Delegado e policiais são suspeitos de desviar cocaína apreendida | G1
Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Os mandados ainda estão em cumprimento, e o número de presos pode aumentar ao longo da operação.
Conforme apurado pelo g1, um dos alvos da operação é o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. Anteriormente, ele foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Em junho deste ano, foi removido do Garras e transferido para a 6ª Delegacia.
O advogado do delegado Hoffman, Amilton Ferreira de Almeida, afirmou que o cliente está em Campo Grande e que tomou ciência da operação por familiares. Ele confirmou que o cliente não estava em casa durante o cumprimento dos mandados na residência.
Delegado da Polícia Civil, Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa. — Foto: Adepol MS
Três civis presos
Até o momento, o g1 apurou que três civis foram presos: Weslei Benítez, Kayon Lucas Leodoro da Silva, conhecido como “LK”, e Heberti Barbosa.
A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda busca esclarecer o motivo pelo qual ele é alvo do mandado de prisão. Segundo o advogado, Weslei era amigo próximo de Kayon e, como ele já havia sido preso anteriormente, a relação entre os dois teria motivado a inclusão de Weslei na investigação. A defesa também afirmou que ele não tem relação com os policiais presos na operação.
A defesa de Heberti afirmou que ainda não teve acesso aos documentos do caso e não sabe detalhes sobre a investigação.
O g1 não localizou a defesa de Kayon.
Policiais investigados se aproveitavam das funções públicas
As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também do Gaeco. Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína.
De acordo com o MPMS, os policiais investigados se aproveitavam das funções públicas para desviar drogas apreendidas em ocorrências. Segundo a investigação, o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais ou pela retirada da droga diretamente dos depósitos das delegacias.
A droga desviada, segundo a investigação, era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a colocavam novamente no mercado ilegal.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que os servidores das forças de segurança já eram investigados pelas corregedorias por tráfico de drogas e outros crimes. Segundo a secretaria, três deles já haviam sido presos anteriormente e um foi exonerado recentemente, mas os nomes não foram informados. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.
A operação tem apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências na residência de uma advogada.
O nome da operação, “Infiltrados”, faz referência, segundo o MPMS, à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados.
O que diz a Sejusp
"A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.
A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram."
Mandados são cumpridos na manhã desta quinta-feira (24). — Foto: Fabio Rodrigues