Datafolha: aliados dos candidatos falam em estabilidade - 11/09/2026 - Política - Folha

🗓️ 2026-09-12 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Aliados do presidente Lula (PT) e do candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro, avaliam que a pesquisa Datafolha desta sexta-feira (11) ainda não refletiu completamente os impactos da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e das novas informações do caso Master.

O sigilo de boa parte das investigações foi retirado pelo ministro André Mendonça entre a noite de quinta-feira (10) e esta sexta.

Bolsonaristas afirmam estar otimistas com o crescimento de Flávio no primeiro turno, mesmo dentro da margem de erro, e dizem que o desgaste enfrentado pelos ministros do STF ainda deve afetar o desempenho de Lula.

Auxiliares do presidente, por sua vez, apostam em uma fragilização da candidatura do senador na expectativa de que venham à tona novas provas de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Petistas pretendem ainda explorar o fato de Flávio ter se tornado alvo de inquérito por determinação de Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.

A pesquisa mostra que o senador marca 35% na primeira etapa da disputa, ante 39% de Lula. Na rodada anterior, há uma semana, o placar era de 33% a 38%, respectivamente. Na simulação de segundo turno, os índices foram os mesmos 46% para o petista e 44% para o bolsonarista, indicando um empate técnico. O levantamento foi realizado entre terça (8) e quinta.

Após a crise deflagrada no Supremo, com a disputa de Alexandre de Moraes e Flávio Dino com André Mendonça, a campanha de Flávio passou a demonstrar publicamente confiança em uma vitória, inclusive no primeiro turno.

Agora, a expectativa de aliados do bolsonarista é a de que o impacto da crise do Judiciário sobre o eleitorado se amplie nos próximos dias, com efeitos negativos para Lula.

Um integrante da campanha de Flávio afirma que o eleitor está triste com o noticiário político e vê no senador uma oportunidade de mudança generalizada.

Flávio tem associado Lula a Moraes em seus discursos, na tentativa de atingir o petista por meio da revelação das mensagens entre o ministro e Vorcaro.

Ao mesmo tempo, a campanha do senador minimiza a troca de mensagens entre ele e o dono do Master e vê pouco efeito no fato de o candidato ser formalmente investigado no STF pelo repasse milionário do banqueiro ao filme "Dark Horse".

Bolsonaristas dizem ainda esperar que Flávio se beneficie de um movimento de voto útil antes do primeiro turno —a migração de votos dos candidatos de centro-direita poderia fazer com que ele ultrapassasse Lula.

Interlocutores de Lula temiam que os números do Datafolha registrassem variações negativas, com o afastamento do diretor-geral da PF. Eles enxergavam na decisão uma ameaça de interferência de Mendonça nas eleições.

Aliados petistas se dividem, no entanto, sobre o impacto que a derrubada de sigilo possa causar às eleições. Um dos argumentos é o de que não se deve confiar na disposição de Mendonça de investigar a atuação de Flávio no escândalo Master, uma vez que não houve nem operação de busca e apreensão contra o senador.

"Esse é um tipo de revelação que deve gerar efeito nas intenções de voto, pois desmascara a hipocrisia entre a realidade concreta dos fatos e o que era dito na propaganda e discurso eleitoral", diz Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT.

Alguns petistas alertam para o risco de comemorar a abertura de inquérito sem investigações. Um inquérito que não apresente provas contra Flávio poderá pesar a favor de sua candidatura.

Na condição de anonimato, um petista lembra que o senador se manteve competitivo mesmo depois da revelação de uma conversa em que pede milhões a Vorcaro. Na avaliação desse interlocutor de Lula, a relação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro já produziu efeitos políticos.

Como mostrou a Folha, a equipe de campanha do presidente já pedia a abertura do sigilo do caso "Dark Horse". Agora, a diretriz é reforçar manifestações que destaquem os vínculos do rival com as fraudes de Daniel Vorcaro.

Publicamente, os aliados do petista usaram a decisão de Fachin para enfatizar a presença de Flávio nas investigações da Polícia Federal. Na quinta (10), o próprio presidente Lula afirmou, em entrevista ao SBT, querer quebra de sigilo para todos os envolvidos.

Nesta sexta (11), o perfil do presidente nas redes sociais fez uma publicação de propaganda eleitoral com a mensagem "Abertura total do sigilo. Quem não deve não teme".

O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) cobrou que Flávio preste contas sobre os gastos com o filme "Dark Horse". A linha foi seguida por petistas e demais integrantes do governo. Responsável pela articulação política do governo, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais), questionou para onde foi o dinheiro do filme que teria sido desviado pelo senador.

"É preciso saber o que aconteceu nos bastidores, para onde foi o dinheiro e se houve qualquer contrapartida ou desvio", escreveu Guimarães nas redes sociais.

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O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, afirmou que podem surgir fatos com peso político e que essa hipótese não pode ser menosprezada, mas que é pouco provável que eles tenham mais peso do que o que já se sabe.

"Nada pode ser mais grave que um candidato a presidente da República, senador, pedir mais R$ 100 milhões para um banqueiro que quebrou um banco e prejudicou milhares de brasileiros", declarou. "Nosso trunfo é o nosso candidato. De um lado temos um estadista, do outro tem um miliciano", afirmou o advogado.

Para ele, o afastamento de Andrei da PF é de pouco impacto eleitoral. Ele avalia que, se o episódio interferir nas pesquisas, deverá pesar a favor de Lula, por entender que as pessoas associam o petista ao diretor-geral, defendido publicamente pelo presidente.

Aliados e integrantes da campanha de Flávio minimizaram o desgaste da quebra de sigilo, afirmando que o caso "Dark Horse" já é conhecido e que é improvável a existência de algo novo.

Nos bastidores, porém, admitem que seria melhor que o senador não estivesse na condição formal de investigado, o que deve ser explorado pelos adversários.

O deputado federal Evair de Melo (PP-ES) diz que Flávio ficará ainda maior quando houver a divulgação de todos os documentos relacionados ao Master porque não tem o que temer. "Transparência é nossa bandeira", diz.

O candidato do PL se recusa a prestar contas sobre o repasse feito por Vorcaro ao filme. A campanha tem resumido a prestação de contas a uma perícia privada feita pela própria produtora, recusando-se a mostrar o contrato com o Master, a planilha de gastos ou mesmo os demais investidores.

Documentos que tiveram o sigilo retirado pelo STF nesta sexta apontam que Flávio era interlocutor direto de Vorcaro na captação de dinheiro para o filme. Eduardo Bolsonaro atuava como gestor.

Durante agenda em Manaus nesta sexta, Flávio disse que o assunto é requentado e está sendo usado como cortina de fumaça no momento em que ele começa a aparecer empatado com Lula em pesquisas de intenção de voto.