Desmantelada rede de exploração sexual. Vítimas "disponíveis 24h"
A Polícia Nacional espanhola desmantelou uma "organização criminosa que explorava sexualmente mulheres através de coação e dívidas", nas zonas de Barcelona e Tarragona, em Espanha.
Em comunicado, divulgado esta segunda-feira, a autoridade explicou que a organização dedicava-se ao "tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual e à prostituição coerciva".
"As vítimas eram obrigadas a permanecer disponíveis 24 horas por dia, a aceitar todas as práticas sexuais solicitadas pelos clientes, a entregar metade do valor dos serviços e a deslocar-se para outros locais quando lhes era ordenado", adiantou a polícia.
Uma das vítimas foi enganada quando vivia na Colômbia e lhe foi prometido um "emprego como responsável por uma casa de prostituição, mas, à chegada a Espanha, foi obrigada a prostituir-se".
A investigação da Polícia Nacional começou após a denúncia da mulher, que contou que foi "recrutada na Colômbia" e que os suspeitos se tinham aproveitado da sua "situação de vulnerabilidade económica".
A mulher contou que um homem ganhou a sua confiança depois de lhe oferecer um emprego como operadora de telemarketing e, posteriormente, propôs-lhe que viajasse para Espanha para trabalhar como responsável por uma casa de prostituição. Foi-lhe prometido que "ficaria encarregue da gestão dos clientes, da organização dos encontros, da cobrança dos serviços sexuais e da publicação de anúncios das mulheres em diferentes páginas de conteúdos sexuais, em troca de um salário mensal de 6.000 euros".
Foi a organização que "tratou de todos os preparativos" da viagem entre a Colômbia e Espanha, mas, quando a mulher chegou ao território espanhol, disseram-lhe que não iria desempenhar aquelas funções e que teria de se prostituir.
Perante a sua recusa, os responsáveis pela organização disseram-lhe que tinha contraído uma dívida de 4.000 euros referente às despesas da viagem e que teria de a pagar através da prostituição.
"Sem recursos financeiros, sem familiares ou amigos em Espanha que a pudessem apoiar e em situação administrativa irregular, como turista, a vítima acabou por aceitar a imposição da rede criminosa", explicou a Polícia Nacional.
Durante o período em que foi explorada, a vítima era obrigada a permanecer disponível 24 horas por dia, não podia sair sozinha do imóvel e não tinha direito a dias de descanso.
Além disso, tinha de aceitar todas as práticas solicitadas pelos clientes, entregar metade do valor de cada serviço para amortizar a suposta dívida e deslocar-se para outros locais sempre que lhe era ordenado.
No total, foram detidas quatro pessoas: três na zona de Barcelona e uma em Tarragona. Além disso, as autoridades conseguiram libertar cinco mulheres que estavam a ser exploradas sexualmente, incluindo uma que fora vítima de tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual.
Durante as buscas, os agentes da Polícia Nacional apreenderam dinheiro em numerário, documentação relacionada com a atividade investigada — incluindo registos de transferências de dinheiro e documentos relativos ao reconhecimento de dívidas —, além de telemóveis e computadores portáteis.
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