Datafolha: 56% dizem que iriam votar mesmo sem obrigação - 23/08/2026 - Política - Folha

🗓️ 2026-08-23 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Mais da metade dos brasileiros (56%) diz que iria votar nas eleições de 2026 mesmo se o voto não fosse obrigatório no Brasil, mostra pesquisa Datafolha. Já 43% afirmam que não votariam, e apenas 1% não soube responder.

O levantamento foi realizado de terça (18) a quarta (19), com 2.058 entrevistas no Brasil, distribuídas em 128 municípios, com a população de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04496/2026 e foi encomendada pela Folha e pela TV Globo.

A disposição de votar mesmo sem obrigatoriedade é numericamente a maior já registrada na série histórica do Datafolha, iniciada em 1989.

O índice subiu 15 pontos percentuais em 11 anos. Em junho de 2015, em meio à crise no governo Dilma Rousseff (PT) e às ações da Operação Lava Jato que atingiram boa parte da classe política, 41% dos entrevistados diziam que iriam às urnas voluntariamente, o menor patamar da série, junto com o ano anterior.

O nível de abstenção das últimas eleições gerais foi de 20,9% e, em 2018, de 20,3%, ambos no primeiro turno, segundo o TSE.

Os índices, considerados altos pela Justiça Eleitoral, preocupam especialistas porque a abstenção costuma recair de maneira desigual entre os segmentos e pode sinalizar cidadãos mais desestimulados a participar do processo democrático.

De fato, o Datafolha mostra que a disposição de votar mesmo sem obrigatoriedade é mais alta entre homens (59%, ante 53% entre mulheres), entre eleitores com 60 anos ou mais (61%, ante 48% dos jovens), e entre os de maior renda (75%, ante 49% na faixa de até dois salários mínimos). Já entre eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro, os índices são semelhantes.

O levantamento mostra, ainda, que 61% dos brasileiros dizem ter médio (38%) ou grande (23%) interesse em política, enquanto 12% declaram interesse pequeno. Assim como o interesse em votar, o índice é mais elevado entre os mais escolarizados e os de renda mais alta.

A obrigatoriedade do voto no Brasil é prevista na Constituição, para maiores de 18 anos, como forma de garantir a soberania popular, segundo o texto da Carta Magna. Maiores de 70, jovens de 16 e 17 anos e analfabetos têm voto facultativo.

Atualmente, quem não aparece para votar nem justifica a ausência fica sujeito a uma multa de R$ 3,51 por turno, além de não conseguir retirar passaporte e prestar concurso público, entre outras consequências.

O cancelamento do título de eleitor ocorre após três ausências não justificadas.

O voto é obrigatório no país desde 1932, no primeiro governo de Getúlio Vargas. A obrigatoriedade foi mantida no Código Eleitoral atual, de 1965. Desde 1846, no período imperial, já eram previstas multas a quem faltasse nas votações para vereadores e juízes de paz.

O voto é opcional nos Estados Unidos e na maior parte dos países da União Europeia, como exceções como a Bélgica.

Na América Latina, a obrigatoriedade é comum e está presente, além do Brasil, na Argentina, Chile, Uruguai e Peru, entre outros.

De forma geral, opositores do voto obrigatório argumentam que a regra estimula o coronelismo em regiões mais pobres, com troca de voto por benefícios, e transforma em dever um direito individual, desvirtuando-o.

Defensores da obrigatoriedade, por outro lado, dizem que ela consolida práticas democráticas, algo ainda mais relevante em países como o Brasil, que passaram por ditadura, e amplia a legitimidade de governantes eleitos.