Dinossauros, crocodiliformes, ovos fossilizados e aquífero colocaram esta cidade mineira no mapa mundial da UNESCO
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, caminhar pelo Cerrado também significa passar sobre uma história escrita há dezenas de milhões de anos. O território conhecido como Terra dos Gigantes já revelou mais de 10 mil fósseis e preserva vestígios dos últimos capítulos da era dos dinossauros, razão pela qual recebeu em 2024 o reconhecimento de Geoparque Mundial da UNESCO.

Por que Uberaba é chamada de Terra dos Gigantes?
Segundo a UNESCO, as formações geológicas de Uberaba guardam fósseis do Cretáceo Superior, período que terminou há cerca de 66 milhões de anos. Entre os achados estão dinossauros, tartarugas, crocodiliformes e outros animais que habitavam uma paisagem muito diferente do Cerrado observado atualmente.
O símbolo dessa riqueza é o Uberabatitan ribeiroi, um enorme titanossauro descoberto na região. A UNESCO informa que o animal alcançava aproximadamente 27 metros de comprimento e 10 metros de altura, colocando-o entre os fósseis de dinossauros mais impressionantes encontrados no Brasil.

Como tantos fósseis conseguiram sobreviver?
O segredo está em ambientes que desapareceram há milhões de anos. Estudos geológicos reunidos pela UNESCO indicam que partes do território alternavam entre planícies de rios, sistemas fluviais e lagoas rasas. Nessas condições, restos de animais podiam ser rapidamente cobertos por sedimentos.
Esse soterramento ajudava a proteger ossos da destruição e criava condições para a fossilização. Hoje, formações como Serra da Galga revelam uma enorme diversidade paleontológica e permitem aos pesquisadores reconstruir parte desse antigo ecossistema.
- Mais de 10 mil fósseis já foram encontrados dentro do território reconhecido pela UNESCO.
- Dinossauros, tartarugas e parentes extintos dos crocodilos estão entre os animais identificados.
- Peirópolis concentra importantes descobertas de vertebrados e ovos fossilizados de dinossauros.
O que existia ali antes dos dinossauros?
A história geológica de Uberaba começa muito antes dos grandes répteis encontrados em suas rochas. A UNESCO destaca enormes derrames de basalto ligados a episódios vulcânicos anteriores à fragmentação do supercontinente Gondwana e à abertura do oceano Atlântico Sul.
Milhões de anos depois, novas camadas de sedimentos registraram rios, lagos e animais do Cretáceo. Essa sequência transforma a região em uma espécie de arquivo natural de diferentes capítulos da Terra, no qual mudanças geológicas podem ser observadas nas próprias rochas.

O que existe abaixo dessa paisagem pré-histórica?
Outro patrimônio gigantesco está escondido no subsolo. As rochas da região se relacionam com o Sistema Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do planeta, distribuída por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Uma pesquisa publicada em 2024 na revista Environmental Science & Policy estima que o sistema contribui para a segurança hídrica de mais de 100 cidades, onde vivem mais de 15 milhões de pessoas. Assim, o subsolo de Uberaba reúne tanto registros de antigas formas de vida quanto uma importante reserva de água.
Por que o Geoparque Uberaba ganhou reconhecimento mundial?
Em 2024, a UNESCO incluiu Uberaba em sua rede mundial de geoparques, que reúne territórios de importância geológica internacional associados à conservação, educação e desenvolvimento sustentável. O geoparque possui cerca de 4.523 quilômetros quadrados e combina ciência, turismo, cultura e história local.
Peirópolis, o Museu dos Dinossauros, áreas de pesquisa e paisagens naturais permitem conhecer essa história de perto. Mais do que imaginar gigantes caminhando pelo interior de Minas Gerais, visitar a região é perceber que milhões de anos continuam registrados sob nossos pés. Vale olhar para Uberaba com outros olhos: parte da história do planeta continua ali, esperando para ser descoberta.