'EUA asfixiam Cuba, mas estamos em pé', diz Díaz-Canel - 22/08/2026 - Mônica Bergamo - Folha

🗓️ 2026-08-23 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Aos 66 anos, o engenheiro Miguel Díaz-Canel comanda Cuba no momento mais crucial de sua história, em que até mesmo a capacidade de sobrevivência da ilha como nação autônoma é considerada sob ameaça.

Sob bloqueio implacável do governo do norte-americano Donald Trump, que desde maio impede a entrada de combustível e insumos no país, os cubanos enfrentam situações extremas em que faltam luz, água, transporte, alimentos e remédios. O lixo, nas ruas, fica por dias sem ser recolhido.

Para tentar contornar o cerco, o parlamento de Cuba aprovou há dois meses um pacote de reformas econômicas apresentado pelo governo com 176 medidas que abrem espaço para o setor privado de forma inédita —e impensável há poucos anos.

Empresários privados estão autorizados a ter mais de dois negócios, com mais de cem empregados, o que possibilita o surgimento de conglomerados. Ações poderão ser negociadas livremente. Companhias estrangeiras poderão explorar a terra por até 99 anos, em sistema de usufruto.

Canel, que desde que assumiu o governo viu o PIB do país encolher 15% depois de sucessivas crises (entre elas, o fim da pareceria energética com a Venezuela e a Covid-19), afirma que as reformas não vão trazer o capitalismo e volta a Cuba.

"O povo não permitiria", disse ele em entrevista exclusiva concedida à Folha na semana passada em Havana.

Nem são concessão direta ao governo Trump. "Os EUA não têm moral para nos pedir nenhuma concessão, nem nós estamos dispostos a fazê-las", afirma.

Na entrevista, o líder da ditadura cubana diz que os EUA promovem um genocídio silencioso no país e tentam, com a escalada das sanções, provocar uma explosão social que leve "à famosa queda da Revolução, que eles tanto desejaram e pela qual tanto esperaram".

Afirma que o governo, no entanto, não vai capitular. "Não temos alternativa senão resistir."

Confrontado com críticas à burocracia, à demora em implantar reformas e às restrições políticas internas, Díaz-Canel admite erros, mas rejeita que sejam a causa central da crise.

Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção americana e seu próprio destino diante de uma eventual ação militar, endurece o discurso: "Se chegar a minha hora, chegou. Mas não vai ser com fraqueza e covardia. Vai ser lutando."

BLOQUEIO ENERGÉTICO

Organismos internacionais alertam que Cuba pode se transformar, ou já está se transformando, em uma Gaza silenciosa, com um bombardeio sem bombas. Como o senhor define a situação?
É uma avaliação perfeitamente correta. Neste momento, estamos submetidos a uma política de pressão máxima por parte do governo dos Estados Unidos.

Estão impondo a Cuba uma guerra multidimensional: ideológica, cultural, econômica e midiática.

O imperialismo está tentando, por todos os meios, nos asfixiar economicamente para provocar uma explosão social. Ou seja, para que o povo, em consequência do acúmulo de insatisfações e privações, chegue a uma ruptura com o governo cubano, levando à famosa queda da Revolução, que eles tanto desejaram e pela qual tanto esperaram.

É possível que isso aconteça?
Cuba é a nação submetida há mais tempo a um bloqueio econômico, e não de um Estado qualquer, mas da principal potência do mundo, que rege o comércio, as finanças e a economia.

Em seu primeiro mandato [como presidente dos EUA, de 2017 a 2021], o governo Trump impôs mais de 240 medidas que endureceram esse bloqueio.

Eles nos incluíram em uma lista de países que supostamente apoiam o terrorismo, o que é uma falácia. Isso nos excluiu de todo o sistema de relações econômico-financeiras do mundo.

No atual mandato [de Trump], o bloqueio foi internacionalizado por meio do mecanismo de sanções secundárias [que pune empresas de qualquer outro país que se relacionarem com Cuba], estabelecendo-se também um bloqueio energético [desde janeiro].

Em sete meses, entrou neste país apenas um navio petroleiro, procedente da Federação Russa, trazendo uma ajuda humanitária de 100 mil toneladas de petróleo bruto. Desde então, não entrou mais combustível, o que agravou a situação e teve impacto na vida das cubanas e dos cubanos.

Quando não há energia, falta luz, falta água, não há transporte. A vida doméstica se complica. O bloqueio paralisa a economia. Ninguém no mundo consegue sobreviver sem energia.

Mas alguma gasolina entra no país, não?
Entra por meio de importações privadas, o que atende a algumas das necessidades dos [negócios] particulares.

A soma de tudo o que os privados importaram nesses sete meses, no entanto, equivale a um navio. E nós precisamos de sete navios de combustível por mês [para suprir o país inteiro].

Construiu-se uma rede de sanções e pressões coercitivas que restringem o funcionamento do país e que estão se transformando em um genocídio.

"Não acredito que serão cúmplices desse genocídio silencioso. Se ele avançar, é porque o mundo está permitindo. Aquilo que pode acontecer hoje com Cuba, e que já aconteceu na Venezuela e em Gaza, poderá acontecer com qualquer nação"

Nesses sete meses, não pudemos dispor de 1.400 megawatts porque não havia combustível. Se tivéssemos usado essa capacidade, os apagões tão incômodos e prolongados que ocorrem em Cuba teriam sido reduzidos para aproximadamente três horas por dia.

No entanto, hoje temos apagões de mais de 20, 30, às vezes até de mais de 40 horas. Além disso, sofremos blecautes, quando o sistema desliga-se por completo, e sua recuperação leva dias.

CRIANÇAS MORTAS

Quais são as áreas mais diretamente afetadas?
Ficamos sem a energia necessária para a vida familiar, para os processos produtivos e os serviços, para a saúde, a educação e o transporte.

Neste momento há uma lista de espera de mais de 98 mil pacientes para cirurgias, entre eles 12 mil crianças. Há mais de 117 mil pacientes com câncer, entre eles cerca de 1.200 crianças, que não estão recebendo os tratamentos oncológicos. Há mais de 3 mil pessoas para as quais temos dificuldades em garantir o tratamento de hemodiálise.

Já são mais de 64 mil crianças com seus esquemas de imunização atrasados, o que nunca aconteceu. A mortalidade infantil, que era de quatro a cinco mortes a cada mil nascidos vivos —uma taxa de países desenvolvidos— mais que dobrou. São mortes de crianças. Que poderiam ter sido evitadas porque nós sabemos como evitar.

Nós verificamos que faltam remédios em hospitais.
Por causa da pressão dos EUA sobre as companhias marítimas [ameaçadas de sanções por Trump caso levem mercadorias a Cuba], temos atualmente milhares de contêineres em diferentes portos do mundo que não chegam ao país.

Há neles alimentos, peças de reposição para nosso sistema eletroenergético, sistemas fotovoltaicos, matérias-primas para produzir remédios. Só conseguimos cobrir 30% da lista básica de medicamentos.

A maioria das empresas turísticas que mantinham investimentos em Cuba se retirou: 50% de nossos hotéis estão fechados, e há cerca de 27 mil empregados do setor de turismo afastados do trabalho.

"Se chegar a minha hora, chegou. Mas não vai ser com fraqueza e covardia. Vai ser lutando"

Cuba está à beira de um colapso?
Não, nós não estamos à beira de um colapso.

Estamos em uma situação complexa, mas com uma enorme criatividade, que se soma à heroica capacidade de resistência do povo cubano. Estamos buscando alternativas e há uma luta plena para superar essas adversidades com nossos próprios esforços e talento.

Há apagões, mas nenhum apagou a esperança do povo cubano nem abalou a nossa capacidade.

Sem energia elétrica, todos os dias nossos médicos e enfermeiros chegam aos hospitais para salvar vidas. Sem energia elétrica, nossos professores concluíram o ano letivo e formaram mais de 30 mil estudantes universitários.

O que não posso negar é que se trata de uma situação extremamente complexa, de sofrimento, na qual se vê a perversidade de um governo tão poderoso quanto o dos EUA, que sacrifica o povo cubano na tentativa de submeter uma nação. E essa nação não se rende, esse povo não se rende.

BUROCRACIA

Mas, presidente, nós conversamos com um grande número de pessoas. Há o reconhecimento do endurecimento do bloqueio externo, mas a maioria se referiu especialmente a um bloqueio interno. Há reclamações sobre o governo, que seria o maior responsável por problemas que existem há muitos anos.

Quando as pessoas se referem ao bloqueio interno, estão falando das insatisfações com determinados aspectos da burocracia, com a lentidão de certas ações do governo. E nós temos sido os principais críticos e autocríticos disso.

Mas digo com toda a sinceridade: ainda que tivéssemos feito tudo certo, sem falhas —algo muito difícil em um país que vive há mais de 60 anos em uma situação de praça sitiada—, a principal causa do que vive Cuba hoje é o bloqueio [dos EUA].

Ele é determinante. Sem ele, teríamos combu stível e não teríamos apagões. Haveria alimentos. Produziríamos os medicamentos de que precisamos. O que estão fazendo é realmente um crime.

"Se chegar a minha hora, chegou. Mas não vai ser com fraqueza e covardia. Vai ser lutando"

Há uma visão também de que a discussão sobre se Cuba é ou não socialista está superada. E que se trata de saber hoje, na verdade, se ela seguirá existindo como país, como nação independente.

O que se tenta salvar é a nação, o país, a independência e a soberania. Nas condições de Cuba, isso está totalmente relacionado à construção socialista.

Se fôssemos capitalistas, estaríamos como nos anos 1950, em que todas as nossas riquezas e possibilidades estavam nas mãos de monopólios americanos. Era uma dependência total.

Em séculos de existência, o capitalismo demonstrou não ter solução para os problemas. A desigualdade cresce a cada ano no mundo.

O socialismo, em Cuba, esteve bloqueado desde que surgiu. Portanto, é muito cínico questionar um sistema quando você não permite que ele se desenvolva plenamente.

Se somos tão incapazes, por que nos bloqueiam? Se somos tão ineptos, tão ineficientes, por que nos bloqueiam? Não seria melhor deixar que caíssemos por conta própria?

Eles sabem que Cuba, mesmo bloqueada, conseguiu solucionar problemas de justiça social que não estão resolvidos nos EUA.

Mas, presidente, ainda podemos dizer que Cuba é socialista?

Ninguém concluiu ainda a construção do socialismo, e cada país tem suas particularidades.

É um processo que pressupõe transformações de deformações estruturais que, no caso de Cuba, são resultado de séculos de dominação colonial espanhola e de décadas de dominação neocolonial norte-americana.

Houve uma revolução vitoriosa em 1959 que devolveu a dignidade a esse país, transformou e permitiu que ele avançasse. E, por causa do exemplo que representa, e da visão hegemônica, arrogante e criminosa do governo dos EUA, essa política [de bloqueio] foi imposta a Cuba.

Não é mais justo e possível alcançar resultados quando a saúde e a educação são gratuitas, quando tudo é compartilhado por todos e as riquezas são distribuídas? Mas, se você me cerca e não me deixa criar riqueza, como vamos distribuí-la?

É verdade que existe um bloqueio em Cuba para que o socialismo não se realize, mas...
[interrompendo] Se você não vive em Cuba, não pode entender o que é o bloqueio.

Mas eu posso...
[interrompendo novamente] Não entende o que é o bloqueio. Não entende as limitações provocadas pelo bloqueio. Você conseguiria viver com 20 horas de apagão? Está acostumada a isso? Sabe o que é preciso fazer para viver com 20 horas de apagão?

E há apagões por culpa do socialismo? Ou há apagões por culpa do imperialismo? De que lado está a razão, Mônica?

Não estou falando de razão. Estou perguntando: vocês estão enfrentando a situação com reformas capitalistas. Ou seja, é preciso promover o capitalismo para salvar o socialismo? Porque em Cuba hoje há propriedade privada, patrões e empregados, diferenças sociais gritantes. Ainda há socialismo em Cuba?
Estamos em um processo de construção socialista.

Mesmo com reformas capitalistas?
Não há reformas capitalistas.

Deixe-me explicar: o socialismo defende justiça social, e nós seguimos defendendo justiça social. O socialismo defende soberania e independência, e isso defendemos como ninguém.

Nos anos 1960 e 1970, vivíamos em uma bolha. Recebíamos 13 milhões de toneladas de combustível da União Soviética. Pudemos desenvolver toda uma infraestrutura industrial e produtiva, e realizamos programas sociais de grande envergadura.

"Se chegar a minha hora, chegou. Mas não vai ser com fraqueza e covardia. Vai ser lutando"

Quando cai o paradigma do socialismo [nos anos 1990], cai a União Soviética, cai o Leste Europeu, [há uma queda de] mais de 80% do nosso comércio exterior.

Foi preciso introduzir reformas. Fidel disse: "É preciso fazer concessões para manter a revolução e o socialismo". Foi aí, nesse momento, que começou a desigualdade social.

Naquele momento Fidel começa uma abertura.

Tivemos que abrir lojas em divisas. Nos abrimos ao investimento estrangeiro. Um grupo de pessoas passou a se diferenciar não pelo que contribuía para a sociedade, que é um princípio socialista, mas pelo que recebia de remessas [de familiares] dos EUA.

Tudo isso provocou um nível de diferenças sociais indesejado, e que não conseguimos conter.

Agora, eu lhe garanto que em Cuba há menos diferença social do que em um país capitalista.

No capitalismo, é cada um por si. Aqui, as pessoas que têm menos renda são amparadas por mais de 32 programas sociais apoiados pelo orçamento do Estado.

Mas, para ter justiça social, é preciso produzir riqueza para ser distribuída com critérios de equidade.


E o senhor acredita que essa riqueza se produz com mais facilidade em uma economia de mercado?
Como se mantém um princípio de construção socialista quando se está bloqueado pela principal potência do mundo? Que agora nos cortou até a energia? O que fazer? O que fazer?

Temos um setor privado com o qual se pode romper parte desse bloqueio.

Essas transformações [as medidas econômicas recém-anunciadas] buscam também dar maior autonomia à empresa estatal socialista.

Quem fortalece a empresa estatal não está renunciando ao socialismo. Apenas está reconhecendo que pode haver um sistema que tem como principal ator o Estado, mas que se inter-relaciona com o restante dos atores. Que flexibiliza o investimento estrangeiro e que está pedindo que os cubanos residentes no exterior possam investir em Cuba.

Para que? Para que haja mais produção e benefícios para a população. Isso não é, de forma alguma, capitalismo.Os principais meios de produção seguem nas mãos do Estado, como representante do povo.

Dificilmente há retorno depois que o capitalismo se consolida. Por que em Cuba seria diferente?
Porque aqui há um Partido Comunista que representa o povo, que controla e aplica essa reforma. Há unidade da maioria do povo em torno desse partido. E há participação popular.

Esses 3 elementos são a garantia de que não haverá um processo de restauração capitalista. O povo não permitiria porque sabe o que a revolução significou em matéria de benefícios.

Os EUA estão se impondo a Cuba pela força de uma forma dramática. Por quanto tempo o país pode resistir sem um acordo?
Não temos alternativa senão resistir. Temos que resistir.

Mas vocês estão buscando um acordo?
Fidel sempre defendeu esse diálogo. Chegamos a ter uma relação mais avançada com [o ex-presidente dos EUA] Barack Obama. Mas isso não significa negociar, nem se subordinar aos interesses do imperialismo.

Não pode haver diálogo sob opressão. É preciso buscar um canal de diálogo sem condições prévias.

Como está esse canal?
Está estancado. Há um desejo de dialogar e há funcionários do nosso governo que conversaram com o governo dos Estados Unidos. Mas ainda não foi possível avançar. Não há uma agenda.

Agora mesmo o secretário de Estado [Marco Rubio] disse que vai cortar todas as formas de escape que Cuba pode encontrar. Vazam informações para a imprensa de que haverá operações da CIA contra Cuba.

Há uma leitura de que as medidas econômicas recentemente anunciadas já são, na verdade, concessões aos EUA.
Os EUA não têm moral para nos pedir nenhuma concessão, nem nós estamos dispostos a fazê-las.

As 176 medidas econômicas anunciadas são resultado de um debate de aperfeiçoamento que ocorre há mais de dez anos.

Não houve demora? Elas agora estão sendo implantadas em um momento terrível.
São processos complexos. Agora há mais urgência pela situação em que estamos.

Se os EUA seguirem pressionando, a situação pode se prolongar indefinidamente.
Pode se prolongar indefinidamente. É o que vem ocorrendo há mais de 60 anos.

Mas não assim, de forma tão crítica.
O Período Especial [nos anos 1990] foi muito crítico. O bloco socialista desmoronou e os EUA apostaram tudo na queda da Revolução.

Além disso, eu não acredito que o mundo vá assistir passivamente a esse genocídio.

O mundo tomou consciência do genocídio em Gaza e chegou tarde com sua solidariedade. Não conseguiu impedir que 70 mil palestinos, 60% deles mulheres e crianças, fossem assassinados pelo conluio entre Israel e EUA.

Não acredito que serão cúmplices desse genocídio silencioso em Cuba. Se ele avançar, é porque o mundo está permitindo.

Aquilo que pode acontecer hoje com Cuba, e que já aconteceu na Venezuela e em Gaza, poderá acontecer com qualquer nação se permitirmos que o mundo se renda aos desígnios dessa administração [dos EUA].

O fascismo está ressurgindo e sabemos as consequências. Sabemos o que é o Holocausto. O mundo vai se submeter a isso?

Por que não haveria o risco de acontecer em Cuba o mesmo que na Venezuela, que hoje tem uma presidente, Delcy Rodrigues, que obedece aos EUA?
Eu não gosto de comparações, muito menos com a Venezuela, uma nação e sobretudo um povo com o qual temos relações históricas.

O que pode impedir que algo assim aconteça em Cuba tem a ver com a nossa história, com a forma como nosso povo está unido em torno da Revolução.

Tem a ver com a decisão da maioria de nós, revolucionários, de dar a vida pela Revolução. Portanto, aqui não haverá surpresa.

RESISTÊNCIA OU MORTE

O senhor acredita mesmo que o povo quer dar a vida pela Revolução? Um povo que está precisando de água... Será, presidente?
A maioria desse povo está disposta a dar a vida pela Revolução e já demonstrou isso em outras ocasiões.

Se 32 combatentes cubanos [que faziam a segurança de Nicolás Maduro] deram a vida na Venezuela [ao serem mortos pelos EUA no dia do sequestro do venezuelano], o que milhões não fariam para defender a Revolução? Os que morreram eram de outra galáxia? Ou eram expoentes desse sentimento do povo cubano?

O senhor acredita em uma invasão dos EUA a Cuba, ou na captura de Raúl Castro?
Dessa administração dos EUA podemos esperar qualquer coisa.

Somos um país de paz. Mas há uma retórica constante de ameaças por parte dos EUA. O povo está se preparando para a defesa.

Mas como, presidente, se nem sequer há gasolina no país?
Temos nossos segredos, que não vamos revelar.

Todas as semanas há um Dia Nacional da Defesa. As estruturas estão ativadas. Temos uma concepção que é a Guerra de Todo o Povo.

"Se chegar a minha hora, chegou. Mas não vai ser com fraqueza e covardia. Vai ser lutando"

É uma estratégia defensiva que nos permite agir com conceitos de guerra de guerrilha, de guerra irregular, [que vêm] da tradição histórica da nossa Independência e da guerra de guerrilha na Sierra Maestra [na Revolução de 1959].

Conhecemos as tendências da arte militar contemporânea, estudamos as guerras e as últimas invasões. Estudamos as capacidades do Exército norte-americano. Também temos nossa capacidade e nossa dignidade.

Por que prender pessoas que protestam?
Em que lugar do mundo não há insatisfações? A diferença é que aqui as pessoas fazem reivindicações diante das instituições do Estado e do partido. Confiam nelas. São atendidas, e não reprimidas.

Os EUA destinam parte de seu orçamento para ações subversivas em Cuba, que se aproveitam dos problemas aos quais nossa sociedade foi levada por causa do bloqueio.

Pagam pessoas para transformar reivindicações em atos de vandalismo, em assaltos a mercados e ataques à propriedade estatal.

Atenta-se contra a segurança cidadã. Como ocorre em qualquer país, aplica-se a lei.


O senhor nunca sentiu medo pessoal quando, por exemplo, capturaram Maduro na Venezuela e o levaram preso para os EUA?
Na medida em que participamos da revolução e conhecemos a sua história, tomamos a decisão de dar a vida pela causa. Vamos ter medo de que? É uma decisão já tomada.

Se chegar a minha hora, chegou. Mas não vai ser com fraqueza e covardia. Vai ser lutando.

Quando uma pessoa tem essa atitude diante da vida —e minha esposa também tem—, nada temos a temer.

No tempo que nos resta, vamos nos entregar de corpo e alma a este povo e a esta revolução.

Fidel nos ensinou que os reveses se transformam em vitória e que nenhum inimigo, por mais poderoso que seja, é invencível. Sabemos que vai ser duro. Sim, está sendo duro. Mas, veja: aqui estamos, em pé, lutando, sem nos render.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS

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