"Descobrir o endereço e atirar um tijolo": Montenegro denuncia vídeo com "ameaças" à sua casa e família

🗓️ 2026-10-16 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Vídeo foi divulgado pelo palácio de São Bento já depois de o primeiro-ministro ter falado em "ameaça direta"

“A gente precisa de descobrir o endereço do primeiro-ministro e jogar [gíria em português do Brasil que significa atirar] um tijolo.” É de noite e o plano está fechado, mas percebe-se que dezenas de pessoas estão a ouvir as palavras de um homem que está de pé a falar ao microfone.

Estas são as primeiras declarações de um vídeo que foi referido pela primeira vez pelo primeiro-ministro, que acusou os manifestantes que se reuniram no Porto em protestos contra os preços da habitação de egoísmo. Não se percebe exatamente em que cidade será ou qual o dia em que foram proferidas estas palavras, mas a julgar pelas acusações de Luís Montenegro, o Governo acredita que são dos protestos que se juntaram nos últimos dias na cidade do Porto.

Mas Luís Montenegro foi mais longe. A partir de Bruxelas, onde participou no Conselho Europeu, referiu que existem imagens que comprovam que há uma ameaça à sua casa e à sua família.

Minutos depois das palavras do chefe do Governo, o próprio palácio de São Bento divulgou as imagens, filmadas de forma amadora e num plano picado.

“Acabou! Ontem acabou. Acabou essa porra de ser pacífico. É para queimar alguma coisa sim”, continua a pessoa que lidera o protesto naquele momento.

É a estas palavras que Luíss Montenegro se refere, acrescentando que há “uma das passagens das intervenções feitas nessas manifestações”, onde “se faz um apelo direto à violência, à importação de conflitualidade (…) que tem ocorrido noutros países”.

“Onde até se ameaça diretamente a casa de habitação do primeiro-ministro e da sua família”, afirmou.

No entanto, o primeiro-ministro afirmou ter “toda a compreensão que as pessoas queiram respostas” na habitação e que “possam expressar a sua indignação sobre aquilo que, no entender delas, possam ser omissões das políticas ou um alinhamento menos condizente com essas ideias”.

“Nós temos todo o respeito pela expressão de indignação, de preocupação, de opinião política sobre todos assuntos, e naturalmente sobre o assunto da habitação, que não é um assunto novo no nosso debate político, nem é um desafio novo no nosso país”, referiu.

O primeiro-ministro ressalvou, contudo, que o Governo está “muito à vontade” no que se refere à habitação, frisando que tem promovido “um conjunto muito significativo de alterações” para aumentar a oferta de habitação pública e privada e também “nos apoios direcionados à procura que deles mais têm carência”.

Montenegro elencou várias medidas que têm sido adotadas pelo Governo, como o facto de ter aumentado o objetivo de construir e reabilitar casas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para 59 mil, além de ter alterado as regras de licenciamento e edificação para que haja mais casas no mercado.

Em termos de apoios, Montenegro deu o exemplo da isenção total de IMT e imposto de selo para os jovens até aos 35 anos na aquisição da primeira habitação, assim como a possibilidade de acederem a “uma garantia pública que lhes permite serem financiados em 100% do valor da aquisição dos seus imóveis”.