira profissional iniciou mesmo aos 17 anos, quando tive a minha primeira convocação para a Seleção Brasileira – comentou.

Duda Penso no Pan de BMX Freestyle Park, em 2025 — Foto: Mikeila Pelayes/CBC

Vencendo preconceitos e abrindo caminhos

Quando Duda começou no BMX, a realidade era bem diferente da atual. Em muitos treinos, ela era a única mulher entre dezenas de homens. Hoje, vê o crescimento da modalidade feminina como uma das maiores conquistas da carreira.

– Eu andava com uns 30 meninos quando comecei. Geralmente eu era a única menina. Eu fico muito feliz em ver essa crescente do esporte, principalmente do público feminino. Isso mostra para essa nova geração que é possível ser mulher e viver de um esporte que a maioria dos praticantes são homens – falou Duda.

Os resultados conquistados ao longo dos anos também fizeram Duda assumir um papel de referência para quem está começando. Para ela, a evolução da modalidade vai além das medalhas.

– Eu me sinto extremamente honrada e abençoada de viver do que eu amo e ser um espelho para novas gerações. Eu fico feliz em saber que as meninas provavelmente não vão passar por discriminações que a gente enfrentou lá atrás para ganhar esse espaço – pontuou Duda.

Duda Penso em etapa da Copa do Mundo de BMX Freestyle Park, em Montpellier, na França — Foto: Mikeila Pelaez/CBC

Sonho olímpico em dose dupla

A caminhada rumo a Los Angeles é dividida diariamente com o namorado Gustavo "Bala Loka", sexto colocado nos Jogos Olímpicos de Paris e também multicampeão brasileiro. O casal está junto há dois anos, mas a amizade iniciou bem antes, justamente pela bike.

— A gente se conheceu pela bike, começamos juntos e éramos melhores amigos. Sempre brincamos um com o outro que, se no fim das contas ficássemos sozinhos, a gente casaria. Chegou um momento em que o sentimento falou mais alto. Ele me pediu em namoro antes das Olimpíadas – revelou Duda.

— Eu falo que não tinha como dar errado. Os dois se amam e amam o mesmo esporte. A gente divide os mesmos sonhos e, se Deus quiser, vamos conseguir estar juntos nos próximos Jogos Olímpicos. É o nosso maior objetivo e vamos caminhar de mãos dadas até lá – destacou.

Duda Penso no Pan de BMX Freestyle Park, em 2025 — Foto: Mikeila Pelayes/CBC

Brasileiro de BMX Freestyle

A competição vai até domingo, no Centro de Treinamentos de BMX Freestyle Park de Maringá, uma das principais pistas do país, reunindo cerca de 70 atletas em mais de dez categorias.

— A gente roda o mundo, temos muitas competições internacionais. Mas quando é no Brasil, tem um gostinho diferente. A torcida é calorosa, algo que só tem aqui. E, sem dúvidas, competir no Paraná é melhor ainda – disse ao ge.

A trajetória que começou com uma bicicleta das Superpoderosas, nas ruas da avó em Francisco Beltrão, hoje passa pelas pistas de Maringá e do mundo, tendo como destino Los Angeles 2028. Tudo isso com a esperança de inspirar outras meninas a acreditarem que também existe espaço para elas no BMX Freestyle e em outros esportes.

*Com a colaboração de Nicole Heinzen, estagiária do ge.globo/pr, com a supervisão de Rodrigo Saviani.