Deborah Evelyn quebra o silêncio sobre testamento de Dennis Carvalho

🗓️ 2026-08-07 📁 entertainment 📝 ⏱️ 👁️ : -
O diretor Dennis Carvalho -
O diretor Dennis Carvalho e a atriz Deborah Evelyn - (Bob Paulino/TV Globo)

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Escolhida como inventariante no testamento de Dennis Carvalho (1947-2026), caso revelado com exclusividade pela coluna GENTE, Deborah Evelyn, 60 anos, voltou ao noticiário nas últimas semanas por um motivo distante da dramaturgia. Discreta, a atriz evita comentar o tema, mas destacou para a coluna que o vínculo construído ao longo de mais de duas décadas de relacionamento permaneceu intacto mesmo após a separação. Na conversa, ela afirma que eram uma família e relembra a relação de confiança que manteve com o diretor. Ainda no bate-papo, Deborah também fala sobre a nova fase na TV, a construção da vilã Carmita em Quem Ama Cuida, novela das 9 da Globo escrita por Walcyr Carrasco e Cláudia Souto, e explica por que as antagonistas são suas personagens favoritas.

Você vive uma perua em Quem Ama Cuida com princípios duvidosos. Seria ela mais uma vilã no seu portfólio? Ela não é a vilã-mor, mas é no sentido da sua moral muito questionável. O que ela acha que é certo, quais são os valores dela… São diametralmente opostos aos meus. Então, para mim, ela é uma vilã.

Que referências usou na construção da Carmita? Eu reli Coisa de Rico e vi alguns documentários sobre o tipo de golpe que ela sofre, como O Golpista do Tinder (série da Netflix sobre israelense que enganou mulheres ao se passar por um filho de magnata). É muito impressionante como as mulheres caem nisso. O que, de alguma maneira, tem relação com o machismo intrínseco que a gente vive. A gente se questiona: nós, mulheres, estamos avançando em muitas coisas, mas ainda existe a dependência emocional de achar que precisamos ter um homem ao lado. E aí não percebemos os sinais de que aquilo é uma relação tóxica. 

A trama do golpe amoroso tem gerado identificação do público? Que tipo de retorno você tem recebido? Venho recebendo muito retorno sobre essa história do golpe que Carmita sofre do namorado. As pessoas contam que já passaram por isso, ou que uma prima, uma amiga ou irmã caiu nesse tipo de golpe. É algo que continua acontecendo. A gente pensa “eu sou esperta, nunca cairia nisso”, mas eles envolvem as mulheres pelo caminho do afeto, da vontade de estar junto, de acreditar que ama. Acho que é uma construção social, criada dentro do patriarcado, de que a mulher precisa de um homem ao lado. O ideal é viver uma relação de troca, amor, desejo e carinho, sem dependência de nenhum dos lados.

O que te atrai nas antagonistas? Elas costumam oferecer mais possibilidades. A Carmita, por exemplo, não é uma personagem fofinha, a oportunidade do romance faz parte da vilania dela, pois se apaixonou acreditando que ele era rico. Mas sofre de verdade com o golpe. Isso é muito humano. A gente não é só bom nem só ruim. Tem gente que é só ruim mesmo, mas, em geral, todos nós temos os dois lados.

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Walcyr Carrasco tem a fama de “salvador” de novelas. O que explica a capacidade que ele tem de manter o público envolvido? A fama não surgiu do nada. Primeiro, porque cria histórias muito boas. Essa é a quarta novela dele que faço e nunca existe barriga. A história do golpe da Carmita, por exemplo, não se alongou. Em três ou quatro capítulos ela já aconteceu e agora outra trama começa. Isso faz com que o público não possa assistir apenas duas vezes por semana, porque perde acontecimentos importantes. Também acho que funciona, porque os personagens são muito humanos, muito redondos. É uma fama que ele merece. 

Antes de Quem Ama Cuida, você viveu outra antagonista, em Dona Beja. Há pontos de encontro entre essas duas mulheres? Sim. As duas têm essa característica de acreditar que estão sempre certas. Normalmente, quem acha que está sempre certo não está. Uma das coisas que precisamos aprender na vida é que não existe uma única verdade e que erramos muito. Além disso, a Carmita também é muito preconceituosa. Ela não é racista, tanto que quer que a Bruna (Nanda Marques) fique com o Tiago (Gui Ferraz) porque ele tem dinheiro, mas é preconceituosa com gente pobre. Nesse sentido, elas são parecidas.

Seu nome voltou ao noticiário por causa do testamento de Dennis Carvalho. Como você encara esse tipo de exposição? Não sou a favor disso. Acho que questões íntimas devem ser resolvidas na privacidade. Eu sou essa pessoa, me exponho muito pouco, até nas redes sociais. 

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Depois de tantos anos de convivência, como você gostaria que a relação de vocês fosse lembrada? Nós realmente tínhamos um vínculo. Nos separamos, mas continuamos muito amigos. Acho que até mais do que amigos: família. Ele contava muito comigo e eu contava muito com ele. Existia um amor muito grande. E ele deixou um legado enorme. Muito, muito grande.

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