Análise: Vantagem curta de Flávio, caminho longo para Lula - 08/10/2026 - Política - Folha
O segundo turno começa com uma vantagem estreita de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) e tarefas de dimensões diferentes para os dois candidatos. A nova pesquisa Datafolha indica que o senador tentará se segurar no apoio que consolidou em regiões e grupos diversos, enquanto o presidente precisa buscar mais votos fora do Nordeste e ampliar vantagem em segmentos próximos do petismo.
O resultado vai depender de quem consegue convencer os eleitores que ainda não se fecharam: os que não rejeitam nenhum dos dois candidatos e os que não se alinham automaticamente a nenhum dos lados. As duas campanhas vão gastar energia nesse território até 25 de outubro.
Pontos-chave
- Flávio chega ao segundo turno com a maior fatia dos votos dos candidatos derrotados e consegue melhorar o desempenho fora de segmentos tipicamente bolsonaristas.
- A campanha de Lula aposta no alerta sobre cortes em programas e benefícios para ampliar espaço entre eleitores mais pobres e beneficiários do Bolsa Família, grupos em que a vantagem do presidente encolheu em relação a 2022.
- A disputa pode mudar se houver movimentos de uma fatia pequena de eleitores: os 8% que não rejeitam nenhum dos dois candidatos.
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Pesquisa espontânea 46% Flávio 44% Lula |
Recebe Bolsa Família 59% Lula 35% Flávio |
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De 16 a 24 anos 50% Flávio 43% Lula |
Acima de 60 anos 50% Lula 46% Flávio |
As bases da vantagem de Flávio
Os números positivos de Flávio Bolsonaro no lançamento do segundo turno se espalham por diversos recortes. O senador consegue uma frente em grupos tipicamente bolsonaristas, mas também colhe os votos de eleitores que evitaram um alinhamento firme na primeira etapa da disputa.
- Flávio puxa a maior fatia dos votos dos candidatos que ficaram pelo caminho no primeiro turno, herdando 46% dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Lula fica com 32%.
- O senador abriu uma vantagem de oito pontos sobre o petista no Sudeste e segue dominando as regiões Sul, Centro-Oeste e Norte. Lula lidera no Nordeste, numa maré que garante a ele uma vantagem de 26 pontos por ali.
- Lula preserva uma vantagem de 11 pontos entre os mais pobres, que representam cerca de metade do eleitorado. Na outra metade, que inclui a classe média e eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, Flávio tem um domínio de 17 pontos.
- O bolsonarista também conseguiu espalhar votos por várias faixas etárias e avançou entre os mais jovens, enquanto o presidente só vai melhor entre os mais velhos.
A vantagem é de Flávio, mas ainda no limite da margem de erro. Na pesquisa espontânea, em que os nomes da dupla não são apresentados, a diferença é menor: 46% a 44%.
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A cartada de Lula
A campanha de Lula decidiu investir no discurso de preservação de programas e benefícios sociais, soando um alerta para cortes no Orçamento de um eventual governo Flávio. Um dos focos do petista é uma expansão no eleitorado que vive com aposentadoria e Bolsa Família.
A estratégia mira o eleitor que depende de benefícios, mas não está satisfeito com o governo. No caso do público atendido pelo Bolsa Família, a soberania que mantinha nesse segmento já não tem a mesma dimensão de antes.
- A pesquisa mostra que 31% dos eleitores que recebem o benefício dizem que não votam em Lula de jeito nenhum. Flávio é muito mais rejeitado (57%), mas a oposição ao petista garante ao senador cerca de um terço das intenções de voto desse grupo. O discurso do risco busca converter justamente essa parcela.
- A gordura de Lula entre os mais pobres já foi maior. Em 2022, o petista batia Jair Bolsonaro nessa faixa por 54% a 37%. Agora, ele tem 52% contra 41% de Flávio.
Os votos em disputa
Num segundo turno entre dois candidatos de rejeição alta, a disputa pode ser decidida por um contingente de eleitores que ainda não se fechou em nenhum dos lados. A pesquisa mostra dois segmentos nessa situação: um reduzido grupo que não rejeita nenhum dos dois candidatos e aqueles que não se alinham ao petismo nem ao bolsonarismo.
Na rejeição, 46% dizem que só não votam em Lula, 43% se recusam a votar apenas em Flávio, e outros 3% rejeitam os dois. Sobram 8% que não rejeitam nenhum candidato. São eleitores sem barreira prévia a nenhum dos lados, o que os torna, em tese, os mais abertos ao convencimento.
Entre os eleitores não alinhados (aqueles que dizem não ser petistas nem bolsonaristas), 23% declaram voto em branco ou nulo, ou não sabem em quem votar. É outro contingente em disputa, que também pode alterar o resultado.