Desapareceu depois de sair da faculdade sem deixar rasto: estudante de Medicina encontrada morta dois dias depois com sinais de violência
Karla Margarita Pérez Jiménez, de 22 anos, estudava na Universidade de Guadalajara, no México
Depois de ter sido dada como desaparecida, a estudante mexicana Karla Margarita Pérez Jiménez, de 22 anos, foi encontrada morta e com sinais de violência no município de Zapopan, informou na quinta-feira a Procuradoria do estado de Jalisco, no oeste do país.
Após pelo menos dois dias de buscas, o corpo da estudante de Medicina foi encontrado num caminho em Zapopan, a menos de um quilómetro do campus de ciências agropecuárias da Universidade de Guadalajara, detalhou a Procuradoria.
“As buscas foram realizadas inclusivamente com recurso a drones e, efetivamente, foi localizada, lamentavelmente já sem vida, esta jovem”, afirmou aos meios de comunicação a vice-procuradora para Pessoas Desaparecidas, Blanca Trujillo Cuevas.
Segundo a versão da família da vítima, natural do estado de Guanajuato, no centro do país, o último contacto que tiveram com Karla Margarita aconteceu na segunda-feira, 14 de setembro, quando saiu do seu turno numa instituição médica e partiu num veículo de uma plataforma. Depois disso, perderam-lhe o rasto.
A vice-procuradora afirmou que, a poucos metros do corpo, foi encontrada uma motocicleta queimada, embora não exista certeza de que tenha estado envolvida no transporte da jovem.
“Em primeiro lugar, temos de comprovar que a descoberta está relacionada com este caso e, em segundo lugar, determinar se houve ou não um transporte”, explicou.
A jovem tinha viajado de Irapuato, em Guanajuato, para Guadalajara para estudar Medicina numa universidade privada.
O irmão, Carlos Pérez, publicou nas redes sociais uma mensagem em que exigiu respostas às autoridades e a identificação dos responsáveis.
“Dirigimo-nos às autoridades e a toda a sociedade: já não basta que entrem em contacto connosco, exigimos uma investigação imediata e a detenção dos responsáveis. Não vamos ficar de braços cruzados nem aceitar adiamentos”, afirmou.
Horas depois, estudantes de várias universidades realizaram uma manifestação junto ao local onde Karla Margarita foi encontrada, exigindo melhores condições de segurança nas proximidades dos estabelecimentos de ensino.
O feminicídio de Karla Margarita acontece numa altura em que a violência contra mulheres e estudantes no México volta a estar no centro das atenções devido ao caso de Claudia Tacoronte, estudante espanhola de intercâmbio na Universidade Autónoma do Estado de Morelos (UAEM), assassinada no sábado em Morelos, no centro do país.
A jovem espanhola é a quarta estudante da UAEM assassinada em apenas sete meses, depois de Kimberly Ramos, Karol Toledo e Michelle Itzayana Fuentes, que, ao contrário de Tacoronte, foram inicialmente dadas como desaparecidas e encontradas mortas dias depois. Estes crimes também deram origem a protestos e paralisações estudantis.
No México, existem mais de 133 mil pessoas desaparecidas, das quais um quarto são mulheres e, entre estas, mais de metade têm menos de 24 anos, segundo dados do Registo Nacional de Pessoas Desaparecidas e Não Localizadas (RNPDNO).