Decoração em segunda mão? Esta especialista conta como fazê-la durar

🗓️ 2026-07-31 📁 lifestyle 📝 ⏱️ 👁️ : -

Nem sempre precisa do móvel mais caro ou da peça de design 'da moda' para dar personalidade ao seu lar - todas as casas contam histórias através da decoração e, embora com o tempo, algumas apresentem sinais nítidos de desgaste, há as merecem continuar a ser escritas, ao invés de serem substituídas.

"Feito Para Durar" é o nome do novo programa de produção própria do canal Casa e Cozinha, que vai colocar o tema da decoração em perspectiva com a sustentabilidade.

Mais do que apresentar sugestões, ao longo dos episódios, este formato promete dar aplicações reais e soluções práticas para criar espaços mais funcionais e duradouros.

Maria Prata Rodrigues, a apresentadora - designer de interiores e criadora de conteúdos - conta-nos em exclusivo o que podemos esperar de algumas das criações mais improváveis que desenvolveu no "Feito Para Durar. Preparado para os spoilers?

Trabalhar com peças em segunda mão significa aceitar que existe sempre uma parte imprevisível

Leia abaixo a entrevista completa:

O que distingue este programa de outros formatos televisivos dedicados à decoração?

Acho que o que distingue o Feito Para Durar é o facto de ser um programa centrado na decoração com peças em segunda mão. Existem muitos programas sobre decoração e remodelação, mas são poucos os que mostram que é possível transformar uma casa recorrendo maioritariamente a peças em segunda mão.

E na prática o que muda?

O foco não está em comprar tudo novo, mas em descobrir potencial onde, à partida, muitas pessoas já não o veem. É um programa muito assente na criatividade, na sustentabilidade e na ideia de que é possível criar casas bonitas, intemporais e cheias de personalidade sem estar sempre a consumir mais.

Que mensagem pretende passar ao longo do programa?

Gostava que as pessoas percebessem que qualquer um pode começar. Não é preciso saber restaurar móveis nem ter uma oficina em casa. Basta começar a olhar para os objetos com mais curiosidade e menos preconceito. Se o programa fizer com que alguém dê uma segunda oportunidade a uma peça em vez de a deitar fora, ou entre pela primeira vez numa loja de segunda mão, já fico muito feliz.

Que situações inesperadas aconteceram ao longo das gravações?

Posso dizer que vão aparecer transformações muito diferentes entre si e soluções que, à partida, parecem improváveis. Há peças que nunca imaginaríamos que pudessem acabar naquele resultado e muitos momentos em que tive de improvisar porque nem sempre encontrei exatamente aquilo que procurava. E, claro, vão conhecer a Cátia, a minha amiga rezingona, que me acompanhou nesta aventura e tornou todo o processo ainda mais divertido.

O que é que podemos esperar do programa?

Em cada episódio conheço um novo desafio e procuro soluções através da reutilização de peças em segunda mão. Visito lojas, feiras e outros espaços à procura dos móveis certos, sempre acompanhada pela minha amiga Cátia, a minha companheira de aventuras e rezingona oficial. Depois restauro ou adapto as peças e mostro todo o processo até ao resultado final. Mais do que mostrar o antes e o depois, quis mostrar também o caminho para lá chegar.

Há um desafio diferente a cada episódio?

Sim. Cada episódio parte de um desafio diferente e isso obrigou-me a pensar constantemente em novas soluções. Houve projetos mais simples e outros que exigiram muito mais criatividade, mas foi precisamente essa variedade que tornou a experiência tão interessante. E ter a Cátia ao meu lado, sempre pronta a comentar tudo, trouxe também um lado mais leve e divertido ao programa.

E qual foi o maior desafio nas gravações do programa?

Trabalhar com peças em segunda mão significa aceitar que existe sempre uma parte imprevisível. Nem sempre encontrava exatamente a peça que tinha imaginado e, muitas vezes, foi preciso adaptar o projeto ao que ia surgindo. Houve também peças que, quando comecei a trabalhá-las, revelaram surpresas que não eram visíveis à primeira vista. Mas acho que isso faz parte da essência do programa. Mostra que decorar com peças em segunda mão exige criatividade e capacidade de adaptação e que, muitas vezes, são precisamente esses imprevistos que levam às soluções mais interessantes.

Em termos práticos, de que forma é que se pode conciliar a sustentabilidade com um design apelativo?

Para mim, uma coisa não exclui a outra. Durante muito tempo criou-se a ideia de que escolher opções mais sustentáveis significava abdicar da estética, mas acho precisamente o contrário. Muitas das casas mais bonitas que conheço têm peças antigas, móveis reaproveitados e elementos que foram sendo escolhidos ao longo do tempo. A sustentabilidade pode ser uma consequência de boas escolhas de decoração, sem nunca comprometer o resultado.

Como nasceu o gosto pela decoração e sustentabilidade?

A decoração apareceu muito cedo. Lembro-me de passar horas a decorar as casas das minhas bonecas e sempre gostei dessa parte mais criativa. A sustentabilidade surgiu um pouco mais tarde, muito por influência da minha mãe, que sempre comprou peças em segunda mão. Quando comecei a decorar a minha própria casa, percebi que era possível juntar as duas coisas: criar espaços bonitos enquanto dava uma nova vida a objetos que já existiam.

Qual é o maior desafio nestas áreas?

Acho que continua a ser mudar a forma como as pessoas olham para a segunda mão. Ainda existe algum preconceito e a ideia de que uma peça usada vale menos do que uma peça nova. Na realidade, muitas vezes acontece precisamente o contrário: encontramos peças de excelente qualidade, cheias de personalidade e feitas para durar muitos anos.

Qual é o segredo para produzir criações que são efetivamente feitas "para durar"?

O segredo começa logo na escolha da peça. Gosto de apostar em materiais de qualidade e em designs intemporais, que não dependem das tendências do momento. Depois, é importante respeitar a peça e perceber qual é a melhor forma de a recuperar, em vez de transformar tudo só porque sim. Quando uma intervenção é bem pensada, o resultado tem muito mais hipóteses de durar.

Ainda continua a investir em decoração de loja ou desde que tem esta visão começou a repensar nessa necessidade?

Continuo a comprar peças novas quando faz sentido, até porque nem tudo se consegue encontrar em segunda mão. Mas hoje penso muito mais antes de comprar. A primeira pergunta que faço é sempre se aquele objeto já existe e se o consigo encontrar em segunda mão. Muitas vezes a resposta é sim, e isso permite-me fazer escolhas mais conscientes sem abdicar daquilo que gosto.

Qual o item de decoração de que mais se orgulha de ter criado?

É difícil escolher apenas um, porque há vários projetos de que gosto muito. Mas um dos meus preferidos foi um móvel de casa de banho que criei num episódio em que o desafio era encontrar uma forma de esconder a caixa de areia dos gatos. Em vez de procurar um móvel já pensado para esse efeito, encontrei uma mesa alentejana em segunda mão e adaptei-a. Fiz a furação para receber um lavatório e uma torneira e, na prateleira inferior, coloquei a caixa de areia. Para a esconder, fiz uns cortinados que acabaram por ficar muito melhor do que eu imaginava. Gosto especialmente deste projeto porque mostra que, com alguma criatividade, uma peça pode ganhar uma função completamente diferente daquela para que foi criada.

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Inês Morais Monteiro | 08:45 - 29/04/2026